parada cardiorrespiratória

Jovem de 24 anos morre durante lipoescultura e implante de silicone em Cuiabá; polícia investiga caso

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Jovem de  24 anos morre  durante lipoescultura e implante de silicone em Cuiabá; polícia investiga caso

MORTE NA CIRURGIA

JBNews

Por José Teixeira

Jovem sofreu parada cardiorrespiratória durante cirurgia no Hospital Geral; equipe tentou reanimá-la por duas horas, e médico responsável afirma que todos os protocolos pré-operatórios foram cumpridos

A jovem Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu na tarde desta sexta-feira (16 de outubro), após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a realização de procedimentos estéticos no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. A paciente, que era casada e mãe de duas crianças, realizava uma lipoescultura e a colocação de próteses mamárias quando apresentou uma complicação súbita. A equipe médica tentou reanimá-la por aproximadamente duas horas, mas ela não resistiu.

O responsável pelo procedimento foi o médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, que atua em Mato Grosso e na Bahia. A morte da paciente provocou comoção entre familiares e levantou questionamentos sobre as circunstâncias da cirurgia, que deverão ser esclarecidas por meio de investigação e avaliações técnicas.

Conforme as informações divulgadas, Lurdes havia sido submetida às avaliações pré-operatórias antes de realizar os procedimentos. Durante a intervenção cirúrgica, entretanto, apresentou uma intercorrência que evoluiu para parada cardiorrespiratória, situação em que o coração deixa de bombear sangue de maneira eficaz e a circulação sanguínea é comprometida.

Ao identificar a gravidade do quadro, a equipe interrompeu o procedimento e iniciou imediatamente as manobras de ressuscitação cardiopulmonar. Os esforços para restabelecer as funções vitais se prolongaram por cerca de duas horas, mas não tiveram sucesso. A morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.

A causa específica da parada cardiorrespiratória não foi divulgada. Também não há confirmação sobre a existência de alguma condição clínica anterior, reação relacionada à anestesia ou outra complicação que possa ter contribuído para o desfecho. Essas possibilidades dependem de avaliação médica e dos exames pertinentes, não sendo possível estabelecer, neste momento, o motivo exato da morte.

A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do óbito. Entre os aspectos que poderão ser analisados estão as condições em que os procedimentos foram realizados, os registros médicos, os exames pré-operatórios e as medidas adotadas pela equipe durante a emergência.

Após a repercussão do caso, Euller Gustavo Preza se manifestou por meio de nota divulgada por sua assessoria jurídica. O profissional lamentou a morte de Lurdes e prestou solidariedade aos familiares e amigos da paciente.

Segundo a defesa, a cirurgia ocorreu em ambiente hospitalar adequado, com profissionais habilitados e após a realização das avaliações pré-operatórias exigidas.

Os advogados afirmaram que houve uma intercorrência súbita durante o procedimento e que a equipe médica interrompeu imediatamente a cirurgia para iniciar as manobras de reanimação.

A defesa sustenta que o episódio apresenta características de uma complicação súbita já descrita na literatura médica. Ressaltou, entretanto, que a causa efetiva da morte deverá ser determinada pelos órgãos oficiais competentes.

Outro ponto abordado pela assessoria jurídica diz respeito à habilitação profissional do médico. Segundo o posicionamento divulgado, Euller possui mais de 25 anos de atuação na medicina e inscrição regular no Conselho Regional de Medicina.

A manifestação também rebate questionamentos sobre a ausência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), documento que identifica formalmente o reconhecimento de uma especialidade médica perante o conselho profissional. Os advogados argumentam que o registro de especialista não constitui requisito legal para a prática de atos médicos, inclusive cirúrgicos.

A discussão sobre a qualificação profissional, entretanto, não determina, por si só, a existência de irregularidade na cirurgia. Eventuais responsabilidades deverão ser examinadas pelas autoridades competentes, com base nos documentos, nas normas aplicáveis e nas conclusões das investigações.

A morte de Lurdes também foi seguida de um episódio de tensão nas dependências do hospital.

De acordo com informações divulgadas sobre a ocorrência, familiares da jovem teriam reagido ao receber a notícia do falecimento, e o médico responsável pela cirurgia relatou ter sido agredido com um soco no rosto.

A Polícia Militar foi acionada para atender à situação.

Em nota, a assessoria jurídica de Euller informou que o profissional registrou boletim de ocorrência relatando agressão física e ameaça de morte. Segundo os advogados, o registro teve como objetivo resguardar a integridade física do médico.

As circunstâncias da suposta agressão também poderão ser apuradas pelas autoridades policiais.

A defesa acrescentou que não divulgará informações específicas do atendimento em respeito à família e ao sigilo médico. Os advogados ainda repudiaram a divulgação indevida de imagens, dados de prontuário e informações que não correspondam aos fatos.

A morte precoce de Lurdes Maria provocou comoção, especialmente pelo fato de a jovem deixar dois filhos. Aos 24 anos, ela havia procurado a unidade hospitalar para a realização de procedimentos estéticos e acabou morrendo durante a intervenção.

O caso também chama atenção para a necessidade de avaliação criteriosa dos riscos associados às cirurgias plásticas, inclusive quando realizadas em ambiente hospitalar.

Embora procedimentos como lipoescultura e implante de próteses mamárias sejam realizados rotineiramente, nenhuma cirurgia está inteiramente livre de complicações. Eventos cardiovasculares, respiratórios, anestésicos e outras intercorrências podem ocorrer, mesmo após avaliações pré-operatórias.

No caso de Lurdes, entretanto, ainda não foi estabelecido qual mecanismo provocou a parada cardiorrespiratória.

Até a noite desta sexta-feira (16), não havia confirmação pública de laudo conclusivo sobre a causa da morte nem de eventual responsabilização profissional. As circunstâncias do procedimento deverão ser esclarecidas a partir da investigação e dos documentos médicos.

A morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha deixa uma família enlutada e duas crianças sem a mãe, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer o que aconteceu dentro da sala de cirurgia do Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá.