JB News
Por José Teixeira
Consumidores relatam pagamentos, atrasos e serviços que não teriam sido concluídos; boletim de ocorrência de 2022 já descrevia situação semelhante envolvendo empreendimento atribuído a Paulo Fernando da Silva
Uma sequência de reclamações envolvendo serviços de móveis planejados, marcenaria e marmoraria acendeu um alerta entre consumidores de Cuiabá e levou casos às autoridades policiais. Clientes relatam contratos não cumpridos, atrasos prolongados e serviços que, mesmo após pagamentos, não teriam sido integralmente entregues.

No centro das denúncias está atualmente a Tuo Ambientes Marmoraria e Marcenaria Ltda., empresa formalmente registrada no CNPJ 63.097.196/0001-02. Conforme dados cadastrais públicos consultados pela reportagem, a empresa foi aberta em 8 de outubro de 2025 e tem como sócia-administradora Karen Peres Yamamoto. O endereço empresarial informado no cadastro é a Rua João Bento, nº 170, no bairro Quilombo, em Cuiabá.
A empresa atua oficialmente no comércio de pedras para revestimento e possui entre suas atividades fabricação de móveis com predominância de madeira, montagem de móveis e trabalhos em mármore, granito, ardósia e outras pedras.
Documentos e relatos encaminhados ao JBNews apontam ainda uma relação comercial entre os nomes Tuo Ambientes e Arto/Arq Ambientes. A reportagem identificou que bases públicas relacionam ao mesmo endereço da Rua João Bento empresas como Arto Comércio e Decoração Ltda., nome fantasia Arto Móveis, além de registro empresarial relacionado a Karen Peres Yamamoto. Outro elemento é que o e-mail informado publicamente no cadastro da Tuo utiliza domínio relacionado à Arto Móveis.
A situação ganha relevância porque um boletim de ocorrência registrado ainda em julho de 2022, portanto anos antes da abertura formal do atual CNPJ da Tuo Ambientes, já apresentava relato de problemas envolvendo serviços de marmoraria e marcenaria e mencionava Paulo Fernando da Silva.
Na narrativa apresentada à Polícia Civil naquele momento, o denunciante afirmou que havia realizado uma visita ao estoque da empresa após contratar materiais para uma obra. Segundo o relato registrado no boletim, o gerente de produção teria informado que não havia no estoque nenhuma pedra correspondente ao pedido e que determinados materiais sequer teriam sido produzidos.
O comunicante relatou ainda que teria constatado a ausência de mais de 11 placas de um dos materiais necessários ao cumprimento do pedido, além de outras peças que também estariam faltando.
Outro trecho do boletim chama atenção. Conforme a narrativa levada à Polícia Civil, funcionários teriam permanecido parados naquele horário em razão de problemas relacionados ao pagamento de salários.
O documento policial também registra que o denunciante atribuía a Paulo Fernando da Silva a condição de proprietário da empresa envolvida naquele episódio e sustentava a suspeita de existência de outros consumidores que teriam contratado serviços, realizado pagamentos antecipados e não recebido aquilo que havia sido acordado.
O próprio boletim menciona, segundo a versão do comunicante, reclamações existentes em redes sociais e processos judiciais envolvendo a empresa e seu representante.
O registro de ocorrência, contudo, representa uma narrativa apresentada à autoridade policial e não equivale a uma condenação nem comprova, isoladamente, a prática de estelionato.
Agora, anos depois daquele registro, novos consumidores relatam ao JBNews situações que apresentam características semelhantes.
Cerca de mais de cinco boletins de ocorrência foram registrados contra a empresa.
Segundo os denunciantes, contratos teriam sido firmados para fabricação, fornecimento e instalação de móveis planejados, peças em MDF, mármores e outros componentes destinados a residências e estabelecimentos comerciais. Os clientes afirmam que realizaram pagamentos conforme os contratos, mas os serviços não teriam sido concluídos dentro dos prazos acertados.
Há relatos também de consumidores que recorreram a notificações extrajudiciais, estabelecendo formalmente novos prazos para conclusão dos projetos, apresentação de cronogramas ou solução das pendências.
De acordo com os denunciantes, mesmo depois dessas medidas, determinadas obrigações continuaram sem cumprimento.
Informações encaminhadas à reportagem apontam ainda para a existência de outros boletins de ocorrência e processos judiciais relacionados às empresas e pessoas mencionadas pelos consumidores. O JBNews busca levantar individualmente esses registros para verificar a quantidade, natureza, estágio processual e resultado de cada procedimento antes de tratá-los como fatos definitivamente estabelecidos.
A repetição das reclamações é justamente um dos aspectos que poderá ser analisado pelas autoridades.
Isso porque o simples descumprimento de um contrato, atraso na entrega ou dívida comercial não caracteriza automaticamente estelionato. O crime previsto no artigo 171 do Código Penal exige elementos como fraude, indução ou manutenção da vítima em erro e obtenção de vantagem ilícita.
Assim, caberá à Polícia Civil analisar se os episódios representam conflitos de natureza exclusivamente contratual e consumerista ou se existem elementos que indiquem eventual prática criminosa.
Também deverá ser esclarecida pelas autoridades, caso seja objeto das investigações, a relação de Paulo Fernando da Silva com os empreendimentos atualmente mencionados pelos consumidores. Embora seu nome apareça no boletim de ocorrência de 2022 como pessoa apontada pelo denunciante como proprietário da empresa daquele episódio, o cadastro empresarial atualmente consultado da Tuo Ambientes Marmoraria e Marcenaria Ltda. apresenta Karen Peres Yamamoto como sócia-administradora.
Até o momento, portanto, a reportagem não atribui responsabilidade criminal aos envolvidos. A existência boletins de ocorrência, processos ou denúncias não significa culpa, e eventual responsabilização dependerá das investigações, das provas produzidas e das decisões das autoridades competentes.
Outro lado
O JBNews mantém espaço aberto para manifestação de Karen Peres Yamamoto, Paulo Fernando da Silva, Tuo Ambientes e das demais empresas mencionadas nas denúncias, para que esclareçam os contratos questionados, a relação empresarial apontada pelos consumidores, eventuais atrasos e quais medidas estão sendo tomadas para solucionar as pendências.
Caso haja manifestação, a versão apresentada será incorporada à reportagem.