SAÚDE PÚBLICA

Abilio inaugura USF “Padrão Particular” no Dr. Fábio e expõe obras paradas há 12 anos em Cuiabá

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Abilio inaugura USF “Padrão Particular” no Dr. Fábio e expõe obras paradas há 12 anos em Cuiabá

JB News

Por Nayara Cristina

Prefeito promete atendimento com padrão de unidade particular, cobra solução para obras abandonadas desde 2014 e afirma que recursos federais antigos não cobrem mais os custos das construções.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), inaugurou nesta sexta-feira (23 de outubro de 2026) a Unidade de Saúde da Família (USF) Doutor Fábio, na região Leste da capital, e aproveitou a entrega para apresentar os desafios enfrentados pela administração municipal na recuperação da rede de atenção básica. Além de defender um novo padrão de atendimento à população, o prefeito revelou dificuldades para retomar obras de unidades de saúde iniciadas há 12 anos e que permanecem inacabadas, especialmente nos bairros Doutor Fábio II e Real Parque.

A unidade revitalizada está localizada na Rua Sapezal, no bairro Doutor Fábio Leite, e atende uma região com população estimada em aproximadamente 16 mil moradores. Os serviços começaram no dia 19 de outubro, quatro dias antes da inauguração oficial, após aproximadamente dois meses de intervenções iniciadas em agosto.

Durante entrevista concedida na solenidade, Abilio afirmou que a reforma integra um conjunto de ações destinadas a recuperar unidades básicas de saúde de diferentes regiões de Cuiabá, com atenção não apenas à estrutura física, mas também às condições de atendimento oferecidas aos pacientes.

Segundo o prefeito, a proposta é superar o modelo de unidades públicas com instalações deterioradas, equipamentos inadequados e ambientes desconfortáveis, aproximando a experiência dos usuários do SUS daquela oferecida em estabelecimentos privados.

“Essa unidade básica de saúde faz parte de um catálogo de unidades que a gente está trabalhando com a reforma. E essa reforma nós temos o foco tanto na recuperação da área degradada, ou seja, aqui tinha um piso destruído e tudo mais, quanto criar uma ambiência adequada”, declarou.

Abilio argumentou que a qualidade das instalações influencia diretamente a experiência dos pacientes e as condições de trabalho dos profissionais. Para ele, espaços organizados, confortáveis e bem equipados contribuem para um atendimento mais adequado.

“Aqui a gente está colocando um atendimento com característica de unidade particular. As pessoas entrarem ali, elas vão ver uma recepção com qualidade particular, com tudo mais. Agora o atendimento também tem que ter a qualidade de um particular. E é isso que a gente está buscando, não só recuperar a unidade, mas também melhorar o atendimento”, afirmou.

A revitalização contemplou melhorias na estrutura física, recuperação de ambientes deteriorados, instalação de novos materiais, cadeiras e equipamentos, além da reorganização de espaços destinados ao acolhimento dos pacientes.

A USF Doutor Fábio possui consultório odontológico e equipes de Saúde da Família compostas por médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, cirurgiões-dentistas, profissionais de saúde bucal e agentes comunitários.

Esses profissionais são responsáveis pelo acompanhamento das famílias, consultas, ações preventivas, orientação sobre doenças crônicas e encaminhamento de pacientes que necessitam de atendimento especializado.

A atenção primária representa a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde e desempenha papel fundamental na identificação precoce de doenças, acompanhamento de gestantes, vacinação, saúde infantil e assistência a pessoas com hipertensão e diabetes.

Durante a inauguração, Abilio reconheceu o trabalho da equipe municipal de saúde e destacou a participação da secretária Deisi Bocalon, da responsável pela atenção primária, Sinara, e de Cristiane, mencionada na área de saúde bucal.

O prefeito ressaltou, entretanto, que a recuperação da USF Doutor Fábio representa apenas uma etapa do trabalho necessário para melhorar a infraestrutura da rede pública.

“Mas não basta só a unidade do Dr. Fábio. Tem que arrumar o Altasserra, tem que arrumar o Dr. Fábio 2”, afirmou.

A declaração abriu espaço para uma discussão sobre obras públicas que permanecem paralisadas há mais de uma década e cuja retomada enfrenta dificuldades financeiras e administrativas.

Segundo Abilio, a construção da unidade Doutor Fábio II está paralisada desde 2014, situação semelhante à do Real Parque. O prefeito afirmou que parte desses empreendimentos foi iniciada com recursos federais que, ao longo dos anos, perderam a capacidade de financiar integralmente as obras previstas.

“Dr. Fábio 2 é uma obra parada de 2014, assim como o Real Park também é uma obra parada de 2014. Eles pegavam, iniciavam as obras, pegavam recursos, não terminavam a obra e hoje o recurso daquela época não dá mais para fazer”, declarou.

O prefeito explicou que um dos principais obstáculos é a diferença entre os valores originalmente previstos e os custos atuais da construção civil.

Na avaliação dele, a inflação acumulada, a elevação dos preços dos materiais, da mão de obra e dos serviços especializados tornaram insuficientes os recursos reservados para empreendimentos contratados há mais de uma década.

