por José Teixeira
Com disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, investidores acompanham pesquisas, juros e indicadores econômicos; oscilações também têm reflexos no agronegócio de Mato Grosso
O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (16 de outubro) em clima de cautela, a apenas oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Apesar da recuperação registrada no último pregão, o dólar acumulou valorização durante a semana, enquanto a Bolsa de Valores brasileira terminou o período no vermelho. O cenário reflete a combinação de incertezas eleitorais, preocupações fiscais, indicadores econômicos e movimentações do mercado internacional.
O dólar comercial terminou a sexta-feira cotado a aproximadamente R$ 5,07, com recuo de 0,28% no dia. Entretanto, considerando os cinco pregões da semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 1,77%. O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 0,54% na sexta-feira e encerrou aos 205.430,33 pontos, mas acumulou perda de 1,74% na semana.
Na quinta-feira (15), os investidores haviam registrado um movimento mais intenso de aversão ao risco. O dólar subiu aproximadamente 1,15%, encerrando próximo de R$ 5,09, enquanto o Ibovespa caiu 1,06%, para 204.324 pontos. A recuperação de sexta-feira interrompeu uma sequência de três sessões negativas na Bolsa, mas não foi suficiente para apagar as perdas semanais.
As atenções estão voltadas principalmente para a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisas eleitorais divulgadas nesta reta final da campanha apontaram uma disputa equilibrada, aumentando a atenção dos investidores às propostas econômicas, às perspectivas para as contas públicas e à condução da política fiscal a partir de 2027.
Outro componente importante foi a divulgação, na sexta-feira (16), do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto. O indicador registrou crescimento de 0,3% em agosto na comparação com julho, mas apontou retração de 0,6% no trimestre encerrado naquele mês.
Os números reforçam o debate sobre o ritmo da atividade econômica brasileira e as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros. A manutenção de juros elevados influencia o custo do crédito, os investimentos produtivos, o consumo das famílias e a capacidade de financiamento das empresas.
Em Mato Grosso, a movimentação cambial possui importância especial devido à participação do agronegócio na economia estadual. A valorização do dólar pode elevar, quando convertida para reais, a receita das exportações de soja, milho, algodão e carne, mas também pressiona os custos de produtos e insumos importados, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas, equipamentos e componentes utilizados nas atividades rurais.
Para os produtores mato-grossenses, o impacto efetivo depende do momento de comercialização da safra, das operações de proteção cambial, dos preços internacionais das commodities e dos contratos de aquisição de insumos. Por isso, a alta da moeda norte-americana não representa necessariamente aumento de rentabilidade.
A instabilidade também influencia empresas transportadoras, indústrias, comerciantes e consumidores, diante de possíveis reflexos nos custos de produção e nos preços finais.
No cenário internacional, o comportamento do dólar, as expectativas sobre os juros dos Estados Unidos e as oscilações do petróleo também influenciaram os negócios. Na sexta-feira, a valorização das ações da Petrobras contribuiu para sustentar a recuperação do Ibovespa.
Com a eleição presidencial entrando na última semana de campanha, o mercado deve acompanhar a divulgação de novos indicadores, manifestações dos candidatos e sinais sobre as diretrizes econômicas do próximo governo.
O desafio para Mato Grosso será atravessar esse período de volatilidade preservando a competitividade das exportações, o planejamento dos produtores rurais e o ritmo dos investimentos privados.