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Por Nayara Cristina
Deputado do MDB admite negociações para continuar na primeira-secretaria, defende diálogo com os novos parlamentares e revela que 17 diretórios estaduais do partido se alinharam ao candidato do PL no segundo turno presidencial
O deputado estadual Dr. João (MDB) já iniciou as articulações para permanecer na primeira-secretaria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e manter a dobradinha política com o presidente Max Russi (Podemos) no comando do Parlamento estadual. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (14), o parlamentar confirmou que pretende disputar a continuidade no cargo, mas reconheceu que a composição da próxima Mesa Diretora dependerá de uma ampla negociação com os deputados eleitos e reeleitos no último dia 4 de outubro.
A movimentação ocorre em meio ao interesse de partidos que ampliaram suas bancadas e agora buscam ocupar espaços estratégicos na estrutura de poder da Assembleia. Além de tratar da sucessão interna, Dr. João comentou sua participação em uma reunião realizada em São Paulo, na qual representantes de 17 diretórios estaduais do MDB manifestaram apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Atualmente primeiro-secretário da Assembleia, Dr. João ocupa uma das funções mais importantes da estrutura administrativa do Legislativo, com atribuições relacionadas à gestão interna, aos serviços administrativos e às decisões sobre o funcionamento da Casa.
A intenção do emedebista é preservar a parceria com Max Russi, que também articula sua permanência na presidência para o próximo biênio. Entretanto, o deputado reconhece que a disputa ainda está no começo e que não existe qualquer composição definitiva.
“Nós estamos começando ainda sobre isso aí. Existe uma ideia de continuar também com o presidente Max, mas por enquanto é tudo negociação, é muita conversa. Falta muito tempo ainda, até fevereiro, mas já temos que conversar bastante”, declarou.
A eleição da próxima Mesa Diretora está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os 24 deputados estaduais eleitos em outubro tomarão posse para a nova legislatura. A escolha definirá quem comandará administrativamente e politicamente o Parlamento no biênio de 2027 a 2029.
O interesse na primeira-secretaria tende a intensificar as negociações nas próximas semanas. O PL e o Republicanos, que terão bancadas expressivas na nova composição, aparecem entre as legendas interessadas no cargo ocupado atualmente pelo MDB.
A disputa representa um desafio para Dr. João, que precisará reunir apoio suficiente entre os colegas para assegurar a continuidade de sua atuação na Mesa. Embora a permanência de Max Russi na presidência seja considerada uma possibilidade forte nas articulações, a definição dos demais cargos depende de acordos entre os partidos.
Reeleito deputado estadual, Dr. João considera que o encerramento da disputa eleitoral pelo voto popular abre uma nova etapa de conversações políticas dentro da Assembleia.
“Até esses dias atrás estava todo mundo preocupado com a sua eleição. Agora já foi resolvido o problema eleitoral e agora você vai ter que conversar com os colegas, sentar, ouvi-los e definir o que nós vamos fazer. Muito trabalho, muita conversa vai ter”, afirmou.
A declaração demonstra que o parlamentar não pretende abrir mão antecipadamente do cargo, mas também evita transformar a disputa em um confronto público com as demais legendas.
Nos bastidores, a formação de uma maioria parlamentar será determinante para a escolha da nova direção. Com 24 cadeiras em disputa interna, uma candidatura precisa construir uma base de apoio capaz de alcançar pelo menos 13 votos, caso todos os deputados participem da votação.
Max Russi chega às negociações fortalecido pelo resultado eleitoral de 4 de outubro, quando foi o deputado estadual mais votado de Mato Grosso, com aproximadamente 87 mil votos. O presidente da Assembleia também ampliou sua influência política com o desempenho do Podemos nas urnas.
Essa força eleitoral pode favorecer a articulação para sua permanência na presidência, mas não garante automaticamente que os demais integrantes da atual Mesa sejam reconduzidos.
Para Dr. João, a prioridade será convencer os novos parlamentares de que a manutenção da atual parceria administrativa representa uma alternativa de continuidade e estabilidade na condução dos trabalhos legislativos.
