“DESCUMPRIMENTO DE ACORDOS”

Candidatos a deputado do Novo abandonam Wellinton e oficializam rompimento

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Candidatos a deputado do Novo abandonam Wellinton e oficializam rompimento

ALIANÇA EM XEQUE

JB News

Da redação

Racha no Novo pressiona Wellington e abre nova crise na disputa pelo Paiaguás

Candidatos cobram rompimento com PL por suposto descumprimento de acordos; crise atinge partido do vice Reinaldo Morais em plena reta da campanha

A candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso enfrenta uma nova turbulência política em plena disputa pelo Palácio Paiaguás. Candidatos a deputado estadual e federal do Partido Novo pediram formalmente à direção da legenda o rompimento da aliança com o PL e a retirada do apoio tanto a Wellington quanto ao candidato ao Senado José Medeiros.

A rebelião interna foi apresentada durante reunião realizada na noite de segunda-feira (14). Segundo nota assinada pelo presidente estadual do Novo, Rafael Lacovacci, integrantes da chapa proporcional apontaram descumprimento de acordos firmados com o PL para a campanha. Apesar da pressão, a direção estadual ainda não anunciou oficialmente o fim da aliança.

Nos bastidores, a crise ganha dimensão maior porque o Novo não ocupa posição periférica na composição majoritária de Wellington. O empresário Reinaldo Morais, filiado à legenda, é candidato a vice-governador na chapa do PL. A própria campanha de Wellington registra oficialmente Reinaldo como vice na coligação formada por PL, Novo, MDB e Federação PRD-Solidariedade.

Com isso, eventual rompimento definitivo colocaria a campanha diante de uma situação politicamente delicada: candidatos proporcionais do mesmo partido do vice trabalhando contra — ou deixando de trabalhar pela — candidatura majoritária da qual a própria legenda participa.

Segundo informações divulgadas sobre as reclamações internas, parte dos candidatos afirma que não teria recebido o suporte prometido para as campanhas proporcionais, incluindo estrutura, material e apoio político. A direção do Novo, entretanto, limitou oficialmente a manifestação à afirmação de que houve alegado “descumprimento, por parte do PL, de acordos firmados para a campanha”.

Na nota, Lacovacci confirmou o movimento.

“Em reunião realizada na noite desta segunda-feira (14/09), entre a diretoria e diversos candidatos a deputado federal e estadual do Partido NOVO em Mato Grosso, alguns participantes solicitaram o rompimento da coligação e do apoio às candidaturas de Wellington Fagundes, que concorre ao Governo do Estado, e de José Medeiros, candidato ao Senado, ambos do Partido Liberal (PL). O pedido foi apresentado à diretoria em razão do descumprimento, por parte do PL, de acordos firmados para a campanha”, afirmou.

O episódio adiciona mais um foco de tensão à campanha de Wellington justamente quando a eleição entra em uma fase decisiva. Levantamento AtlasIntel realizado entre 4 e 9 de setembro mostrou Wellington com 34,4%, Otaviano Pivetta (Republicanos) com 30,8% e Natasha Slhessarenko (PSD) com 23,2%. A margem de erro informada foi de três pontos percentuais, o que coloca Wellington e Pivetta dentro da margem entre si naquele levantamento. A pesquisa ouviu 1.209 eleitores e foi registrada sob o número MT-02766/2026.

Uma pesquisa anterior, do Real Time Big Data, feita entre 29 de agosto e 2 de setembro, havia registrado Wellington com 34%, Pivetta com 27% e Natasha com 13%. Foram entrevistadas 1.600 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Diante desse cenário, uma crise envolvendo justamente a legenda responsável por indicar o candidato a vice adiciona uma variável às articulações da campanha, embora seus efeitos eleitorais não possam ser determinados antecipadamente.

O Novo também tratou de fechar uma segunda porta nos bastidores. A direção estadual rejeitou qualquer possibilidade de adesão à candidatura de Natasha Slhessarenko e afirmou haver “profundas incompatibilidades ideológicas” com o PSD. A legenda advertiu ainda que candidatos que decidirem apoiar a adversária poderão responder internamente por infidelidade partidária.

“Quanto a um eventual apoio à candidata do PSD ao Governo do Estado, Natasha Slhessarenko, hipótese veiculada por alguns órgãos de imprensa, o partido esclarece que não há qualquer possibilidade de aliança, devido às profundas incompatibilidades ideológicas”, declarou Lacovacci.

A direção deixou, entretanto, a decisão sobre Wellington em aberto.

Antes de bater o martelo, Lacovacci afirmou que pretende conversar diretamente com o presidente estadual do PL, Ananias Filho, e com Reinaldo Morais. O objetivo, segundo ele, será tentar resolver as divergências levantadas pelos candidatos.

“A direção estadual do NOVO analisará as reclamações apresentadas e dialogará com o presidente estadual do PL, Ananias Filho, e com o candidato a vice-governador, Reinaldo de Morais (NOVO), com o objetivo de alinhar as questões levantadas antes de tomar qualquer decisão definitiva”, completou.

A manifestação estabelece, portanto, dois movimentos distintos dentro do Novo: existe uma pressão concreta dos candidatos proporcionais pelo rompimento, mas a direção estadual ainda mantém aberta uma última rodada de negociação com o PL.

O resultado dessa conversa poderá definir se a crise permanecerá restrita a um racha interno de campanha ou se avançará para uma ruptura política entre duas legendas que chegaram às urnas dividindo a mesma chapa para comandar Mato Grosso.