JBN
Por Nayara Cristina
Um adolescente de 17 anos, apontado pela Polícia Militar como responsável pelo gerenciamento do tráfico de drogas e pela aplicação de punições determinadas por uma facção criminosa, morreu após ser baleado durante um confronto com policiais militares na noite desta quinta-feira (29), no bairro Guaraná II, em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso.
O adolescente, identificado pelas iniciais K.E.S.S. e conhecido pelo apelido de “Kaioba”, era apontado pela corporação como integrante de uma organização criminosa que atua na região. Segundo informações policiais, além de supostamente participar da distribuição de entorpecentes, ele também estaria envolvido na aplicação de castigos contra pessoas que descumprissem regras impostas pelo grupo.
A ocorrência teve início após denúncias anônimas informarem que o adolescente estaria comercializando drogas em uma residência localizada no bairro Guaraná II. As informações também indicavam que o imóvel seria utilizado como ponto de distribuição de entorpecentes.
Diante das denúncias, policiais militares se deslocaram até o endereço para verificar a situação. Durante as diligências, a equipe encontrou o adolescente em frente à residência e percebeu um volume na região de sua cintura, semelhante ao de uma arma de fogo.
Conforme o boletim de ocorrência, ao receber ordem de abordagem, o jovem desobedeceu aos militares e correu para o interior do imóvel. Ainda segundo a versão policial, durante a fuga ele sacou um revólver calibre .22 e efetuou disparos contra a equipe.
Os policiais reagiram à suposta agressão armada e atingiram o adolescente, que caiu dentro da residência. Após cessarem os disparos, os militares retiraram a arma que estaria em sua posse e providenciaram atendimento médico.

O jovem foi socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Alta Floresta. Apesar dos procedimentos realizados pela equipe médica, não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento.
Durante a ocorrência, um segundo suspeito, que também estaria armado, conseguiu fugir. Ele não havia sido localizado até a divulgação das informações iniciais. A possível participação desse indivíduo nas atividades investigadas deverá ser apurada pela Polícia Civil.
Nas buscas realizadas no interior do imóvel, os policiais encontraram 39 porções de substância semelhante à maconha, duas balanças de precisão, munições, um revólver calibre .22 e R$ 217,65 em dinheiro trocado.
Segundo a Polícia Militar, a forma como os entorpecentes estavam acondicionados, juntamente com as balanças e o dinheiro fracionado, reforçou a suspeita de que o endereço era utilizado para a comercialização de drogas.
Todo o material apreendido foi encaminhado às autoridades responsáveis pelos procedimentos investigativos. As substâncias deverão passar por exames para confirmação de sua composição, enquanto a arma poderá ser submetida à análise pericial para esclarecer sua utilização durante o confronto.
Outro aspecto da ocorrência envolve a função que o adolescente supostamente exercia dentro da organização criminosa. Conforme as informações policiais, ele não seria apenas um participante do comércio ilegal de entorpecentes, mas também teria atribuições relacionadas ao controle disciplinar de integrantes e de pessoas submetidas às regras da facção.
Esse mecanismo de atuação é conhecido no meio policial como setor de disciplina, estrutura utilizada por organizações criminosas para impor determinações, cobrar dívidas, ameaçar desafetos e aplicar punições contra indivíduos considerados infratores das regras estabelecidas pelos próprios grupos.
A Polícia Militar, entretanto, não apresentou detalhes públicos sobre eventuais vítimas de punições atribuídas especificamente ao adolescente, nem informou se existiam procedimentos judiciais concluídos relacionados a essas suspeitas.
A morte do jovem também deverá ser analisada sob a perspectiva dos procedimentos aplicáveis às ocorrências com resultado fatal decorrente de intervenção policial.
A investigação deverá esclarecer a dinâmica dos disparos, as circunstâncias da reação dos militares, o posicionamento dos envolvidos e a compatibilidade entre os relatos apresentados e os vestígios encontrados no imóvel.
Os exames periciais e demais diligências poderão contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos, incluindo o momento em que o adolescente teria utilizado a arma e a resposta da equipe policial.
A condição de menor de idade também exige a observância das normas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, inclusive quanto ao tratamento das informações relacionadas à sua identificação.
A Polícia Civil ficará responsável pela apuração das circunstâncias da morte, pela análise do material apreendido e pela continuidade das investigações sobre a possível utilização da residência como ponto de tráfico.
Até o momento, a versão de que houve troca de tiros está fundamentada nas informações prestadas pela equipe policial envolvida na ocorrência. A conclusão sobre a dinâmica do confronto dependerá dos elementos reunidos durante a investigação.
O episódio ocorreu em meio às ações de enfrentamento às organizações criminosas no norte de Mato Grosso, região onde as forças de segurança mantêm operações contra o tráfico de drogas e outros crimes associados à atuação de facções.
Veja