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“O Parque Tecnológico nasce para resolver os gargalos de Mato Grosso”, destaca secretario de estado Dimorvan ao detalhar nova fase do complexo após 10 anos de espera

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“O Parque Tecnológico nasce para resolver os gargalos de Mato Grosso”, destaca secretario de estado Dimorvan ao detalhar nova fase do complexo após 10 anos de espera

JB News

Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto

Depois de uma década entre planejamento, obras, estruturação e definição do modelo de gestão, o Parque Tecnológico de Mato Grosso finalmente entrou em operação em Várzea Grande com a missão de transformar conhecimento científico em soluções para os principais desafios do Estado. A inauguração do Centro de Inovação, realizada nesta quinta-feira, marca apenas o início de um projeto muito maior, concebido para aproximar universidades, empresas, startups, pesquisadores e investidores em um único ambiente de inovação. Durante a cerimônia, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dimorvan Alencar, afirmou que o objetivo do parque é fazer com que Mato Grosso deixe de ser apenas consumidor de tecnologia e passe a produzir soluções capazes de atender às necessidades do próprio Estado e de outros mercados.

“O Parque Tecnológico nasce para resolver os problemas de Mato Grosso”, resumiu o secretário ao explicar a missão do empreendimento, cuja implantação levou aproximadamente dez anos até ser entregue à população.

O Centro de Inovação recebeu investimentos próximos de R$ 25 milhões e conta com uma moderna infraestrutura de 3.920,31 metros quadrados de área construída, distribuídos em três pavimentos. O prédio é apenas uma das estruturas que integram o Parque Tecnológico, instalado em uma área de aproximadamente 17 hectares, planejada para receber empresas de base tecnológica, centros de pesquisa, laboratórios, incubadoras, aceleradoras de startups e instituições voltadas ao desenvolvimento científico.

Segundo Dimorvan, o parque foi criado para articular todo o ecossistema de inovação de Mato Grosso, reunindo universidades, empresas privadas, startups, pesquisadores, instituições financiadoras e órgãos públicos em um ambiente permanente de colaboração. A intenção é evitar que pesquisas sejam desenvolvidas de forma isolada, aproximando quem produz conhecimento daqueles que enfrentam problemas reais nos setores produtivos e na administração pública.

“O que nós queremos é integrar esse ecossistema para que ele trabalhe de forma articulada e colaborativa. A partir dessa estrutura vamos criar novos produtos, desenvolver tecnologias, registrar patentes e encontrar soluções para os problemas do Estado”, afirmou.

Na avaliação do secretário, Mato Grosso possui inteligência, pesquisadores e empreendedores preparados para desenvolver tecnologias voltadas à segurança alimentar, ao agronegócio, à produção de alimentos, ao biodiesel, à mineração, ao meio ambiente e aos diversos segmentos responsáveis por movimentar a economia estadual. O desafio, segundo ele, sempre foi criar um ambiente capaz de conectar essas pessoas e transformar boas ideias em inovação aplicada.

Entre os projetos que já começam a ser desenvolvidos dentro do Parque Tecnológico está uma tecnologia destinada a eliminar o uso do mercúrio na extração do ouro, reduzindo significativamente os impactos ambientais provocados pela atividade mineral. Outra iniciativa considerada estratégica é a instalação de um supercomputador que será implantado por meio de uma parceria com a Lenovo. O equipamento permitirá que Mato Grosso passe a processar grandes volumes de dados, ampliando a capacidade de desenvolvimento de pesquisas em inteligência artificial, agricultura de precisão, modelagem climática e análise de informações complexas.

“O Estado ainda não possui essa capacidade de processamento. O supercomputador vai colocar Mato Grosso em outro patamar tecnológico”, destacou o secretário.

Os benefícios da nova estrutura deverão chegar diretamente ao setor produtivo. Um dos projetos apresentados permitirá estudos mais precisos sobre microclimas, oferecendo aos pequenos produtores rurais informações que aumentarão a eficiência no planejamento das lavouras, na escolha das épocas de plantio e na aplicação correta de defensivos e fertilizantes. A tecnologia também poderá auxiliar o Corpo de Bombeiros na identificação antecipada das áreas com maior risco de incêndios florestais, permitindo ações preventivas antes que o fogo provoque prejuízos ambientais e econômicos.

Além da Lenovo, o Parque Tecnológico já consolida parcerias com instituições de referência nacional. Entre elas está o Hospital Israelita Albert Einstein, voltado ao desenvolvimento de projetos na área da saúde e inovação, além da chegada da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Somente essa parceria reúne 16 empresas de quatro estados brasileiros e de três regiões do país, ampliando o intercâmbio tecnológico e fortalecendo a capacidade de pesquisa instalada em Mato Grosso.

Dimorvan ressaltou que o Parque Tecnológico também será responsável por integrar praticamente toda a produção científica desenvolvida no Estado. Estão inseridos nesse ecossistema a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), universidades particulares, a Fundação Mato Grosso, entidades do Sistema S e instituições ligadas ao setor produtivo.

Segundo ele, a proposta é impedir que diferentes instituições desenvolvam pesquisas semelhantes sem integração entre si. Ao reunir todos em um mesmo ambiente, o Estado espera reduzir custos, compartilhar conhecimento e acelerar a criação de soluções voltadas às áreas de saúde, agricultura, meio ambiente, inteligência artificial, tecnologia da informação e transformação digital.

Outro diferencial do projeto será o modelo de gestão. O Governo de Mato Grosso contratou a Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos, instituição reconhecida nacionalmente pela administração de um dos principais parques tecnológicos do Brasil, com cerca de 20 anos de experiência na gestão de ambientes de inovação. Caberá à entidade estruturar a governança do complexo mato-grossense, atrair empresas de tecnologia, estimular a instalação de novos empreendimentos e consolidar o parque como um polo permanente de inovação.

A expectativa é que os 17 hectares disponíveis sejam ocupados gradativamente por empresas nacionais e internacionais de base tecnológica, laboratórios de pesquisa, centros de desenvolvimento, aceleradoras e incubadoras, formando um ambiente semelhante aos principais parques tecnológicos do país. A presença dessas empresas deverá ampliar a geração de empregos qualificados, estimular o empreendedorismo tecnológico e fortalecer a produção de conhecimento aplicada às necessidades de Mato Grosso.

Para o secretário, o Parque Tecnológico representa muito mais do que um novo prédio público. Depois de dez anos de espera, o empreendimento passa a funcionar como um elo entre ciência, setor produtivo e poder público, criando condições para que o Estado desenvolva tecnologias próprias, registre patentes, atraia investimentos, gere novas empresas e encontre soluções para problemas históricos que afetam desde o agronegócio até a saúde pública.

Com a inauguração do Centro de Inovação, o Governo de Mato Grosso inicia oficialmente uma nova fase do Parque Tecnológico, cuja proposta é transformar Várzea Grande em um polo de desenvolvimento científico e tecnológico capaz de irradiar inovação para todas as regiões do Estado e consolidar Mato Grosso como uma referência nacional na produção de tecnologia aplicada ao desenvolvimento econômico.

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