DERROTADOS NAS URNAS

Botelho, Elizeu Nascimento, Júlio Campos e mais dois deputados perdem cadeira na Assembleia Legislativa

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Botelho, Elizeu Nascimento, Júlio Campos e mais dois deputados perdem cadeira na Assembleia Legislativa

JB News

Por Emerson Teixeira

Resultado de 2026 deixa atuais deputados fora da próxima legislatura e encerra mais um capítulo para nomes conhecidos da política mato-grossense

As urnas redesenharam parte do mapa de poder da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Apesar da permanência de diversos deputados com mandato, as Eleições Gerais deste domingo (4) também produziram baixas entre nomes conhecidos da política estadual e impediram que parlamentares experientes permanecessem entre as 24 cadeiras da Casa a partir de fevereiro de 2027.

Entre os nomes que não conseguiram retornar está Eduardo Botelho, que acumulou protagonismo dentro da Assembleia nos últimos anos e chegou a presidir o Legislativo estadual por vários mandatos.

Botelho recebeu 37.359 votos, conforme os números da apuração apresentados para a disputa, mas ficou fora da relação dos 24 eleitos.

A derrota eleitoral ocorre dois anos depois de outro revés importante na trajetória política do parlamentar. Em 2024, Botelho disputou a Prefeitura de Cuiabá pelo União Brasil, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Abilio Brunini.

Depois daquela disputa municipal, Botelho voltou suas atenções para a Assembleia e entrou novamente na corrida por uma cadeira estadual em 2026. Desta vez, entretanto, sua votação individual não resultou em mandato.

Outra ausência de peso na próxima legislatura será Júlio Campos.

Integrante de uma das famílias mais tradicionais da política de Mato Grosso, ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal e atual deputado estadual, Júlio terminou a disputa com 18.517 votos e também não conseguiu garantir uma das 24 vagas.

A campanha de Júlio ocorreu em meio a um cenário político particularmente complexo dentro do grupo ao qual pertence.

Durante o processo eleitoral, ele declarou apoio a Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo, enquanto o União Brasil estava formalmente inserido na coligação que sustentava Otaviano Pivetta (Republicanos). A divisão ocorreu depois das divergências envolvendo a candidatura de Jayme Campos ao Governo e o comando estadual do União Brasil.

Esse cenário colocou Júlio em posição diferente daquela adotada formalmente por sua própria legenda na eleição majoritária. Embora não seja possível estabelecer essa circunstância como causa de seu desempenho nas urnas, a divisão marcou politicamente sua campanha de reeleição.

As dificuldades na montagem das chapas proporcionais da Federação União Progressista também estiveram presentes nos bastidores da pré-campanha. O grupo chegou ao processo eleitoral depois de meses de movimentações, entradas, saídas e negociações para estruturar sua nominata à Assembleia.

Ainda assim, a federação conseguiu representação na próxima legislatura. Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende aparecem entre os eleitos apresentados na totalização, mostrando que a legenda não ficou fora da Assembleia.

Quem também deixa a Casa é Juca do Guaraná, do PSDB.

Ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá antes de chegar à Assembleia Legislativa, Juca recebeu 17.349 votos, mas não conseguiu renovar o mandato.

A Federação PSDB/Cidadania, porém, manteve representação na Casa com Carlos Avallone e Chico Guarnieri entre os eleitos.

Paulo Araújo também aparece entre as baixas da atual legislatura. Com 30.338 votos, o parlamentar não figura entre os 24 deputados que assumirão as cadeiras da Assembleia em fevereiro de 2027.

Elizeu Nascimento, outro integrante da atual composição, recebeu 17.663 votos e também ficou fora da nova formação parlamentar.

O resultado evidencia novamente uma característica decisiva das eleições proporcionais: votação individual elevada não significa automaticamente eleição. A distribuição das cadeiras depende também do desempenho dos partidos e federações, dos quocientes eleitoral e partidário e das regras de distribuição das vagas.

É justamente esse mecanismo que ajuda a explicar por que candidatos com dezenas de milhares de votos podem terminar sem mandato enquanto outros, com votação individual inferior, conseguem ocupar uma cadeira pela composição partidária.

A nova Assembleia terá Max Russi (Podemos) e Lúdio Cabral (PT) nas primeiras posições da votação apresentada, além de nomes como Gilberto Cattani (PL), Samantha do Abilio (PL), Ulysses Moraes (Podemos), Dr. João (MDB), Beto Dois a Um (Podemos), Dilmar Dal Bosco (União), Alessandra Ferreira (Podemos), Léo Bortolin (MDB), Thiago Silva (MDB), Faissal (PL), Diego Guimarães (Republicanos), Dr. Eugênio (Republicanos), Fabinho Tardin (Podemos), Valmir Moretto (Republicanos), Nininho (Republicanos), Valdir Barranco (PT), Sebastião Rezende (União), Carlos Avallone (PSDB), Alcino Barcelos (PL), Adelcino Lopo (Podemos), Wilson Santos (PSD) e Chico Guarnieri (PSDB).

A lista mostra uma Assembleia que preserva parte de seus veteranos, mas também interrompe mandatos e trajetórias de parlamentares que durante anos ocuparam espaço relevante nas decisões políticas de Mato Grosso.

Para Botelho, Júlio Campos, Juca do Guaraná, Paulo Araújo e Elizeu Nascimento, o domingo eleitoral terminou sem a cadeira que buscavam para a legislatura seguinte.

As urnas mantiveram muitos conhecidos dentro do Parlamento, mas também mostraram que experiência, mandato e presença histórica na política estadual, isoladamente, não asseguram permanência na Assembleia Legislativa.