JB News
Por Jos Teixeira
Bandeira amarela mantém cobrança adicional em agosto, enquanto redução das chuvas e maior uso de aparelhos de refrigeração pressionam despesas de famílias e empresas
A estiagem e a redução do nível dos reservatórios voltaram a pressionar os custos de geração de energia elétrica no país. Em agosto, a manutenção da bandeira tarifária amarela representa uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, conforme definição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O impacto ocorre porque a menor incidência de chuvas reduz a disponibilidade de água para as usinas hidrelétricas. Diante de condições menos favoráveis, o Sistema Interligado Nacional pode recorrer com maior frequência às termelétricas, que apresentam custos operacionais mais elevados. Essa diferença acaba refletida na tarifa paga pelos consumidores.
Em Mato Grosso, os indicadores não apontam, até o momento, risco imediato de desabastecimento. Apesar disso, o Programa Mensal de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que a quantidade de água disponível para geração no sistema Teles Pires fique em aproximadamente 80% da média histórica durante agosto.
O operador também projeta uma redução gradual no armazenamento dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste. O cenário exige acompanhamento, principalmente porque as temperaturas acima da média tendem a aumentar a utilização de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração.
Para as famílias, a alta no consumo pode comprometer uma parcela maior do orçamento doméstico. No setor produtivo, especialmente no comércio, na indústria e nos serviços que dependem de refrigeração, o avanço das despesas com eletricidade pode elevar os custos operacionais e pressionar os preços finais de produtos e serviços.
“A estiagem não significa automaticamente que haverá falta de energia. O efeito mais perceptível para o consumidor pode aparecer no custo, porque o sistema passa a operar em condições menos favoráveis. Por isso, este é um período importante para entender a fatura, controlar o consumo e avaliar alternativas de economia”, explica Crisley Moreira, gerente comercial da Kolmeia Energia.
Entre as alternativas oferecidas no mercado está a geração compartilhada. Nesse modelo, a energia produzida por usinas renováveis é injetada na rede da distribuidora e transformada em créditos para as unidades consumidoras participantes.
O consumidor permanece conectado à rede convencional, enquanto a concessionária continua responsável pelo fornecimento, pela medição e pelo atendimento em casos de interrupção. A diferença está na compensação dos créditos de energia, mecanismo que pode contribuir para a redução do valor mensal da conta.
Por meio de uma cooperativa, consumidores residenciais e empresas podem participar do sistema sem instalar placas solares ou realizar obras no imóvel. Antes da adesão, é feita uma análise do histórico da unidade para estimar a quantidade de energia necessária e a possível redução dos gastos. Conforme o perfil de consumo e as condições da proposta, a economia pode chegar a 20%.
Crisley ressalta, entretanto, que a geração compartilhada não protege o consumidor contra interrupções no fornecimento nem substitui o papel da distribuidora. O modelo funciona como uma alternativa econômica para compensar parte do consumo por meio de créditos provenientes de fontes renováveis.
Diante da combinação entre estiagem, temperaturas elevadas e cobrança adicional na tarifa, especialistas recomendam que consumidores residenciais e empresariais acompanhem o consumo, verifiquem detalhadamente as faturas e adotem medidas de eficiência energética. A redução de desperdícios pode ajudar a conter os efeitos do período seco sobre os orçamentos domésticos e os custos das atividades produtivas.