RISCO de vida NA BR-163

BR-163 corta Nobres ao meio, põe vidas em risco e moradores cobram viaduto para ligar os dois lados da cidade durante audiência pública

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BR-163 corta Nobres ao meio, põe vidas em risco e moradores cobram viaduto para ligar os dois lados da cidade durante audiência pública

Por José Teixeira

Audiência pública na Assembleia Legislativa expõe riscos enfrentados por estudantes, trabalhadores e ciclistas; município de quase 16 mil habitantes depende da rodovia para movimentar mineração, indústria, agropecuária, comércio e turismo.

A falta de uma travessia segura na BR-163/364, em Nobres, a aproximadamente 140 quilômetros de Cuiabá, transformou-se em um problema de mobilidade urbana, segurança pública e desenvolvimento econômico. Moradores precisam enfrentar diariamente o intenso movimento de caminhões, ônibus e veículos de passeio para chegar ao trabalho, às escolas, ao comércio e aos serviços de saúde. A principal reivindicação é a construção de um viaduto que permita integrar as duas partes da cidade e reduzir os riscos de atropelamentos e acidentes.

O problema foi discutido durante audiência pública realizada na quarta-feira (21 de outubro de 2026), na Câmara Municipal de Nobres, por iniciativa do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), em parceria com a Prefeitura.

A reunião contou com a participação de moradores, vereadores, representantes da administração municipal e profissionais envolvidos na elaboração de uma proposta de intervenção na rodovia.

A principal reivindicação da população é a implantação de um viaduto nas proximidades do Posto Xaxim, no bairro Jardim Petrópolis, com acessos integrados às ruas municipais.

A estrutura deverá ser concebida para reorganizar o fluxo de veículos e melhorar a segurança de pedestres e ciclistas, mas as características definitivas ainda dependem da conclusão dos estudos técnicos.

A necessidade de intervenção ganhou força após a duplicação da rodovia, que ampliou a capacidade de circulação de veículos e melhorou as condições de transporte de cargas, mas também tornou mais complexa a travessia de moradores entre os dois lados da cidade.

A BR-163 é considerada um dos principais corredores logísticos de Mato Grosso, fundamental para o transporte de produtos agropecuários, insumos industriais, mercadorias e passageiros.

A intensa movimentação de carretas se soma ao tráfego urbano, criando situações de risco principalmente nos horários de entrada e saída das escolas e durante o deslocamento de trabalhadores.

Durante a audiência, o deputado Gilberto Cattani defendeu que os investimentos em infraestrutura rodoviária precisam levar em consideração as comunidades localizadas às margens das estradas.

“Quando você duplica a rodovia, além de você poder aumentar a trafegabilidade e até um pouco a velocidade dos veículos, você impossibilita que essas pessoas possam atravessar a pé as rodovias”, afirmou.

O parlamentar argumentou que a construção de uma passarela isolada não resolveria integralmente a situação, porque o município também precisa garantir a circulação de motocicletas, automóveis, veículos de transporte escolar e outros meios utilizados pela população.

O problema foi detalhado pelo servidor público Sebastião de Oliveira, morador do Jardim Petrópolis. Ele relatou que precisa atravessar a BR-163 aproximadamente quatro vezes por dia e que, dependendo da movimentação, cada travessia pode exigir entre cinco e dez minutos.

A situação se torna ainda mais preocupante nos horários de maior movimento, quando estudantes e trabalhadores disputam espaço com caminhões e veículos que circulam pela rodovia.

Sebastião também mencionou um atropelamento recente na região, reforçando a necessidade de uma intervenção que ofereça condições mais seguras para a população.

Apesar dos relatos apresentados, não foi divulgado durante a audiência um levantamento consolidado com o número de acidentes, pessoas feridas e mortes no trecho específico da reivindicação.

A vereadora Eva Valdinéia Pereira também chamou a atenção para o histórico de atropelamentos e para o grande movimento de caminhões ligados às atividades econômicas locais.

Nobres possui características econômicas que tornam a infraestrutura rodoviária especialmente importante. Segundo o IBGE, o município registrou 15.492 habitantes no Censo de 2022 e população estimada em 15.838 pessoas em 2026.

O Produto Interno Bruto per capita alcançou R$ 96.343,48 em 2023, indicador que demonstra a dimensão da atividade econômica municipal, mas não representa a renda média efetivamente recebida pelos moradores.

A economia de Nobres está fortemente relacionada à mineração, à indústria de cimento e calcário, à agropecuária e ao setor de serviços.

O transporte desses produtos exige movimentação constante de caminhões, que utilizam as rodovias para abastecer outras regiões de Mato Grosso e mercados consumidores.

Ao mesmo tempo, trabalhadores, comerciantes, estudantes e moradores dependem dos acessos urbanos para desenvolver suas atividades cotidianas.

Essa combinação faz com que o problema da travessia ultrapasse a questão viária. A dificuldade de deslocamento interfere no acesso aos serviços públicos, no funcionamento do comércio e na integração entre diferentes regiões da cidade.

