EMBATE ELEITORAL

Após ordem do TRE, Abílio explica e reafirma fala que liga eleitores de Lula a crime, drogas e aborto

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Após ordem do TRE, Abílio explica e reafirma fala que liga eleitores de Lula a crime, drogas e aborto

JB News

Por Nayara Cristina

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a defender as declarações que levaram a Justiça Eleitoral a determinar a retirada de uma publicação de suas redes sociais na qual ele relacionava parte do eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a presos, integrantes de facções criminosas, usuários de drogas e defensores do aborto.

A controvérsia começou com declarações dadas por Abílio durante entrevista no dia 7 de setembro, quando ele foi questionado sobre o desempenho eleitoral de Lula nas pesquisas para a Presidência. Na ocasião, o prefeito associou a pontuação do petista à existência, no país, de pessoas presas, monitoradas por tornozeleira eletrônica, dependentes químicos e integrantes de facções.

A publicação acabou sendo questionada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O juiz auxiliar da propaganda eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado, concedeu liminar determinando que Abílio retirasse o vídeo do Instagram no prazo de 24 horas. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil.

Na decisão, o magistrado considerou que a publicação ultrapassou os limites da crítica política ao associar de maneira generalizada eleitores de um grupo político à criminalidade e ao uso de drogas. A decisão menciona uma estratégia de “estigmatização coletiva” e destaca que, após as declarações, o conteúdo também apresentava pedidos de voto para candidatos adversários do PT.

Nesta quarta-feira (16), ao ser questionado sobre o episódio, Abílio afirmou que sua manifestação original ocorreu justamente quando comentava o percentual de Lula nas pesquisas eleitorais.

“Eu tinha dito que o Lula tinha um número expressivo de quantidade de indicação de voto nas pesquisas, tendo em vista que aumentou significativamente o número de tornozelados, de dependentes químicos, de apoiadores do aborto, de pessoas envolvidas com promiscuidade, drogas e etc.”, declarou.

O prefeito sustentou ainda que parte do material posteriormente incorporado ao vídeo não teria sido produzido por ele. Segundo Abílio, uma segunda gravação mostrava outra pessoa entrevistando eleitores e perguntando os motivos pelos quais pretendiam votar no petista.

“Quem fez a pergunta para essas pessoas, o motivo delas quererem Lula, foi outra pessoa, não eu”, afirmou.

Mesmo diante da decisão, Abílio manteve o teor político de seu argumento. Durante a entrevista, questionou em quem votariam pessoas ligadas a facções, dependentes químicos, pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica e eleitores favoráveis ao aborto.

Abílio também afirmou que circulam vídeos mostrando integrantes de facções no Rio de Janeiro tentando interferir na escolha eleitoral e atribuiu essa atuação a favor de Lula. Na entrevista, porém, não apresentou informações que permitissem verificar a origem ou o contexto dessas gravações, de modo que a afirmação permanece como declaração do prefeito.

“Hoje você vê diversos vídeos, por exemplo no Rio de Janeiro, de faccionados proibindo votar no candidato Bolsonaro e definindo que tem que votar no Lula”, disse.

Apesar de reafirmar sua posição, Abílio disse que pretende cumprir as determinações judiciais.

“Nós vamos defender, vamos discutir, e é isso. A Justiça manda tirar, a gente tira, não tem problema”, declarou.

A discussão jurídica, porém, não está encerrada.

Além da representação que resultou na liminar do TRE-MT, a coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a candidatura de Lula, também levou o episódio ao Tribunal Superior Eleitoral. Nessa segunda frente, os advogados alegam propaganda eleitoral negativa irregular e pedem aplicação de multa de até R$ 30 mil contra Abílio. O caso está sob relatoria do ministro Nunes Marques, e o prefeito foi citado para apresentar defesa.

No processo que tramita em Mato Grosso, a decisão também estabeleceu um limite importante: o juiz não impôs uma proibição genérica para que Abílio volte a tratar do assunto ou publique manifestações semelhantes. O magistrado entendeu que uma vedação antecipada e abrangente poderia configurar censura prévia e determinou que eventuais novos conteúdos sejam analisados individualmente pela Justiça Eleitoral.

O processo ainda seguirá para defesa de Abílio e manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da análise definitiva do mérito.

Portanto, até este momento, o episódio não resultou em condenação definitiva do prefeito. O que existe é uma decisão liminar determinando a remoção de uma publicação específica, sob pena de multa diária, enquanto as duas disputas judiciais seguem em andamento.

A reação de Abílio deixa claro, entretanto, que a discussão que começou em suas redes sociais entrou definitivamente no campo jurídico da campanha presidencial de 2026.

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