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Por Emerson Teixeira
A pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida era chamada de “mãe” por integrantes do Comando Vermelho e teria atuado como intermediária entre pessoas em liberdade, presos e a estrutura de comando da facção em Mato Grosso. A informação consta em um relatório da Polícia Civil produzido no âmbito da Operação Fariseus.
Orminda é mãe de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, presa em julho por suspeita de usar o projeto religioso Resgatando Vidas para prestar apoio comunicacional, financeiro e logístico ao grupo criminoso.
De acordo com o documento elaborado pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a pastora era procurada para encaminhar assuntos relacionados a “disciplina”, “linha”, “ideias” e “informativo”. Em uma das conversas analisadas, um interlocutor afirma que ela tinha “acesso lá dentro”.
Para os investigadores, essas mensagens demonstrariam que Orminda conseguia levar demandas de pessoas externas até presos e integrantes do núcleo responsável pelas decisões do Comando Vermelho.
A proximidade com lideranças da facção também aparece em conversas com Rhavenna. Em novembro de 2025, Orminda escreveu à filha: “O velhote mi chamou”. A mensagem faria referência a Renildo da Silva Rios, o “Velhote”, apontado pela investigação como uma liderança do CV.
Conforme o relatório, a pastora acompanhava a situação processual de Renildo e mantinha contato telefônico com ele durante o período em que estava preso. Em outro episódio, Orminda repassou à filha o telefone de Leonardo de Jesus, conhecido como “Buxudo”, também identificado como integrante da cúpula da organização criminosa.
A Polícia Civil afirma ainda que presos entregavam dinheiro e objetos aos cuidados de Orminda. Em uma carta, um detento determina que valores sejam guardados pela pessoa chamada de “mãe” e solicita o envio de um relógio e de outros itens para dentro da penitenciária.
As mensagens também mostram Orminda e Rhavenna organizando visitas e a entrega de objetos a presos. Em dezembro de 2025, as duas combinaram uma ida à unidade para “levar as coisa pra ele”.
CARRO PAGO
Outro ponto destacado pela investigação envolve a compra de um veículo para Orminda. Em 10 de fevereiro de 2026, Rhavenna enviou à mãe um comprovante de pagamento no valor de R$ 5 mil e informou que a quantia era referente ao “carro”.
“Ele que mando”, escreveu Rhavenna. Na sequência, mãe e filha conversaram sobre o pagamento das parcelas. Pelo contexto das mensagens, os investigadores relacionaram o envio do dinheiro a Renildo.
ARMAS NO ACERVO
O relatório também menciona a existência de fotografias de pistolas, revólveres, munições e fuzis no acervo digital relacionado ao grupo investigado.
Em uma das imagens, Nivaldo de Almeida, marido de Orminda e pai de Rhavenna, aparece segurando uma pistola e fazendo um gesto associado ao Comando Vermelho. Ele morreu recentemente em decorrência de um câncer.
Outro vídeo mostra Lo Rhùama, integrante do mesmo núcleo familiar, praticando tiro com uma arma semelhante. Segundo a investigação, Nivaldo teria comentado a habilidade dela e afirmado que mostraria a gravação a Renildo.
Apesar das referências às armas, os trechos analisados não apresentam uma conversa específica na qual Orminda apareça negociando ou vendendo armamento a algum preso. A atuação atribuída a ela está relacionada principalmente à intermediação de recados, contatos, objetos e valores.
O relatório foi concluído em 14 de agosto de 2026. Orminda também foi denunciada pelo Ministério Público de Mato Grosso pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça