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Da redação
Presidente da Assembleia aposta na força do Podemos para ampliar bancada, evita projeções pessoais exageradas e sinaliza campanha de corpo a corpo para superar os 70 mil votos da eleição passada
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), entrou definitivamente no clima da campanha eleitoral com um discurso que mistura confiança partidária e cautela quando o assunto é a própria votação. Ao falar sobre a disputa deste ano, Max projetou uma bancada de seis deputados para o Podemos, defendeu como natural a atuação dos aliados em favor de seus candidatos e evitou embarcar na expectativa de alcançar a marca de 100 mil votos.
A fala revela parte da estratégia que o presidente da Assembleia pretende levar para as ruas. Apesar da estrutura política construída nos últimos anos, do comando do Legislativo estadual e da presença crescente em diferentes regiões de Mato Grosso, Max demonstra que não pretende tratar a eleição como uma disputa já resolvida. Para ele, voto continua sendo resultado de convencimento, contato direto e confiança conquistada junto ao eleitor.
“O tal do voto é muito difícil”, resumiu.
A avaliação surgiu após Max ser questionado sobre a possibilidade de ultrapassar os 100 mil votos nesta eleição. Em vez de alimentar a projeção, o parlamentar lembrou o tamanho da dificuldade de uma votação desse porte e adotou um discurso bastante mais cauteloso.
“Por que o Max vai passar agora? A maior votação da história do Mato Grosso foi 93 mil votos, que é muito voto”, afirmou.
Na última eleição, Max recebeu cerca de 70 mil votos. Para este ano, evita colocar uma meta pública muito acima disso. Sua referência inicial é superar o próprio desempenho.
“Eu quero fazer um a mais que na última eleição. Se eu fizer 71 mil, 72 mil, 80 mil, eu estarei bastante satisfeito”, declarou.
A fala mostra que, mesmo ocupando hoje uma posição política maior do que na eleição anterior, Max sabe que exposição institucional não significa automaticamente crescimento nas urnas. O próprio parlamentar reconheceu que uma votação inferior à registrada anteriormente seria um resultado ruim.
“Se fizer menos, eu acho que é ruim, porque eu não vou ter nem o que eu tive na eleição passada”, disse.
É nesse ponto que aparece uma das principais leituras de bastidor da fala de Max. O presidente da Assembleia parece consciente de que sua campanha precisará transformar articulação política em voto real. Isso significa presença nos municípios, fortalecimento de alianças regionais, apoio de lideranças locais e principalmente contato direto com o eleitor.
“O voto é você entrar no coração da pessoa, a pessoa acreditar em você, ver que você é um bom candidato, você é um bom representante, você vai cuidar bem do Estado dela, cuidar bem do país dela, do município”, afirmou.
Ao dizer que conquistar voto é “entrar no coração da pessoa”, Max praticamente resume o modelo de campanha que pretende fazer: menos dependente apenas de grandes atos e mais focado na construção pessoal do voto.
Se demonstra cautela com o próprio resultado, o deputado muda completamente o tom quando fala do Podemos. Questionado sobre a possibilidade de o partido formar a maior bancada da Assembleia Legislativa, Max não hesitou.
“Vamos fazer. Vamos fazer com certeza”, respondeu.
A meta colocada pelo presidente da Casa é eleger seis deputados estaduais. Caso a projeção se confirme, o Podemos passaria a ocupar seis das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, o equivalente a 25% do Parlamento estadual.
Seria uma bancada com peso significativo nas decisões políticas da próxima legislatura e colocaria o partido em posição privilegiada nas articulações internas da Casa.
Max afirma que sua confiança vem da composição da chapa proporcional e, principalmente, da distribuição territorial dos candidatos.
“O que me dá essa certeza? Conhecendo nossos candidatos, a distribuição dos nossos candidatos no estado de Mato Grosso como um todo e também o início da campanha, a forma que eles estão trabalhando aí nos municípios”, explicou.
A estratégia revela uma aposta clara na capilaridade. O Podemos tenta distribuir candidaturas competitivas por diferentes regiões de Mato Grosso e evitar que sua votação fique concentrada apenas na Capital ou nos grandes centros.
Nesse desenho, Max entra não somente como candidato à reeleição, mas também como um dos principais responsáveis por ajudar a impulsionar toda a chapa. O resultado do Podemos, portanto, também será uma espécie de medidor da capacidade política do presidente da Assembleia de transformar sua rede de aliados em votos para outros candidatos.
Outro ponto abordado por Max foi justamente a participação dos aliados na disputa eleitoral. Questionado sobre integrantes do grupo que vêm defendendo seus respectivos candidatos e entrando nos embates da campanha, Max tratou esse movimento como natural.
“Nós estamos numa campanha eleitoral agora, todo mundo tem os seus candidatos. E como candidato você vai apresentar o que você apoia, quem você espera que ganhe a eleição. É natural”, afirmou.
O presidente da Assembleia evitou aprofundar confrontos específicos e demonstrou cautela ao lembrar que falava dentro de um espaço público, onde manifestações eleitorais precisam observar determinados limites. Mesmo assim, deixou claro que o Podemos não ficará distante do processo eleitoral.
“O Podemos está dentro de uma coligação e vai trabalhar por essa coligação”, declarou.
A fala indica que a legenda pretende participar ativamente da campanha, tanto na disputa proporcional quanto no fortalecimento do projeto majoritário do grupo do qual faz parte. Max, no entanto, parece disposto a evitar que sua campanha seja conduzida apenas pelos embates entre adversários.
A prioridade demonstrada na entrevista está na organização partidária, na ampliação da bancada e na própria caminhada eleitoral.
Essa nova fase deverá ficar mais evidente no próximo dia 9, quando Max lança oficialmente sua campanha em um ato previsto para a Musiva, em Cuiabá. O evento deverá representar a largada pública de sua candidatura e também servir como uma primeira demonstração da estrutura política reunida em torno de seu nome.
Nos bastidores, mais do que o número de pessoas presentes, o lançamento deverá ser observado pela quantidade e pelo peso das lideranças que Max conseguirá reunir, sobretudo representantes do interior, candidatos proporcionais, prefeitos, vereadores e aliados regionais.
A expectativa em torno do ato está diretamente relacionada ao crescimento político do parlamentar nos últimos anos. Presidente da Assembleia e uma das principais lideranças do Podemos no Estado, Max chega à campanha com uma posição diferente daquela ocupada nas eleições anteriores.
Esse crescimento, porém, aumenta também a cobrança. Se antes sua votação era medida essencialmente pelo desempenho individual, agora o resultado eleitoral poderá ser analisado em duas frentes: quantos votos Max conseguirá obter e quantos deputados o grupo comandado por ele conseguirá colocar dentro da Assembleia.
Ele próprio já estabeleceu as referências.
Para o Podemos, seis cadeiras. Para sua candidatura, superar os 70 mil votos.
E, entre uma meta e outra, Max deixa claro que não pretende confiar apenas no peso do cargo ou na estrutura política construída. Na leitura do presidente da Assembleia, eleição continua sendo vencida no município, no encontro com as lideranças e, principalmente, na relação direta com quem vai apertar o botão da urna.
Porque, como ele próprio definiu, voto não é fácil. É preciso “entrar no coração da pessoa”.
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