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“O União Brasil não precisa de candidato emprestado”: carta aberta de Jayme Campos amplia crise interna e eleva tensão na disputa pelo Governo de MT

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“O União Brasil não precisa de candidato emprestado”: carta aberta de Jayme Campos amplia crise interna e eleva tensão na disputa pelo Governo de MT

JB News

Por Nayara Cristina

A divulgação da carta aberta do senador Jayme Campos (União Brasil), nesta segunda-feira (13), elevou o tom da disputa interna que domina os bastidores das eleições de 2026 em Mato Grosso. Em um documento direcionado aos filiados, lideranças e militantes da legenda, o parlamentar não apenas reafirma sua pré-candidatura ao Governo do Estado, como faz uma defesa enfática de que o União Brasil mantenha protagonismo na sucessão estadual, lançando um candidato próprio ao Palácio Paiaguás.

A manifestação ganhou ainda mais peso político por ter sido divulgada apenas dois dias após um encontro reservado entre Jayme Campos e o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Os dois estiveram reunidos no último sábado (11), em um dos apartamentos do senador, em Cuiabá, em uma tentativa de construir uma composição para as eleições de 2026. Apesar da conversa, nenhuma definição foi anunciada. Ao término da reunião, ambos afirmaram apenas que o diálogo permaneceria aberto, sem qualquer acordo fechado. A publicação da carta nesta segunda-feira acabou surpreendendo o meio político e passou a ser interpretada como um forte indicativo de que Jayme decidiu reforçar publicamente sua disposição de disputar o Governo do Estado, endurecendo sua posição dentro do União Brasil.

O gesto político ocorre em meio ao maior embate interno vivido pelo partido desde a formação da federação União Progressista. De um lado, Jayme Campos sustenta que o União Brasil possui estrutura, história e musculatura eleitoral suficientes para disputar o Governo de Mato Grosso com candidatura própria. Do outro, o presidente estadual da legenda, o ex-governador Mauro Mendes, trabalha para consolidar o apoio do partido ao projeto político do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), atual aliado do grupo governista e apontado como sucessor natural da gestão iniciada em 2019.

Na carta, Jayme evita ataques pessoais, mas deixa claro o recado político. Ao convocar a militância para a convenção estadual marcada para o dia 30 de julho, o senador afirma que o União Brasil não precisa buscar um nome fora de seus quadros para disputar o Governo do Estado.

“Participe da nossa convenção no dia 30 de julho. Traga sua bandeira, dê o seu grito de liberdade e de independência. O União Brasil não precisa de candidato emprestado. O União Brasil terá candidato a governador, com a sua força e a sua participação.”

A mensagem é interpretada nos bastidores como uma resposta direta à estratégia conduzida por Mauro Mendes. Desde o início das articulações eleitorais, o ex-governador tem defendido publicamente que o partido caminhe ao lado de Pivetta, preservando a aliança construída nos dois últimos mandatos estaduais. Mauro considera que a manutenção desse grupo político garante estabilidade administrativa e continuidade dos projetos implantados durante sua gestão.

Jayme, entretanto, passou a contestar a condução desse processo. Em entrevistas recentes, afirmou que a decisão de declarar apoio a Pivetta foi tomada sem consulta às principais lideranças do União Brasil e sem deliberação partidária. Segundo ele, a definição sobre o rumo da legenda deve ocorrer exclusivamente na convenção estadual, instância máxima de decisão do partido.

A convenção do dia 30 de julho ganhou importância estratégica justamente porque será ela quem decidirá se o União Brasil lançará candidatura própria ao Governo ou se oficializará apoio ao projeto liderado por Pivetta. Além da definição da chapa majoritária, também serão homologadas as candidaturas proporcionais e a candidatura de Mauro Mendes ao Senado.

Nos bastidores, a disputa é considerada uma das mais relevantes do atual processo eleitoral. O grupo ligado aos irmãos Jayme e Júlio Campos sustenta que a candidatura própria fortalece o partido, amplia o desempenho eleitoral das chapas proporcionais e preserva o protagonismo do União Brasil na política mato-grossense. Já a ala comandada por Mauro Mendes avalia que a manutenção da aliança com o Republicanos aumenta as chances de continuidade do atual grupo no comando do Estado.

Embora Jayme Campos e Mauro Mendes tenham participado de reuniões para discutir o calendário eleitoral e o futuro da legenda, o consenso ainda não foi alcançado. A divergência sobre qual caminho o União Brasil deverá seguir permanece aberta e promete dominar os debates da convenção estadual.

Outro fator que amplia a tensão envolve a composição da federação União Progressista. Caso a convenção estadual aprove uma candidatura própria de Jayme e o Progressistas mantenha posição favorável ao projeto de Pivetta, a decisão poderá ser levada à Executiva Nacional da federação, responsável por arbitrar eventuais divergências entre os partidos nos estados.

Aliados de Jayme demonstram confiança no resultado da votação e afirmam que a maioria dos convencionais estaria inclinada a apoiar a candidatura própria do senador. Já integrantes da corrente ligada a Mauro Mendes intensificam as articulações para consolidar apoio à permanência da aliança governista até a realização da convenção.

Com a divulgação da carta aberta, apenas 48 horas depois da reunião reservada com Pivetta, Jayme Campos muda o ambiente político e transforma a convenção do União Brasil em um verdadeiro teste de força dentro da legenda. O documento reforça um discurso de independência partidária, de valorização da democracia interna e de defesa do protagonismo do União Brasil na disputa pelo Governo de Mato Grosso.

A pouco mais de duas semanas da convenção, o partido chega ao momento mais decisivo de sua história recente. O resultado da votação poderá não apenas definir o futuro político de Jayme Campos, Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, mas também redesenhar todo o cenário das eleições de 2026 em Mato Grosso, influenciando alianças, candidaturas ao Senado, composição das chapas proporcionais e o equilíbrio de forças entre os principais grupos políticos do Estado.