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Max Russi garante reação da ALMT para assegurar terminal ferroviário na Baixada Cuiabana após rumores de falta de caixa “Não vamos aceitar“

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Max Russi garante reação da ALMT para assegurar terminal ferroviário na Baixada Cuiabana após rumores de falta de caixa  “Não vamos aceitar“

JB News

Por Nayara Cristina

A inauguração da primeira etapa operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, realizada no último sábado (20), em Dom Aquino, reacendeu o debate sobre a expansão dos trilhos até Cuiabá e o futuro da logística de Mato Grosso. Em meio às especulações sobre uma possível revisão do projeto em razão do aumento dos custos da obra, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), afirmou que o Parlamento estadual não aceitará qualquer mudança que retire a Baixada Cuiabana do traçado originalmente previsto.

A cerimônia marcou a entrada em operação dos primeiros 163 quilômetros de ferrovia, ligando Rondonópolis ao terminal multimodal de Dom Aquino. O trecho recebeu investimentos da ordem de R$ 5 bilhões e contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, representando o presidente em exercício Geraldo Alkimin (PSB), do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), ministros de Estado, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, empresários, representantes do setor produtivo e diretores da Rumo Logística.

A entrega da primeira fase representa apenas o início de um dos maiores projetos de infraestrutura da história de Mato Grosso. A ferrovia terá aproximadamente 743 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios, além de um ramal estratégico destinado à Baixada Cuiabana. O investimento previsto para a conclusão de todo o empreendimento é estimado em R$ 15 bilhões, integralmente financiado pela iniciativa privada por meio da concessionária Rumo Logística.

Apesar do avanço da obra, o futuro das próximas etapas passou a gerar preocupação após declarações do governador Otaviano Pivetta sobre o impacto da alta dos juros na execução do empreendimento. Segundo o governador, quando a concessão foi estruturada, a empresa captava recursos no mercado financeiro a taxas próximas de 4% ao ano. Atualmente, esse custo gira em torno de 15% ao ano, aumentando significativamente as despesas financeiras da concessionária e tornando mais complexa a viabilização das fases seguintes da ferrovia.

Esse cenário alimentou especulações nos bastidores políticos e do setor de infraestrutura de que o ramal até Cuiabá poderia sofrer atrasos ou até mesmo ser revisto para reduzir custos. Embora não exista qualquer decisão oficial alterando o contrato, a possibilidade passou a preocupar lideranças políticas, especialmente porque a chegada da ferrovia à capital foi um dos compromissos apresentados quando a Assembleia Legislativa aprovou as alterações legais que autorizaram a implantação da Ferrovia Estadual.

Foi justamente diante desse contexto que Max Russi endureceu o discurso. Durante entrevista concedida nesta semana, o presidente da ALMT afirmou que a chegada dos trilhos à Baixada Cuiabana integra o compromisso firmado entre o Estado, a concessionária e o Parlamento, razão pela qual qualquer tentativa de modificar esse planejamento encontrará resistência institucional.

“Nós não vamos aceitar isso. Se porventura vier algo nessa direção, a Assembleia vai agir de todas as formas possíveis”, afirmou.

Segundo Russi, a conclusão do trecho até Dom Aquino representa apenas a primeira etapa de um projeto estruturante que precisa ser executado em sua integralidade. Na avaliação do parlamentar, interromper a expansão antes da chegada a Cuiabá significaria descumprir o planejamento aprovado pelo Legislativo e comprometer uma das regiões mais importantes do Estado sob o ponto de vista econômico e logístico.

O deputado destacou que a Baixada Cuiabana concentra importante parque industrial, comércio, serviços e órgãos públicos, além de representar um dos maiores mercados consumidores de Mato Grosso. Para ele, a implantação de um terminal ferroviário na capital permitirá reduzir custos de transporte, ampliar a competitividade das empresas, atrair novos investimentos, estimular a industrialização e fortalecer a integração logística entre o centro-sul e o médio-norte mato-grossense.

Na avaliação de Russi, a ferrovia possui papel estratégico para garantir o desenvolvimento sustentável do Estado nas próximas décadas, reduzindo a dependência do transporte rodoviário, aumentando a eficiência do escoamento da produção agrícola e industrial e impulsionando a geração de emprego e renda.

Apesar das dificuldades financeiras provocadas pelo atual cenário econômico, o presidente da Assembleia afirmou acreditar que o planejamento original será mantido e que Cuiabá continuará contemplada pelo projeto.

“Eu acredito que chegará a Cuiabá. E nós vamos estar daqui uns anos comemorando o terminal na nossa capital”, declarou.

Ao encerrar, Max Russi garantiu que a Assembleia Legislativa acompanhará todas as etapas da execução da Ferrovia Estadual e fiscalizará rigorosamente o cumprimento do contrato firmado entre o Governo de Mato Grosso e a concessionária. Segundo ele, o Parlamento utilizará todos os instrumentos legais e institucionais para assegurar que a obra seja concluída conforme o projeto aprovado, garantindo que a Baixada Cuiabana receba o terminal ferroviário previsto e participe dos benefícios econômicos de um empreendimento considerado fundamental para o futuro da infraestrutura, da logística e do desenvolvimento de Mato Grosso.