CRISE NO DAE

“Eu só quero ajuda, seja como vier”, diz Flávia Moretti sobre possível intervenção no DAE e reforça apoio do Estado para enfrentar colapso histórico

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“Eu só quero ajuda, seja como vier”, diz Flávia Moretti sobre possível intervenção no DAE e reforça apoio do Estado para enfrentar colapso histórico

Redação JB News

Por Nayara Cristina

A crise financeira e operacional do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande voltou ao centro do debate político nesta quinta-feira (9), durante o lançamento do pacote de obras de recuperação da malha viária no bairro Costa Verde. Questionada sobre o pedido de intervenção apresentado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para que o Governo do Estado assuma temporariamente a autarquia, a prefeita Flávia Moretti adotou um tom pragmático e deixou claro que sua prioridade é garantir apoio para resolver um problema considerado histórico no município.

Sem defender ou rejeitar a intervenção, a prefeita afirmou que a decisão não cabe ao Executivo Municipal, mas aos órgãos competentes, como a Procuradoria-Geral de Justiça, o Governo do Estado e, posteriormente, ao Poder Judiciário. Para ela, o mais importante neste momento é que Várzea Grande receba o suporte técnico e financeiro necessário para superar a crise que afeta o abastecimento de água e o sistema de esgotamento sanitário.

“Eu só quero ajuda, seja como vier. A intervenção não é um bicho de sete cabeças. Eu sou advogada e sei que a intervenção é um instrumento legal. Mas quem vai definir isso é a Procuradoria-Geral de Justiça e o governador. Não sou eu quem decide esse caminho.”

A declaração ocorre poucos dias depois de o Tribunal de Contas encaminhar representação aos órgãos competentes apontando a gravíssima situação financeira do DAE e defendendo a adoção de medidas urgentes para impedir o agravamento do serviço público. Entre os principais problemas apontados está uma dívida superior a R$ 311 milhões, acumulada ao longo de vários anos, além da precariedade da infraestrutura, perdas elevadas na distribuição, dificuldades para investimentos e constantes interrupções no fornecimento de água em diversos bairros.

Mesmo diante desse cenário, Flávia revelou que mantém diálogo permanente com o governador e que já apresentou uma série de projetos para buscar apoio estadual à reestruturação da autarquia.

Segundo ela, parte desses projetos já existia dentro do próprio DAE e agora passa por análise das equipes técnicas e jurídicas do Governo do Estado para definir de que forma o Executivo poderá colaborar.

“Eu pedi ajuda, sim. Isso não é mentira. Nós temos pedido colaboração do Governo do Estado referente ao DAE, ao abastecimento de água e ao tratamento de esgoto. Existem projetos sendo analisados pela equipe técnica e pela Procuradoria para verificar de que maneira o Estado poderá ajudar o departamento.”

A prefeita ressaltou, porém, que o momento exige cautela, principalmente por se tratar de um período eleitoral, o que demanda atenção aos aspectos jurídicos envolvendo qualquer tipo de parceria institucional.

Questionada se considera a intervenção o melhor caminho, Flávia evitou emitir juízo de valor e reforçou que a definição será exclusivamente dos órgãos responsáveis pela condução do processo.

“Se é o caminho ou não, quem vai definir isso é a Procuradoria-Geral de Justiça e o governador. Eu apenas quero que Várzea Grande tenha a colaboração necessária para resolver um problema que se arrasta há décadas.”

Ao comentar o aumento do interesse de lideranças políticas pela situação do DAE, justamente em ano eleitoral, a prefeita afirmou que a atual administração decidiu expor de forma transparente a realidade encontrada desde o início da gestão.

Segundo ela, a população passou a conhecer a dimensão dos problemas estruturais existentes na infraestrutura, na saúde e principalmente no abastecimento de água, fazendo com que diferentes setores do Estado voltassem seus olhos para Várzea Grande.

“Minha gestão está mostrando os percalços de Várzea Grande. Estamos mostrando como encontramos a cidade, seja na infraestrutura, no DAE ou na saúde. E, de repente, os políticos resolveram estender a mão. Essa ajuda é bem-vinda, porque Várzea Grande precisa dessa colaboração.”

Flávia também fez questão de afastar qualquer especulação de que eventual apoio do Governo do Estado tenha sido condicionado a compromissos políticos ou eleitorais.

“Não foi pedida nenhuma contrapartida. Nem pelo governador, nem por qualquer outro político. Estamos tratando exclusivamente de resolver um problema crônico da cidade, que é garantir água para a população.”

Nos últimos meses, a crise do DAE se intensificou com sucessivos problemas de abastecimento, paralisações no sistema, limitações financeiras e dificuldades para executar investimentos estruturantes. A situação motivou o Tribunal de Contas a cobrar providências urgentes e defender uma atuação mais efetiva do Estado diante da incapacidade operacional e financeira da autarquia em reverter, sozinha, o quadro atual.

Enquanto a discussão sobre uma eventual intervenção segue nas esferas jurídica e administrativa, a Prefeitura mantém a expectativa de que o Governo do Estado participe da recuperação do sistema por meio de investimentos, apoio técnico e execução de projetos capazes de modernizar a rede de abastecimento e ampliar o tratamento de esgoto.

Ao final da entrevista, Flávia resumiu o posicionamento da administração municipal em uma única frase: independentemente do formato adotado, o que Várzea Grande precisa é de soluções concretas para um problema que há anos compromete a qualidade de vida da população.

“Se vier apoio financeiro, técnico ou institucional, será bem-vindo. O que importa é resolver definitivamente a crise da água em Várzea Grande.”

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