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Drone invade presídio três vezes na madrugada para entregar 16 celulares, Polícia Penal frustra ação

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Drone invade presídio três vezes na madrugada para entregar 16 celulares, Polícia Penal frustra ação

Segurança nos presídios

JBNews

Por Nayara Cristina

Equipamento sobrevoou a penitenciária durante a madrugada, lançou materiais em diferentes pontos e mobilizou equipe antidrone, que permaneceu de campana até o amanhecer.

Uma operação de vigilância realizada pela Polícia Penal de Mato Grosso impediu novas entregas de materiais proibidos na Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, em Rondonópolis, a 212 quilômetros de Cuiabá. A ação ocorreu entre a noite de quinta-feira (29) e a madrugada desta sexta-feira (30), após policiais identificarem um drone utilizado para transportar aparelhos celulares para o interior da unidade prisional.

Ao todo, foram apreendidos 16 aparelhos celulares, sendo dez da marca Samsung e seis da Motorola, além de uma tela de celular e dez moedas de dez centavos. O equipamento aéreo realizou pelo menos três incursões sobre a penitenciária, desafiando o sistema de vigilância e provocando sucessivas intervenções dos policiais penais.

A movimentação suspeita foi percebida inicialmente pelos agentes que trabalhavam nas torres de vigilância durante o Plantão Charlie. Os servidores observaram o sobrevoo do drone e comunicaram imediatamente a situação, permitindo o acionamento da equipe especializada no enfrentamento desse tipo de ocorrência.

Na primeira intervenção, os policiais não conseguiram impedir o lançamento da carga. Entretanto, os materiais foram posteriormente encontrados no setor identificado como Raio 3 SD, uma das áreas internas da penitenciária.

Diante da possibilidade de novas investidas, os agentes reorganizaram o posicionamento e passaram a monitorar estrategicamente o espaço aéreo e os pontos vulneráveis da unidade. A equipe permaneceu em campana, aguardando uma eventual tentativa de retorno do equipamento.

A estratégia apresentou resultado por volta das 2h da madrugada, quando o drone voltou a sobrevoar o complexo penitenciário para realizar outra entrega. Dessa vez, os policiais conseguiram agir e apreender o material lançado.

A insistência dos responsáveis pela operação clandestina ficou evidente pouco depois. Por volta das 3h30, uma terceira tentativa de introdução de objetos foi identificada. A equipe antidrone voltou a intervir e realizou outra apreensão, impedindo que a nova carga chegasse ao destino pretendido.

Mesmo depois das três ocorrências, os servidores permaneceram posicionados na laje da penitenciária, acompanhando possíveis movimentações até as 4h40. Somente após a interrupção dos sobrevoos e a ausência de novas tentativas, as diligências de vigilância foram encerradas.

Apesar das apreensões, os policiais não conseguiram interceptar o drone nem identificar, durante a ocorrência, os responsáveis pelo controle remoto do equipamento.

O episódio chama atenção para um dos desafios enfrentados pelo sistema penitenciário: a utilização de aeronaves remotamente pilotadas para tentar ultrapassar barreiras físicas, muralhas e postos tradicionais de fiscalização. Diferentemente das tentativas de entrada de materiais por visitantes ou pelas portarias, os drones permitem o lançamento de objetos diretamente sobre áreas internas dos estabelecimentos prisionais.

A presença de aparelhos celulares dentro das unidades representa uma preocupação permanente para as autoridades penitenciárias. Os equipamentos podem ser utilizados para manter comunicação não autorizada com pessoas fora dos presídios, inclusive para a articulação de atividades criminosas. No entanto, não foi informado se os celulares apreendidos na Mata Grande tinham destinatários específicos ou alguma ligação já identificada com organizações criminosas.

A ocorrência também evidencia a persistência das tentativas de abastecimento clandestino dos presídios, mesmo diante do reforço das medidas de segurança e da política estadual de enfrentamento às facções criminosas.

A Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso desenvolve ações voltadas ao fortalecimento da segurança nas unidades penitenciárias, incluindo medidas de fiscalização e combate à circulação de objetos proibidos. A apreensão desta madrugada integra esse esforço de impedir o acesso irregular a equipamentos de comunicação.

Em manifestação encaminhada após a ocorrência, a direção da penitenciária destacou a atuação dos policiais penais que participaram da operação e registrou elogio formal aos integrantes do Plantão Charlie, especialmente à equipe antidrone.

Segundo a administração da unidade, a rápida identificação do equipamento pelos agentes das torres foi fundamental para o acionamento da resposta operacional. A direção também ressaltou a permanência dos servidores em vigilância durante praticamente toda a madrugada, mesmo após as primeiras apreensões.

O reconhecimento institucional destacou o profissionalismo, a iniciativa e a capacidade técnica dos policiais responsáveis pelas intervenções, consideradas importantes para preservar a disciplina e a segurança do estabelecimento.

O balanço final da ocorrência confirmou a apreensão dos 16 celulares e dos demais objetos encontrados. Não houve informação sobre prisões relacionadas aos sobrevoos, identificação dos operadores do drone ou localização do ponto de onde o equipamento foi lançado.

As circunstâncias das tentativas e a possível destinação dos aparelhos poderão ser objeto de investigação para identificar quem organizou o transporte clandestino e quais pessoas receberiam os materiais dentro da penitenciária.

Veja

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