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Por José Teixeira
Partido entrou na eleição disputando Governo e Senado e tentando ampliar força no Legislativo, mas termina domingo com derrotas de Carlos Fávaro, Rafaela Fávaro e Emanuelzinho; Wilson Santos salva única cadeira na Assembleia
As urnas deste domingo (4) impuseram ao PSD uma das mais duras ressacas políticas das eleições de 2026 em Mato Grosso. O partido entrou na disputa com candidatura própria ao Governo do Estado, um senador buscando a reeleição, um deputado federal tentando renovar o mandato e nomes considerados competitivos nas chapas proporcionais. Ao final da apuração, porém, o saldo ficou muito abaixo das expectativas.
O principal revés atingiu diretamente o ex-ministro da Agricultura e senador Carlos Fávaro. Candidato à reeleição para uma das duas vagas ao Senado, Fávaro terminou apenas na quarta colocação, com 411.020 votos, equivalentes a 11,50% dos votos válidos para o cargo.

As duas cadeiras ficaram com Mauro Mendes (União Brasil), que liderou a disputa com 1.187.352 votos, ou 33,21%, e José Medeiros (PL), eleito com 977.777 votos, correspondentes a 27,35%. Janaína Riva (MDB) terminou em terceiro, com 519.434 votos, ou 14,53%, deixando Fávaro fora do Senado a partir da próxima legislatura.
O resultado representa uma mudança expressiva no tamanho político de Fávaro em Mato Grosso. Depois de ocupar o Ministério da Agricultura e chegar à eleição como um dos principais nomes do PSD no Estado, o senador não conseguiu transformar a estrutura política acumulada nos últimos anos em votos suficientes para permanecer em Brasília.
A derrota ganhou um componente ainda mais simbólico dentro da própria família. Rafaela Fávaro (PSD), filha do senador, disputou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas também não conseguiu se eleger. Ela recebeu 7.385 votos e ficou distante das 24 vagas da próxima legislatura.

Assim, pai e filha deixam as eleições de 2026 derrotados nas urnas: Carlos Fávaro perde a cadeira no Senado enquanto Rafaela não consegue ingressar na Assembleia Legislativa.
A dificuldade do PSD, porém, não ficou restrita à família Fávaro.
Na disputa pela Câmara Federal, o partido também perdeu uma cadeira que já possuía. O deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), filho do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, buscava a reeleição, mas terminou fora das oito vagas destinadas a Mato Grosso.

Emanuelzinho recebeu 50.951 votos, equivalentes a 2,68% dos votos válidos para deputado federal. Dentro da própria chapa do PSD, ele ainda acabou ultrapassado por Irajá Lacerda, que alcançou 57.887 votos, ou 3,04%.
A diferença entre os dois foi de 6.936 votos.

Mesmo sendo o candidato mais votado do PSD para a Câmara Federal, Irajá também não conseguiu se eleger. Com isso, o partido termina a eleição sem nenhuma das oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, perdendo justamente o espaço ocupado por Emanuelzinho.
O quadro chama atenção porque o PSD montou uma chapa que reunia figuras conhecidas da política estadual e apostava na possibilidade de manter representação em Brasília. No entanto, nem Irajá, apesar dos quase 58 mil votos, nem Emanuelzinho conseguiram transformar a votação individual em mandato.
No Palácio Paiaguás, o desempenho também ficou distante da vitória.

A médica Natasha Slhessarenko, candidata do PSD ao Governo de Mato Grosso, terminou a eleição na terceira colocação, com 281.548 votos, correspondentes a 15,17% dos votos válidos.
Otaviano Pivetta (Republicanos) venceu no primeiro turno com 1.128.099 votos, ou 60,77%, enquanto Wellington Fagundes (PL) terminou em segundo, com 430.442 votos, equivalentes a 23,19%.
Isso significa que, de cada 100 votos válidos dados para governador em Mato Grosso, aproximadamente 15 foram destinados à candidatura do PSD.
Embora Natasha tenha construído uma votação de mais de 281 mil eleitores e consolidado seu nome numa primeira disputa majoritária estadual, o resultado não foi suficiente para colocar o PSD entre os dois principais polos eleitorais do Estado.
O balanço das urnas expõe, portanto, uma contradição para a legenda. O PSD entrou nas eleições de 2026 ocupando espaços importantes e apresentando candidatos em praticamente todos os níveis da disputa, mas saiu do domingo eleitoral com sua força institucional reduzida.
Carlos Fávaro não renovou o mandato no Senado. Rafaela Fávaro não chegou à Assembleia. Emanuelzinho perdeu a cadeira na Câmara Federal. Irajá Lacerda superou o deputado em votação dentro da chapa, mas também ficou fora de Brasília. Natasha terminou em terceiro lugar para o Governo.
A exceção veio justamente na Assembleia Legislativa.
O experiente Wilson Santos (PSD) conseguiu garantir uma das 24 cadeiras com 19.911 votos, tornando-se o único representante eleito do partido no Parlamento estadual. Sua eleição evitou que a legenda terminasse completamente fora das bancadas de Mato Grosso no Legislativo estadual e federal.
Ainda assim, a comparação entre aquilo que estava em jogo e aquilo que efetivamente saiu das urnas mostra o tamanho da ressaca.
O PSD disputou o comando do Governo, tentou preservar uma cadeira no Senado e outra na Câmara Federal, além de ampliar presença na Assembleia. Ao final, preservou apenas uma cadeira estadual.
Para Carlos Fávaro, o resultado tem um peso ainda maior. Não se trata apenas de uma derrota individual na corrida pelo Senado. O pleito também mostrou dificuldades eleitorais no entorno político mais próximo do ex-ministro: sua filha não conseguiu chegar à Assembleia e o partido perdeu sua representação na Câmara Federal.
A partir de 2027, portanto, o PSD terá de reconstruir espaço em Mato Grosso a partir de uma bancada muito menor do que aquela projetada antes das urnas.
Se a eleição de 2026 redesenhou o mapa do poder político no Estado, para o PSD ela deixou uma mensagem particularmente dura: o partido entrou no domingo mirando o Palácio Paiaguás, o Senado, a Câmara Federal e a Assembleia; saiu das urnas segurando apenas uma cadeira no Legislativo estadual.