A construção de uma ligação segura poderá reduzir conflitos entre o tráfego local e o transporte rodoviário de longa distância, além de melhorar o deslocamento de consumidores e trabalhadores.

O turismo também representa uma atividade importante para Nobres. O município é conhecido pelos rios de águas cristalinas, cachoeiras, cavernas e atrações naturais, especialmente na região de Bom Jardim.

Em 2020, Nobres recebeu oficialmente o título de Capital Mato-Grossense do Ecoturismo Sustentável, reconhecimento que reforça o potencial de desenvolvimento econômico associado às atividades turísticas.

O setor movimenta hospedagens, restaurantes, transportadores, guias, pequenos comerciantes e prestadores de serviços, atividades que dependem de boas condições de circulação e infraestrutura.

Nesse contexto, melhorar a segurança viária também significa contribuir para o crescimento econômico e para a qualidade de vida da população.

O prefeito José Domingos Fraga Filho (União Brasil) defendeu a construção do viaduto e afirmou que a reivindicação é antiga, principalmente entre os moradores do bairro Jardim Petrópolis.

Ele argumentou que Nobres precisa receber investimentos semelhantes aos realizados em outros municípios cortados pela BR-163, onde foram implantadas estruturas como viadutos, passarelas e trincheiras.

A expectativa da administração municipal é buscar apoio da Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela rodovia, para viabilizar uma solução definitiva.

A concessionária administra um sistema rodoviário de aproximadamente 850,9 quilômetros em Mato Grosso, abrangendo um dos principais corredores de transporte do estado.

Durante a audiência, a engenheira civil Silveth Xavier apresentou informações sobre a proposta elaborada pela Prefeitura, que prevê uma intervenção nas proximidades do Posto Xaxim, com integração às vias municipais.

O projeto ainda está em desenvolvimento e poderá receber adequações de acordo com os estudos técnicos e as contribuições apresentadas pela comunidade.

Até o momento, não há confirmação pública de orçamento definitivo, cronograma de execução, fonte de financiamento assegurada ou autorização para início da obra.

A construção de uma estrutura dessa dimensão exige estudos de engenharia, avaliação de impactos sobre o tráfego, definição dos acessos, sinalização, drenagem, iluminação e condições de segurança.

Também será necessário estabelecer quem assumirá os custos e quais instituições ficarão responsáveis pela execução e fiscalização.

A reivindicação possui uma dimensão social relevante. Para estudantes, a travessia representa o acesso à escola. Para trabalhadores, significa chegar ao emprego. Para idosos e pacientes, pode interferir no deslocamento até unidades de saúde.

A dificuldade de circulação também atinge ciclistas, motociclistas e pessoas com deficiência, exigindo que uma solução definitiva considere diferentes formas de mobilidade.

Enquanto o viaduto não é viabilizado, a avaliação de medidas de segurança no trecho poderá indicar alternativas para reduzir os riscos, incluindo sinalização, iluminação e reorganização de pontos de travessia, conforme autorização dos órgãos responsáveis.

Como encaminhamento da audiência, Gilberto Cattani anunciou que a Assembleia Legislativa apresentará requerimentos e indicações relacionados à travessia urbana e buscará articulação com a Prefeitura e a Nova Rota do Oeste.

O parlamentar também mencionou o apoio do senador Cidinho Santos à reivindicação e a necessidade de ampliar o diálogo com a concessionária para discutir a viabilidade do investimento.

A atuação da Assembleia terá caráter de articulação política, acompanhamento e cobrança dos encaminhamentos. A realização da audiência, por si só, não representa aprovação de recursos nem contratação da obra.

A situação de Nobres revela um problema enfrentado por municípios que cresceram ao longo de grandes corredores logísticos. Embora as rodovias sejam fundamentais para o desenvolvimento econômico, sua ampliação precisa ser acompanhada de soluções que garantam a integração das comunidades e a segurança dos moradores.

No caso de Nobres, a movimentação de cargas minerais, produtos agrícolas, mercadorias e veículos ligados ao turismo aumenta a importância estratégica da rodovia, mas também reforça a necessidade de separar adequadamente o tráfego de longa distância dos deslocamentos urbanos.

Para os moradores do Jardim Petrópolis e de outras regiões que precisam atravessar diariamente a BR-163, o problema é imediato: conseguir chegar ao trabalho, à escola ou a uma unidade de saúde sem colocar a própria vida em risco.

A audiência realizada em 21 de outubro colocou a reivindicação na agenda política e administrativa. Agora, a população espera que a mobilização resulte em compromissos concretos, com projeto definido, recursos assegurados e cronograma de execução.

O desafio será transformar a cobrança por um viaduto em uma intervenção capaz de conciliar crescimento econômico, desenvolvimento urbano e segurança viária, garantindo que a rodovia responsável por movimentar riquezas também ofereça condições adequadas de deslocamento aos moradores de Nobres.