JB News
da redação
Deputado aponta falta de psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais no interior e propõe participação maior do Estado no atendimento às famílias
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), defendeu a criação de uma estrutura estadual mais ampla para atender crianças neurodivergentes e suas famílias, principalmente nos municípios do interior, onde a disponibilidade de profissionais especializados é menor. A proposta foi abordada durante encontro com psicólogos, assistentes sociais e servidores realizado na quarta-feira (16), em Cuiabá.
Candidato à reeleição, Max afirmou que a dificuldade para conseguir acompanhamento especializado tem aparecido de forma recorrente durante agendas realizadas em diferentes regiões do Estado. Entre os profissionais apontados como necessários para ampliar a rede estão psicólogos, fonoaudiólogos e especialistas responsáveis pelo acompanhamento de crianças com diferentes condições do neurodesenvolvimento.
A intenção defendida pelo parlamentar é estruturar uma política pública estadual capaz de complementar o atendimento oferecido pelos municípios. Segundo Max, a dificuldade encontrada em Cuiabá se torna ainda maior nas cidades do interior, onde a presença desses profissionais é mais limitada.
“Precisamos avançar nessa política pública. É uma necessidade do nosso estado. Se temos dificuldades na capital, imagine no interior, onde é ainda mais difícil encontrar profissionais. Precisamos construir algo que consiga chegar aos municípios de Mato Grosso”, afirmou.
Max também declarou que vem discutindo o assunto com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, e defendeu uma participação mais direta do Governo do Estado na organização dessa rede de assistência. A chapa de Pivetta tem Gisela Simona (União) como candidata a vice-governadora.
A discussão não começou durante o encontro desta semana. Em julho, durante visita a um projeto social em Cuiabá, Max já havia defendido que políticas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares fossem incorporadas às discussões dos programas de governo para 2026.
Na reunião desta quarta-feira, o deputado voltou a colocar o tema entre as demandas que, segundo ele, precisam ser transformadas em política permanente, e não apenas atendidas de forma isolada.
Um dos pontos levantados foi o impacto da falta de assistência sobre famílias de baixa renda. Max afirmou que mães e responsáveis acabam enfrentando dificuldades para manter emprego e renda quando não conseguem acesso a diagnóstico, tratamento ou locais adequados para acompanhamento dos filhos.
“Quanto mais humilde a família, maior é a dificuldade. Muitas mães não conseguem trabalhar porque não têm onde deixar o filho, não conseguem o tratamento, o laudo ou o cuidado necessário. Nós precisamos enfrentar isso”, declarou.
O encontro ocorreu no Comitê 20000 e reuniu profissionais ligados às áreas de psicologia, assistência social e serviço público. Também participaram o secretário de Estado de Assistência Social, Klebson Gomes Haagsma; Gisela Simona; e Elson Ramos (Podemos), candidato a suplente de senador na chapa de Mauro Mendes (União).
Durante a reunião, Gisela também abordou políticas para pessoas neurodivergentes e pessoas com deficiência e afirmou que a formulação das ações públicas precisa considerar a experiência dos profissionais que atuam diretamente com esse público.
“Não tem outra fórmula mágica de fazer gestão. É ouvir, fazer uma escuta ativa das pessoas que são beneficiadas pelo serviço público”, afirmou.
A proposta apresentada por Max ainda está no campo da discussão política e não foi acompanhada, até o momento, da apresentação de um programa estadual específico, com orçamento, número de profissionais ou cronograma de implantação detalhados publicamente.