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Por Emerson Teixeira
A prisão preventiva de Rhavenna Almeida, cumprida durante a Operação Fariseus, ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um vídeo gravado poucas horas antes da ação policial. Nas imagens, publicadas nas redes sociais, a investigada aparece cantando um louvor e, ao final da gravação, faz uma declaração de fé ao afirmar que acredita que “na hora certa, a sua vitória vai chegar”.
A frase, divulgada pouco antes do cumprimento do mandado judicial, passou a chamar a atenção diante das graves acusações que pesam contra ela. Rhavenna é apontada pela Polícia Civil como uma das investigadas por supostamente utilizar um projeto de evangelização para facilitar a comunicação e prestar apoio ao Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do país.

Conhecida nas redes sociais por atuar como designer de sobrancelhas, Rhavenna também se apresentava como integrante do projeto Resgatando Vidas, iniciativa voltada ao trabalho religioso junto a detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE). Entretanto, conforme a investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a atuação da investigada teria extrapolado o trabalho de assistência espiritual.
De acordo com os investigadores, ela mantinha relacionamento com integrantes da facção criminosa e realizava viagens frequentes ao Rio de Janeiro, onde teria visitado comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Durante o cumprimento das medidas investigativas, policiais encontraram fotografias e vídeos que mostram Rhavenna ao lado de criminosos apontados como integrantes da organização, além de registros em que aparece próxima de homens armados. Em uma das imagens já divulgadas pelas investigações, ela surge segurando uma arma de fogo com acabamento dourado, fato que reforçou as suspeitas da polícia sobre sua proximidade com a facção.

As investigações também apontam que o projeto religioso teria sido utilizado como uma estrutura para facilitar a comunicação entre presos e integrantes da organização que estavam em liberdade. Segundo a Polícia Civil, mensagens, orientações e contatos seriam transmitidos durante visitas e ações religiosas realizadas nas unidades prisionais.
Outro ponto investigado envolve a movimentação financeira da família e viagens constantes ao Rio de Janeiro. Conforme apurado, parte desses deslocamentos teria sido custeada por integrantes da própria organização criminosa, circunstância que agora integra o conjunto de provas analisado pelos investigadores.
Além de Rhavenna, seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também foram alvos da Operação Fariseus. Contra eles foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A Polícia Civil apura se o prestígio conquistado pela família por meio das atividades religiosas foi utilizado para favorecer interesses da facção criminosa.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, responsável pelas investigações, há indícios de que a estrutura do projeto religioso teria servido para aproximar integrantes da facção, facilitar contatos entre presos e criminosos em liberdade e garantir uma rede de apoio operacional ao grupo.

A Operação Fariseus representa mais uma ofensiva das forças de segurança de Mato Grosso contra o avanço das organizações criminosas e busca desarticular uma suposta rede de apoio que, segundo a investigação, atuava sob o discurso da evangelização para beneficiar integrantes do Comando Vermelho.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura. A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar o grau de participação de cada envolvido, rastrear a origem dos recursos financeiros utilizados pelo grupo e verificar a existência de outros colaboradores que possam ter integrado o esquema. Novas fases da operação não estão descartadas.
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