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Por Nayara Cristina
Ex-senador afirma que vai se dedicar à família, às empresas e à própria defesa; ele nega influência no acordo envolvendo a Oi e sustenta que estava fora do poder público durante a tramitação citada por ele
O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Junior, anunciou nesta terça-feira (11) sua saída do Governo do Estado. A decisão foi comunicada por meio de uma carta divulgada nas redes sociais, em meio aos desdobramentos da Operação Heritage, da Polícia Federal, investigação que colocou sob escrutínio o acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Na manifestação, Carvalho afirma que deixa uma das funções mais estratégicas do Palácio Paiaguás para se dedicar à família, às atividades empresariais e, principalmente, aos esclarecimentos relacionados aos fatos investigados. O ex-senador contesta qualquer participação ou influência sua na condução do acordo e afirma que pretende provar sua inocência.
A saída ocorre em um dos momentos mais delicados enfrentados pelo grupo político do governador Otaviano Pivetta. Os desdobramentos da Operação Heritage provocaram forte repercussão política e atingiram pessoas ligadas à administração estadual, aumentando a pressão sobre o núcleo político do Governo e repercutindo diretamente nas articulações para as eleições de 2026.
Na carta, Mauro Carvalho procura explicar tanto as razões que o fizeram retornar ao Governo quanto os motivos que agora o levam a deixar a Casa Civil. Segundo ele, sua volta ao serviço público não ocorreu por ambição pessoal ou vaidade.
Carvalho relembra que deixou a Casa Civil em julho de 2023 para assumir mandato no Senado Federal e afirma que, naquele momento, não pretendia retornar à função no Executivo estadual.
Segundo seu relato, a situação mudou em dezembro de 2025, quando recebeu um novo convite do governador Otaviano Pivetta e do ex-governador Mauro Mendes para retornar ao primeiro escalão. Carvalho afirma que inicialmente recusou a proposta e que levou algumas semanas para decidir. Posteriormente, aceitou o chamado e reassumiu a Casa Civil em abril de 2026.
O ex-senador sustenta que a decisão foi motivada por gratidão e lealdade ao grupo político do qual sempre fez parte. Ao comunicar a saída nesta terça-feira, utilizou o mesmo argumento para justificar o afastamento.
“Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, escreveu.
A renúncia ganha peso político por ocorrer enquanto avançam os desdobramentos da Operação Heritage. A investigação da Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões envolvendo o Estado de Mato Grosso e a Oi.
Mauro Carvalho aparece entre os nomes relacionados à investigação, mas rejeita qualquer participação irregular. Na carta, ele concentra sua defesa principalmente na cronologia dos acontecimentos e afirma que estava afastado de cargos públicos durante o período que aponta como sendo o da tramitação do processo envolvendo a operadora.
“Entre dezembro de 2023 e abril de 2024 — período em que tramitou o processo da Oi — eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual”, declarou.
A partir dessa cronologia, Carvalho argumenta que não possuía função ou autoridade dentro da estrutura pública que lhe permitisse interferir na decisão sobre a realização do acordo.
A alegação integra a versão apresentada pelo próprio ex-secretário e deverá ser confrontada com os elementos reunidos durante a investigação. A apuração da Polícia Federal é que deverá esclarecer o grau de participação, eventual influência ou responsabilidade das pessoas citadas no caso.
Carvalho também deixa claro que pretende utilizar o período fora do Governo para se concentrar em sua defesa. Segundo ele, além da família e dos negócios particulares, uma das prioridades será prestar os esclarecimentos necessários sobre os fatos investigados.
“Deixo o cargo para me dedicar inteiramente à minha família, às minhas empresas e esclarecer estes fatos e provar a minha inocência”, afirmou.
A saída de Mauro Carvalho amplia o impacto político provocado pela Operação Heritage dentro do Palácio Paiaguás. A investigação já vinha causando movimentações e reuniões entre integrantes da base governista e ganhou ainda mais peso diante da proximidade da disputa eleitoral de 2026.
Carvalho era um dos nomes de confiança do núcleo político que comandou o Estado nos últimos anos e ocupava posição central na articulação administrativa e política do Governo. Sua decisão de deixar a Casa Civil, portanto, representa uma baixa importante no primeiro escalão justamente no momento em que o grupo governista tenta administrar os reflexos políticos da investigação.
Na carta, porém, o agora ex-secretário procura apresentar sua decisão como um gesto para preservar o grupo e, simultaneamente, ter liberdade para cuidar de seus assuntos particulares e enfrentar os questionamentos decorrentes da operação.
Ao resumir sua passagem mais recente pela Casa Civil, Mauro Carvalho reforçou que considera a lealdade o elemento determinante tanto para ter aceitado retornar ao Governo quanto para decidir sair dele.
Com a renúncia, o Governo de Mato Grosso passa a ter que reorganizar novamente uma das principais estruturas do Palácio Paiaguás, enquanto a Operação Heritage continua produzindo consequências jurídicas e políticas no Estado.
VEJA A CARTA DE RENÚNCIA:
