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Por Nayara Cristina
Presidente da Assembleia Legislativa defende expansão de projeto habitacional com 54 casas, implantado em Jaciara, e propõe recursos estaduais para que municípios ofereçam atendimento especializado às crianças.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), reafirmou nesta terça-feira (13) que pretende concentrar parte de sua atuação no próximo mandato em duas importantes demandas sociais: a construção de condomínios habitacionais exclusivos para idosos em diferentes municípios de Mato Grosso e a criação de uma política estadual para garantir atendimento especializado a crianças neurodivergentes.
As propostas foram apresentadas durante entrevista ao programa Bom Dia MT, da TV Centro América, e fazem parte dos compromissos assumidos pelo parlamentar durante a campanha eleitoral de 2026. Reeleito deputado estadual, Max pretende transformar as iniciativas em políticas públicas capazes de alcançar principalmente famílias em situação de vulnerabilidade e municípios que enfrentam dificuldades para oferecer serviços especializados.
Na área habitacional, a principal referência é a Vila Aconchego, empreendimento inaugurado em 3 de julho de 2026, no município de Jaciara, a aproximadamente 147 quilômetros de Cuiabá. O condomínio possui 54 casas mobiliadas destinadas exclusivamente à população idosa e foi concebido para oferecer não apenas moradia, mas também segurança, convivência social, autonomia e acompanhamento de saúde.
O empreendimento, idealizado por Max ainda durante sua passagem pela Prefeitura de Jaciara, foi viabilizado por meio de uma parceria entre o Governo de Mato Grosso, que destinou R$ 12 milhões à obra, e a administração municipal, comandada pela prefeita Andréia Wagner (Podemos), com articulação da Assembleia Legislativa.
A estrutura conta com áreas de convivência, academia, salão de festas, espaços de lazer e instalações destinadas ao acompanhamento de saúde dos moradores. As residências são adaptadas às necessidades da terceira idade e entregues mobiliadas, permitindo que os beneficiários tenham melhores condições de autonomia.
Diferentemente de uma instituição de longa permanência, o condomínio foi estruturado para permitir que os idosos mantenham sua independência, com suporte de profissionais e atividades que estimulem a integração comunitária. Quando uma unidade deixa de ser ocupada, ela pode ser destinada a outro beneficiário, garantindo a continuidade da finalidade social do empreendimento.
Para Max Russi, o envelhecimento da população brasileira exige uma mudança na forma como o poder público desenvolve suas políticas sociais. Segundo ele, aumentar a expectativa de vida não é suficiente quando as pessoas chegam à terceira idade sem condições adequadas de moradia, segurança e acompanhamento de saúde.
“A expectativa de vida está aumentando, isso é muito bacana, mas não adianta aumentar sem qualidade de vida”, afirmou o parlamentar.
O deputado também revelou que a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), já manifestou interesse em implantar um condomínio semelhante no município. A possibilidade abre caminho para que a experiência desenvolvida em Jaciara seja reproduzida na região metropolitana de Cuiabá.
A intenção é que outras prefeituras também possam aderir ao modelo, mediante articulação com o Governo do Estado e construção de parcerias que permitam viabilizar os empreendimentos. Até o momento, entretanto, não foram apresentados novos valores de investimento, cronograma de obras ou relação definitiva dos municípios que poderão receber unidades habitacionais.
Outra frente considerada prioritária por Max Russi é a ampliação do atendimento a crianças neurodivergentes, especialmente aquelas que necessitam de acompanhamento especializado e enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos de saúde e desenvolvimento infantil.
O parlamentar defende a criação de uma política estadual de cofinanciamento, por meio da qual o Governo de Mato Grosso possa destinar recursos às prefeituras para estruturar espaços de atendimento multidisciplinar.
A proposta prevê que os municípios disponham de ambientes adequados, incluindo salas sensoriais e profissionais especializados capazes de realizar avaliações, encaminhamentos, diagnósticos e acompanhamento contínuo das crianças.
“Você tem que ter um mínimo: salas sensoriais e profissionais para atender, fazer os laudos e dar acompanhamento”, defendeu Max.
A preocupação do deputado está relacionada principalmente à dificuldade enfrentada pelas famílias que precisam buscar atendimento fora de seus municípios. Em diversas regiões do interior, a oferta de psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais especializados é limitada, o que pode comprometer a continuidade dos acompanhamentos e aumentar os custos para os responsáveis.
Em setembro, durante encontro com psicólogos, assistentes sociais e servidores, Max já havia defendido o fortalecimento da rede de atendimento e a participação financeira do Governo do Estado na estruturação desses serviços.
Na ocasião, o parlamentar destacou que a dificuldade de acesso aos profissionais especializados, já observada em Cuiabá, tende a ser ainda maior em municípios menores, onde a disponibilidade de equipes multidisciplinares é reduzida.
Com a proposta de cofinanciamento, a expectativa é estabelecer uma responsabilidade compartilhada entre Estado e municípios, permitindo ampliar a oferta de serviços e reduzir a necessidade de deslocamento das famílias para centros maiores.
A iniciativa, no entanto, ainda depende de regulamentação, definição dos critérios de financiamento e identificação das fontes orçamentárias que poderão sustentar a política pública.
Ao colocar a moradia para idosos e o atendimento às crianças neurodivergentes entre suas prioridades, Max Russi sinaliza que pretende ampliar a presença do Legislativo na construção de programas sociais, utilizando a experiência de Jaciara como referência para novas iniciativas.
O desafio agora será transformar os compromissos apresentados durante a campanha eleitoral em medidas concretas, com recursos disponíveis, participação das prefeituras e capacidade de atendimento às famílias de diferentes regiões de Mato Grosso.