CONVERGÊNCIA A DIREITA

Teti diz que Blairo quer ministério e que agro dará “tiro no pé” com apoio a Flávio: “Vai lamber as botas de Trump”

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Teti diz que Blairo quer ministério e que agro dará “tiro no pé” com apoio a Flávio: “Vai lamber as botas de Trump”

Petista critica mudança de posição do ex-governador, alerta para risco de retaliação comercial da China e afirma que alinhamento com os Estados Unidos poderá prejudicar produtores rurais de Mato Grosso.

A declaração de apoio do ex-governador e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) provocou uma dura reação do petista Carlos Ernesto Augustin, conhecido como Teti, que afirmou, na manhã desta terça-feira (13), que parte do agronegócio brasileiro está dando um verdadeiro “tiro no pé” ao apostar no retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Carlos Ernesto é empresário, produtor rural e figura política de Mato Grosso, considerado é um dos maiores produtores e vendedores de sementes de soja do país e uma referência no agronegócio.

Em declarações contundentes, Teti questionou a decisão política de Blairo, criticou a aproximação do bolsonarismo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e advertiu que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderá colocar em risco as relações comerciais brasileiras com a China, um dos principais destinos das exportações agrícolas de Mato Grosso.

“O Flávio é um problema para a agricultura, porque o Flávio vai lamber as botas do Trump. Isso desagrada a China. Os Estados Unidos não são nossos aliados na agricultura. Os Estados Unidos são nossos concorrentes na agricultura”, disparou.

As críticas surgem três dias depois de Blairo Maggi anunciar, em vídeo divulgado no sábado (10), que votará em Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A manifestação representa uma mudança em relação à eleição de 2022, quando o ex-governador declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para Teti, a decisão de Blairo é especialmente preocupante porque parte de um empresário que conhece profundamente o funcionamento dos mercados internacionais e os riscos que disputas diplomáticas podem representar para o agronegócio.

O petista lembrou que o ex-governador demonstrou, em diferentes oportunidades, preocupação com as relações comerciais entre o Brasil e seus compradores estrangeiros. Por isso, afirmou considerar contraditória a aproximação com um projeto político que, em sua avaliação, poderá reproduzir os conflitos diplomáticos registrados durante o governo de Jair Bolsonaro.

Tetê também recordou a atuação da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, responsável pela pasta durante parte do governo Bolsonaro. Segundo ele, a então ministra precisava atuar diplomaticamente para contornar declarações do presidente que provocavam desgaste nas relações com autoridades chinesas.

“O Bolsonaro ia lá e chamava a China, falava de vacina, e aí a Tereza tinha que ir lá limpar as bobagens que ele fazia, porque ele insuflava uma reação com a China que alguém tinha que remediar para voltar à normalidade”, afirmou, ao recordar os episódios.

Na avaliação do petista, uma eventual repetição desses conflitos diplomáticos seria particularmente prejudicial neste momento, em que parte dos produtores rurais enfrenta dificuldades financeiras, endividamento e desafios de comercialização.

“Se isso voltar a acontecer, no momento em que a agricultura do Brasil tem problemas para colocar seus produtos no exterior, e se a China começar a nos boicotar, é um terror. Realmente é um perigo”, alertou.

Teti também destacou que as relações internacionais não podem ser tratadas apenas como uma disputa ideológica entre esquerda e direita. Para ele, a dependência brasileira de grandes compradores estrangeiros exige uma política externa pragmática, capaz de preservar contratos, mercados consumidores e a estabilidade das exportações.

O argumento ganha relevância em Mato Grosso, onde a produção de soja, milho, algodão e proteína animal sustenta parte expressiva da atividade econômica. Uma eventual restrição comercial chinesa poderia atingir produtores, frigoríficos, transportadoras e empresas ligadas à cadeia do agronegócio, embora não haja confirmação de que a China pretenda adotar medidas dessa natureza em razão da eleição brasileira.

Outro ponto abordado por Tetê foi o endividamento crescente no campo. Ele afirmou que a agricultura brasileira enfrenta uma situação preocupante e que o próximo governo precisará apresentar alternativas para atender produtores em dificuldades.

