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Operação Autoritas: empresário é caçado após investigação apontar ameaças a delegado e monitoramento da família em Cuiabá

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Operação Autoritas: empresário é caçado após investigação apontar ameaças a delegado e monitoramento da família em Cuiabá

JB News

Por Emerson Teixeira

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Autoritas para cumprir mandado de prisão preventiva contra o empresário Maike Koseki de Capua, de 41 anos, investigado por ameaçar o delegado Edison Ricardo Pick, monitorar sua rotina e acompanhar os deslocamentos de familiares da autoridade policial em uma suposta tentativa de intimidar o responsável pelas investigações e influenciar o andamento de um processo criminal. O empresário não foi localizado durante a operação e é considerado foragido pelas forças de segurança.

As investigações apontam que a ofensiva contra o delegado teve início após Maike passar à condição de réu em uma ação penal que apura sua suposta participação em uma organização criminosa. Segundo os investigadores, em vez de apenas responder ao processo judicial, o empresário teria adotado uma estratégia de pressão contra o responsável pelo inquérito, promovendo o acompanhamento constante de sua rotina pessoal e profissional.

De acordo com a Polícia Civil, o monitoramento teria ultrapassado a figura do delegado e alcançado sua esposa, o filho e outros familiares próximos. A suspeita é de que o investigado buscava mapear horários, deslocamentos e hábitos cotidianos da família, criando um ambiente de intimidação psicológica com o objetivo de constranger a atuação da autoridade policial e enfraquecer a condução das investigações.

Os elementos reunidos durante o inquérito indicam que as ações atribuídas ao empresário não configuram apenas ameaças isoladas. Para a Polícia Civil, há indícios de uma conduta planejada e continuada, voltada a interferir diretamente na persecução penal, motivo pelo qual foi representada pela prisão preventiva. A Justiça acolheu os argumentos apresentados pelos investigadores ao entender que a liberdade do suspeito poderia representar risco à instrução criminal e à integridade das pessoas envolvidas no caso.

As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que autorizou um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão. A operação foi executada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que realizaram diligências em endereços ligados ao empresário.

Durante o cumprimento das buscas, os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos, computadores, telefones celulares, documentos e outros materiais que agora serão submetidos à perícia. A expectativa é de que o conteúdo desses equipamentos permita reconstruir a dinâmica dos fatos, identificar a forma como o monitoramento era realizado, verificar eventuais contatos com terceiros e descobrir se outras pessoas participaram das ações de intimidação.

Outra frente da investigação procura esclarecer se o empresário utilizou recursos tecnológicos, sistemas de rastreamento, compartilhamento de localização ou contratação de terceiros para acompanhar a rotina do delegado e de seus familiares. Os investigadores também analisam se houve registros fotográficos, gravações, troca de mensagens ou qualquer outro meio empregado para produzir informações sobre a vida privada da autoridade policial.

As equipes da Polícia Civil ainda apuram se houve outras vítimas de práticas semelhantes e se a suposta intimidação integra uma estratégia mais ampla de integrantes da organização criminosa para constranger agentes públicos envolvidos nas investigações. Essa linha investigativa permanece em andamento e poderá resultar na identificação de novos envolvidos ou na instauração de procedimentos complementares.

Embora não tenha sido encontrado durante a operação, informações obtidas pelos investigadores indicam que Maike pode ter deixado Mato Grosso antes do cumprimento do mandado judicial, existindo a suspeita de que tenha seguido para Goiânia (GO). A Polícia Civil trabalha em conjunto com outras forças de segurança para localizar o empresário, que permanece na condição de foragido.

Morador do condomínio Alphaville II, em Cuiabá, Maike se apresentava publicamente como empresário dos setores de marketing e criptomoedas. Agora, além da ação penal em que já responde por suposta participação em organização criminosa, ele passa a enfrentar novas acusações relacionadas à suposta prática de coação no curso do processo, intimidação de autoridade policial e demais crimes que vierem a ser confirmados ao longo das investigações.

Batizada de Autoritas, a operação faz referência ao princípio da autoridade legítima do Estado e simboliza a atuação das forças de segurança na defesa das instituições públicas. Para a Polícia Civil, a investigação representa uma resposta firme a qualquer tentativa de ameaçar, constranger ou interferir no trabalho de agentes responsáveis pelo combate ao crime organizado, reforçando que ataques contra autoridades encarregadas da aplicação da lei serão tratados com rigor e terão resposta dentro dos instrumentos previstos na legislação brasileira.