A definição também deverá considerar a força das bancadas e os interesses dos partidos que contribuíram para a eleição de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso.
Além das movimentações pelo comando da Assembleia, Dr. João voltou a demonstrar seu alinhamento à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno marcado para 25 de outubro.
O deputado participou de um encontro político em São Paulo, realizado na terça-feira (13), que reuniu lideranças nacionais e regionais do MDB, dirigentes partidários, parlamentares e representantes de diferentes estados.
A reunião consolidou o apoio de 17 dos 27 diretórios estaduais do partido à candidatura de Flávio Bolsonaro, evidenciando a divisão interna da legenda na disputa presidencial.
“Uma reunião muito importante, onde foi definido que 17 estados, o partido do MDB está caminhando junto com Flávio Bolsonaro. Dezessete estados”, destacou.
O encontro contou com a participação do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), entre outras lideranças.
Para Dr. João, a manifestação representa um reforço significativo à campanha presidencial do senador do PL, sobretudo pela presença do MDB em municípios de diferentes regiões do país.
“Lá estava toda a equipe nacional e estadual, representantes de todos os estados, presidentes de partidos, secretários, vereadores, deputados estaduais e federais. Foi muito importante. Acredito que vai ser muito importante esse apoio do MDB no segundo turno”, afirmou.
Apesar da mobilização favorável a Flávio Bolsonaro, o MDB não apresenta uma posição nacional unificada. Enquanto 17 diretórios se alinharam ao candidato do PL, outros dez manifestaram apoio à reeleição de Lula.
A divisão demonstra que o partido chega à reta final da eleição presidencial com posicionamentos distintos entre suas lideranças estaduais, especialmente quando consideradas as diferenças regionais e os acordos políticos estabelecidos em cada estado.
Em Mato Grosso, Dr. João se posiciona claramente ao lado de Flávio Bolsonaro, reforçando sua aproximação com setores políticos que defendem a candidatura do senador.
O parlamentar também voltou a comentar as críticas feitas na semana anterior a uma aliança política envolvendo o MDB e o PDT no cenário estadual.
Segundo ele, o problema não estava necessariamente na possibilidade de composição entre as legendas, mas na maneira como a aproximação foi conduzida.
“A minha crítica é a forma que foi feita. A forma que você… tipo assim, eu não quero você e você me obrigar a te querer. As coisas têm que ser… os dois lados têm que participar”, explicou.
Dr. João afirmou que alianças políticas precisam ser construídas mediante entendimento entre os envolvidos, e não por imposição de uma das partes.
“Como é que você vai fazer uma polarização onde 99% das pessoas não te querem? Só uma pessoa te quer. Então essa foi a minha crítica”, acrescentou, esclarecendo que se referia ao ambiente político estadual, e não à direção nacional do MDB.
A manifestação revela que o parlamentar continua defendendo maior participação dos integrantes da legenda nas decisões sobre alianças e posicionamentos partidários.
O mesmo discurso de diálogo aparece nas articulações para a próxima Mesa Diretora. Embora deseje continuar ao lado de Max Russi, Dr. João reconhece que a manutenção da parceria dependerá da capacidade de negociação com partidos que reivindicam maior protagonismo na nova legislatura.
A disputa pelo primeiro escalão da Assembleia deve ganhar intensidade após o segundo turno presidencial, quando as lideranças políticas de Mato Grosso poderão concentrar suas atenções na formação da próxima estrutura de comando do Legislativo.
Entre a articulação de apoio a Flávio Bolsonaro em Brasília e São Paulo e a negociação dos cargos da Assembleia em Cuiabá, Dr. João procura manter influência nos dois cenários políticos.
Na disputa estadual, porém, seu principal desafio já está definido: conquistar os votos necessários para permanecer na primeira-secretaria e impedir que o espaço atualmente ocupado pelo MDB seja transferido a uma das bancadas interessadas no posto.
A eleição de fevereiro será o primeiro grande teste de força entre os deputados que assumirão a nova legislatura e poderá estabelecer o equilíbrio político da Assembleia durante os dois primeiros anos do governo Otaviano Pivetta.
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