SEGURANÇA PÚBLICA

Casarin propõe lista de foragidos prioritários e mira captura de chefes de facções em MT

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Casarin propõe lista de foragidos prioritários e mira captura de chefes de facções em MT

JB News

Por José Teixeira

Candidato a deputado estadual defende integração entre polícias, inteligência e tecnologia para concentrar operações em criminosos considerados de maior risco e que continuam exercendo influência mesmo longe das ruas

O candidato a deputado estadual Sargento Casarin (Podemos) apresentou uma proposta para criar em Mato Grosso uma política permanente voltada à localização e captura de foragidos considerados prioritários pela Segurança Pública. A ideia é concentrar inteligência, tecnologia e capacidade operacional do Estado em pessoas com mandados de prisão em aberto que representem maior risco à sociedade, principalmente lideranças e integrantes estratégicos de organizações criminosas.

Dickson Soares Casarin concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Podemos e declarou à Justiça Eleitoral ocupação de policial militar. O registro da candidatura está deferido. 

A proposta apresentada pela campanha parte do entendimento de que o enfrentamento ao crime organizado não termina com prisões em flagrante ou grandes operações. Para Casarin, uma parcela da estrutura criminosa permanece funcionando mesmo quando seus integrantes mais relevantes estão foragidos, sobretudo nos casos em que lideranças continuam determinando ações, movimentando recursos ou participando da tomada de decisões das organizações.

O projeto prevê a formação de uma lista estadual de foragidos prioritários, que seria elaborada e atualizada pelos órgãos competentes com critérios técnicos. Entre os nomes que poderiam receber prioridade estariam chefes de organizações criminosas, autores de crimes violentos, indivíduos classificados como de alta periculosidade e foragidos que continuem exercendo funções relevantes dentro de estruturas criminosas.

A proposta não significa que outros mandados de prisão deixariam de ser cumpridos. A estratégia defendida pelo candidato é estabelecer uma escala de prioridade para direcionar parte dos recursos de inteligência, investigação e operações aos alvos considerados de maior risco, diante das limitações de efetivo, tecnologia e estrutura existentes nos órgãos de segurança.

Um dos principais pontos é justamente a integração das informações. Casarin propõe ampliar o compartilhamento de dados entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e estruturas de inteligência, permitindo que bancos de dados e ferramentas tecnológicas sejam utilizados de forma conjunta na localização dos procurados.

O objetivo seria reduzir situações em que informações sobre um mesmo investigado ou foragido estejam pulverizadas em órgãos diferentes sem que esses dados sejam rapidamente cruzados para produzir uma operação de captura.

A política proposta também prevê aproveitar inicialmente as unidades especializadas, grupos integrados e estruturas de inteligência que já funcionam em Mato Grosso. Somente se fosse constatada insuficiência operacional seria avaliada a implantação de uma estrutura estadual específica para localização dos chamados foragidos prioritários.

Mato Grosso já possui experiências de operações baseadas na integração de diferentes forças. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (FICCO/MT), por exemplo, vem atuando em investigações conjuntas contra organizações criminosas. Em julho, a força realizou a Operação Malha Fechada contra um grupo investigado por tráfico interestadual e lavagem de dinheiro, com prisões preventivas de suspeitos apontados como responsáveis por coordenação, logística e movimentação financeira. 

Em agosto, outra ação da FICCO/MT mobilizou forças de segurança em investigação sobre adulteração de fertilizantes, furto de grãos e possível ligação dos investigados com organização criminosa atuante no Estado. 

A proposta de Casarin busca acrescentar a esse modelo de integração uma política específica de identificação e perseguição operacional de alvos prioritários que já tenham ordens de prisão expedidas pela Justiça.

Outro ponto é a revisão periódica da relação de procurados. Segundo o projeto apresentado pelo candidato, fatores como periculosidade, posição dentro da organização criminosa, atualidade do mandado e capacidade de continuar interferindo em atividades ilegais seriam considerados para manter ou retirar determinado nome da lista prioritária.

A estratégia também pretende atingir estruturas de comando das facções. Na avaliação apresentada pela campanha, capturar um integrante responsável por comandar, financiar ou articular ações criminosas pode ter repercussão diferente da prisão de agentes que atuam apenas na execução de crimes. Essa é, porém, uma premissa da proposta e dependeria dos critérios técnicos adotados pelos órgãos responsáveis caso a política venha a ser implementada.

Casarin também sustenta que a Assembleia Legislativa poderia participar desse processo por meio da discussão de políticas públicas, fiscalização das ações do Executivo, destinação orçamentária e apresentação de medidas dentro das competências constitucionais dos deputados estaduais.

A medida apresentada durante a campanha ainda é uma proposta e não uma política pública em vigor. Uma eventual implantação dependeria da definição do instrumento jurídico adequado, da participação do Executivo e dos órgãos de Segurança Pública e, conforme o desenho adotado, de previsão orçamentária.

O eixo defendido por Casarin é transformar a procura de criminosos considerados estratégicos em uma atividade permanente, em vez de deixá-la vinculada exclusivamente a operações pontuais. A intenção declarada é fazer com que inteligência, cruzamento de informações e tecnologia sejam usados para localizar principalmente foragidos que, apesar da ordem judicial de prisão, ainda exerçam influência sobre organizações criminosas.