Na avaliação do petista, Lula teria maior disposição para negociar medidas de apoio ao setor do que um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

“Quem vai ter mais sensibilidade para com isso? Um governo extremamente rude, capitalista, ou um governo Lula?”, questionou.

Tetê afirmou que acompanhou discussões sobre agricultura durante os governos Lula e Dilma Rousseff e defendeu que os dois tiveram maior sensibilidade diante das reivindicações dos produtores rurais.

“Um governo de Bolsonaro, um governo de capitalismo selvagem, não vai acudir a agricultura. Vai largar ela”, criticou.

As declarações refletem a avaliação política do petista, e não uma proposta econômica oficialmente anunciada por Flávio Bolsonaro.

O petista também levantou suspeitas sobre os interesses políticos que estariam por trás da decisão de Blairo Maggi de declarar apoio a Flávio Bolsonaro.

Segundo Teti, a mudança de posição do ex-governador poderia estar relacionada à possibilidade de participação de Mato Grosso em um eventual governo federal comandado pelo PL.

“O Blairo ficava, vamos dizer assim, em cima do muro. E agora ele entendeu que esse lado vai ganhar e eu vou para esse lado para fazer o ministro”, afirmou.

Teti sugeriu que Blairo teria interesse em indicar o senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) para um ministério, mencionando as pastas da Agricultura e de Minas e Energia.

O nome de Mauro Mendes aparece entre os possíveis integrantes de um eventual governo Flávio Bolsonaro, especialmente para o Ministério da Agricultura. Entretanto, não há confirmação de convite, indicação formal de Blairo Maggi ou negociação concluída.

Durante as declarações, Teti também mencionou investigações e questionamentos envolvendo Mauro Mendes, incluindo o acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, objeto da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto de 2026.

Mauro foi um dos alvos das diligências da operação e já classificou a investigação como uma tentativa de seus adversários de prejudicá-lo politicamente. A existência de investigação não comprova participação em irregularidades nem implica cassação de mandato.

Teti especulou que eventuais problemas judiciais poderiam influenciar uma possível composição política envolvendo Mauro, mas não apresentou, nas declarações, documentos que comprovassem a articulação atribuída a Blairo ou uma decisão judicial que colocasse o mandato do senador eleito sob risco imediato.

Ao longo da entrevista, Tetê reiterou que o apoio histórico de parcela significativa do agronegócio à direita não representa novidade. O que o surpreendeu, segundo ele, foi a manifestação pública de Blairo Maggi, justamente pela experiência internacional do ex-governador.

O petista afirmou que acompanhou missões internacionais e que, na sua avaliação, a imagem de Lula junto a governos estrangeiros favorece a abertura de mercados para produtos brasileiros.

“Eu vi que o grande fenômeno das aberturas de mercado do Brasil foi o fato do presidente Lula ser presidente da República. Os países da Ásia, os países da Europa enxergam de maneira diferente o Lula e o Bolsonaro”, declarou.

Questionado diretamente se os grandes empresários do setor estariam comprando um “presente de grego” ao apoiar Flávio Bolsonaro, Teti respondeu de maneira categórica.

“Dizer que é um tiro no pé para a agricultura, eu tenho certeza disso.”

A manifestação intensifica o debate político em Mato Grosso, onde lideranças do agronegócio têm papel relevante nas articulações eleitorais e nas discussões sobre política econômica nacional.

O segundo turno, que será realizado em 25 de outubro, colocará frente a frente Lula e Flávio Bolsonaro. Em um estado cuja economia depende fortemente das exportações agrícolas, a relação do próximo presidente com a China, os Estados Unidos e outros parceiros comerciais deverá continuar no centro das discussões.

As críticas de Teti, no entanto, permanecem como avaliações e projeções políticas. Não há demonstração de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro necessariamente provoque boicote chinês ou prejuízos comerciais ao setor.

As declarações sobre as supostas motivações pessoais de Blairo Maggi também não foram comprovadas. O espaço permanece aberto para manifestações de Blairo Maggi, Mauro Mendes e Flávio Bolsonaro.

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