“Se em 2014 dava para fazer a obra com 150 mil reais, hoje essa obra é de um milhão de reais. A inflação, os valores, tudo mudou”, afirmou.

A comparação apresentada pelo prefeito foi utilizada para ilustrar a defasagem financeira enfrentada pela administração municipal. Os valores citados não foram acompanhados, na entrevista, de planilhas atualizadas dos contratos específicos das unidades Doutor Fábio II e Real Parque.

Abilio também criticou a ausência de complementação de recursos federais para determinadas obras antigas. Segundo ele, a Prefeitura encontra dificuldades para executar construções com os valores originalmente disponibilizados pelo governo federal em 2014.

“Então a gente não consegue executar obras de 2014 com recursos disponibilizados pelo governo federal de 2014. Mas o governo federal não aporta novos recursos para a obra”, declarou.

Diante desse cenário, o prefeito afirmou que a administração considera a possibilidade de devolver recursos federais vinculados a empreendimentos antigos e iniciar novos procedimentos licitatórios, utilizando valores atualizados.

“Provavelmente muitas dessas obras terá de ser feita a devolução do dinheiro da época e startar uma nova licitação com recursos novos”, explicou.

A eventual devolução dos recursos, entretanto, ainda foi apresentada como possibilidade, não como decisão formalizada. Cada empreendimento precisará passar por análise técnica, financeira e jurídica para definir se será possível retomar o contrato existente ou se haverá necessidade de novo procedimento.

O problema envolve também a responsabilidade administrativa sobre obras iniciadas em gestões anteriores. Empreendimentos paralisados podem apresentar deterioração das estruturas, necessidade de atualização de projetos, revisão dos custos e exigências adicionais para adequação às normas técnicas vigentes.

A realização de novas licitações poderá demandar recursos municipais, estaduais ou federais, além de projetos atualizados e autorização dos órgãos responsáveis.

Para os moradores das comunidades atingidas, a demora representa mais do que um problema de construção civil. Unidades inacabadas dificultam a ampliação da rede assistencial e podem obrigar pacientes a buscar atendimento em bairros mais distantes.

A necessidade de deslocamento também pode comprometer o acompanhamento de idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas, que dependem de consultas e procedimentos periódicos.

A revitalização da USF Doutor Fábio integra uma estratégia mais ampla de recuperação de unidades de saúde da capital.

Somente em 2026, a Prefeitura informou ter entregue melhorias nas unidades Jardim Passaredo, Pedregal, Praeiro e Araés. Também foram anunciadas intervenções em outras estruturas, como as unidades Santa Amália/Jardim Araçá e Santa Maria.

O objetivo declarado pela administração é recuperar prédios deteriorados, melhorar as condições de trabalho dos servidores e oferecer ambientes adequados para os usuários da rede municipal.

A entrega da unidade Doutor Fábio também reforça a necessidade de avaliar a qualidade dos serviços prestados após as reformas. A melhoria das instalações físicas representa uma etapa do processo, mas o atendimento depende igualmente da disponibilidade de profissionais, medicamentos, exames e organização das consultas.

O próprio prefeito reconheceu essa diferença ao afirmar que uma recepção com aparência de unidade particular precisa ser acompanhada de atendimento com qualidade equivalente.

Outro problema mencionado durante a entrevista foi a procura por atestados médicos nas unidades de saúde. Questionado se a administração havia conseguido conter essa prática, Abilio respondeu que a situação continua.

“Continua”, afirmou o prefeito.

A declaração foi breve e não apresentou números sobre a quantidade de atendimentos relacionados à solicitação de atestados, nem detalhes sobre medidas específicas adotadas pela Secretaria Municipal de Saúde.

A questão integra o desafio de organizar a demanda das unidades básicas, garantindo que os profissionais tenham condições de atender pacientes que necessitam de consultas, acompanhamento preventivo e tratamento de doenças.

Com a inauguração da USF Doutor Fábio, a Prefeitura amplia a recuperação da infraestrutura da atenção primária, mas ainda enfrenta o desafio de concluir obras antigas e assegurar que os investimentos resultem em melhorias efetivas no atendimento.

A situação das unidades Doutor Fábio II e Real Parque evidencia um problema administrativo que ultrapassa uma única gestão: contratos antigos, recursos financeiros defasados e construções que permanecem sem conclusão por mais de uma década.

A partir das declarações do prefeito, a expectativa é que a administração apresente soluções para esses empreendimentos, definindo quais obras poderão ser retomadas e quais dependerão de novos projetos e licitações.

Para a população da região Leste, a entrega da USF Doutor Fábio representa a recuperação de um espaço essencial para o atendimento cotidiano. Para a administração municipal, a solenidade também serviu para expor a dimensão do trabalho necessário para recuperar uma rede de saúde que ainda possui estruturas deterioradas e obras inacabadas.

O desafio anunciado por Abilio é fazer com que a recuperação dos prédios venha acompanhada de mudanças concretas na assistência, garantindo que os moradores encontrem não apenas unidades reformadas, mas também atendimento médico eficiente, profissionais disponíveis e continuidade no cuidado com a saúde.

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