FARISEUS

De missões dentro da PCE a dinheiro e recados: investigação leva família “evangelica” a virar ré por suposta ligação com CV

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De missões dentro da PCE a dinheiro e recados: investigação leva família “evangelica” a virar ré por suposta ligação com CV

OPERAÇÃO FARISEUS

Polícia sustenta que projeto religioso teria facilitado acesso ao sistema prisional; denúncia descreve movimentação financeira e comunicação com integrantes da facção

O recebimento da denúncia contra Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e familiares é o capítulo mais recente de uma investigação que começou muito antes de eles se tornarem réus e que colocou sob suspeita a utilização de atividades religiosas dentro de presídios para favorecer integrantes do Comando Vermelho.

A Operação Fariseus foi deflagrada em 16 de julho. Na ocasião, foram cumpridas 27 ordens judiciais, incluindo a prisão preventiva de Rhavenna e quatro mandados de busca e apreensão. 

A investigação concentrou-se no projeto religioso Resgatando Vidas, que realizava atividades de assistência espiritual a detentos da Penitenciária Central do Estado.

Segundo a Polícia Civil, a condição de missionários permitia aos integrantes do grupo entrar nas unidades prisionais e manter contato com presos. A suspeita é de que essa estrutura também teria sido utilizada para transmitir recados, movimentar dinheiro e prestar apoio a membros da facção. 

O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas afirmou durante a investigação que os pais de Rhavenna teriam recebido recados, transportado valores em espécie e disponibilizado contas bancárias para movimentações atribuídas ao esquema. Essas afirmações integram a tese investigativa e serão submetidas ao contraditório no processo criminal. 

A investigação também atribui a Rhavenna atuação operacional, financeira e comunicacional para a organização. Material extraído de celulares apreendidos passou a integrar a apuração. 

Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia à 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Com o recebimento da acusação, seis pessoas passaram à condição de rés. Isso não representa condenação: significa que a Justiça considerou presentes os requisitos necessários para abrir formalmente a ação penal e permitir que as acusações sejam examinadas durante a instrução.

A denúncia atribui aos envolvidos, conforme a participação apontada individualmente pelo Ministério Público, crimes relacionados a organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Operação Fariseus agora deixa a fase exclusivamente investigativa e entra em uma etapa na qual acusação e defesas poderão produzir provas, contestar documentos e apresentar suas versões perante a Justiça.