CASO ZAMPIERI

NOVO JÚRI: Juiz vê “risco latente de fuga” e mantém presos três réus por execução de advogado

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NOVO JÚRI: Juiz vê “risco latente de fuga” e mantém presos três réus por execução de advogado

JB News

Por Emerson Teixeira

Magistrado destacou a gravidade concreta e o modo como o crime teria sido planejado; novo júri popular está marcado para 29 de setembro, em Cuiabá

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter as prisões preventivas dos três primeiros réus que serão julgados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá. Para o juiz José Mauro Nagib Jorge, responsável pela condução do processo, permanece “latente” o risco de fuga dos acusados, diante da gravidade concreta do crime e do modo de execução descrito nas investigações.

Continuam presos o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Antônio Gomes da Silva. A manutenção das medidas cautelares foi determinada após a reavaliação periódica das prisões preventivas e publicada nesta quarta-feira (19).

Na decisão, o magistrado afirmou que não surgiram fatos novos capazes de justificar a soltura dos réus. Segundo ele, permanecem presentes os fundamentos que levaram à decretação das prisões, especialmente a necessidade de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.

“O risco de fuga é latente, associado à gravidade concreta e ao modus operandi empregado”, registrou José Mauro Nagib Jorge ao rejeitar a possibilidade de revogação das prisões.

Os três réus respondem por homicídio triplamente qualificado. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio Gomes da Silva é apontado como o executor que efetuou os disparos contra Zampieri. Ele teria monitorado a rotina da vítima e aguardado o momento em que o advogado deixava o escritório para realizar o ataque.

Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que também possui ligação com o Exército e atuava como instrutor de tiro, é acusado de intermediar a contratação do executor e fornecer a arma utilizada no assassinato. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como responsável pelo financiamento e pela articulação da empreitada criminosa, mediante promessa de recompensa.

Roberto Zampieri foi morto no dia 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde. O advogado havia entrado em uma caminhonete Fiat Toro quando foi surpreendido pelo atirador e atingido por pelo menos dez disparos.

Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação do executor. De acordo com a investigação, o criminoso permaneceu nas proximidades do escritório por aproximadamente uma hora e utilizou uma caixa para esconder a arma e tentar reduzir o barulho dos tiros.

As apurações apontam que o assassinato teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. O Ministério Público sustenta que houve divisão de tarefas, planejamento prévio e contratação de um grupo para executar o advogado.

O júri popular de Antônio, Hedilerson e Caçadini começou no dia 28 de julho, quando seis testemunhas indicadas pela acusação e pelas defesas foram ouvidas. A sessão, entretanto, precisou ser interrompida no dia seguinte depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde.

O integrante do Conselho de Sentença recebeu atendimento médico e teve indicação para realizar exames com urgência. Diante da possibilidade de um quadro viral e para preservar a saúde das pessoas presentes no plenário, o juiz determinou a dissolução do Conselho de Sentença.

Com a medida, um novo grupo de jurados precisará ser formado e os principais atos realizados em plenário deverão ser repetidos. Os depoimentos e demais provas já produzidos, no entanto, permanecem anexados ao processo e poderão ser utilizados pelas partes durante o novo julgamento.

O júri foi remarcado para o dia 29 de setembro de 2026, às 9h, no Plenário do Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal do Fórum de Cuiabá. A acusação continuará sendo conduzida pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do MPMT.

Os três acusados formam o primeiro grupo levado ao Tribunal do Júri pela morte de Zampieri. Outra ação penal relacionada ao assassinato continua em tramitação e reúne pessoas apontadas como possíveis mandantes e integrantes do grupo que teria sido contratado para executar o crime. Até que haja decisão definitiva, todos devem ser tratados como inocentes, conforme assegura a Constituição.