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Por Nayara Cristina
Joilson Bonifácio estava preso preventivamente pelo assassinato de Conceição Moreira, de 31 anos, em Chapada dos Guimarães. Mulher deixou três filhos e havia conseguido medida protetiva 12 dias antes de ser morta.
Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, acusado de assassinar a ex-companheira Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, com aproximadamente 16 golpes de faca, foi encontrado morto na manhã deste sábado (17 de outubro de 2026), dentro de uma cela da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. A morte ocorreu exatamente uma semana depois do feminicídio que provocou comoção em Chapada dos Guimarães.
De acordo com informações preliminares repassadas à reportagem, Joilson foi localizado sem vida dentro da cela onde estava recolhido. Ele estaria sozinho no ambiente no momento em que foi encontrado. A suspeita inicial é de que não tenha havido participação de outras pessoas na morte, mas essa hipótese ainda depende de confirmação por meio das investigações e dos exames periciais.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa da morte, nem informações conclusivas sobre as condições em que o corpo foi encontrado. A ocorrência deverá ser apurada pelas autoridades responsáveis, com a realização dos procedimentos periciais necessários para determinar as circunstâncias do óbito.
Joilson estava preso desde a noite de sábado (10), quando foi detido após o assassinato de Conceição Moreira da Silva, ocorrido em Chapada dos Guimarães, município localizado a aproximadamente 65 quilômetros de Cuiabá.
O feminicídio aconteceu por volta das 21h, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo, no bairro São Sebastião. Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta para uma pizzaria quando foi surpreendida pelo ex-companheiro.
Conforme os registros policiais, o homem teria aguardado a passagem da vítima e iniciado o ataque em via pública. Conceição foi derrubada e atingida por aproximadamente 16 golpes de faca, sofrendo ferimentos graves.
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após testemunhas informarem que uma mulher estava sendo atacada com uma arma branca.
Quando os policiais chegaram à região, encontraram o suspeito contido por moradores que presenciaram o episódio. Joilson apresentava ferimentos pelo corpo e um corte na cabeça, atribuídos à reação de populares após o ataque.
A faca apontada como instrumento utilizado no crime foi localizada nas proximidades e apreendida para investigação.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou socorro a Conceição, que foi encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
O caso foi registrado no boletim de ocorrência nº 2026.343185 e passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
VÍTIMA TINHA MEDIDA PROTETIVA E HAVIA DENUNCIADO AMEAÇAS
Um dos aspectos mais graves do caso é que Conceição já havia procurado as autoridades para denunciar ameaças praticadas pelo ex-companheiro.
No dia 28 de setembro de 2026, apenas 12 dias antes de ser assassinada, a mulher obteve uma medida protetiva de urgência contra Joilson, depois de relatar episódios de violência e intimidação.
Conforme informações divulgadas sobre o procedimento policial, Conceição havia retornado à residência onde morava com o ex-companheiro para buscar pertences pessoais, acompanhada de dois irmãos.
Durante a situação, Joilson teria se armado com uma faca e ameaçado a mulher. Os familiares intervieram e impediram que ela fosse atingida.
Após o episódio, Conceição procurou a delegacia e formalizou a denúncia por ameaça no contexto de violência doméstica. O registro apontava situação de risco grave à integridade da vítima.
Apesar da medida protetiva, a mulher acabou assassinada menos de duas semanas depois.
Informações levantadas durante a investigação indicaram que o suspeito não aceitava o término do relacionamento e vinha perseguindo a ex-companheira.
Conceição era mãe de três filhos, que ficaram órfãos de mãe após o feminicídio.
A morte provocou manifestações de indignação em Chapada dos Guimarães. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher lamentou o assassinato e questionou a efetividade da proteção oferecida à vítima depois das denúncias anteriores.
JUSTIÇA HAVIA DECRETADO PRISÃO PREVENTIVA
Depois de ser preso em flagrante pela Polícia Militar no dia 10 de outubro, Joilson foi encaminhado à delegacia para os procedimentos legais.
No domingo (11), durante audiência de custódia, o juiz plantonista André Barbosa Guanaes Simões converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
Com a decisão, o acusado permaneceu à disposição da Justiça enquanto prosseguiam os procedimentos relacionados ao feminicídio.
A prisão preventiva é uma medida cautelar que permite a manutenção do investigado sob custódia quando presentes os requisitos previstos na legislação processual penal. Ela não representa condenação definitiva.
Joilson aguardava o andamento do processo criminal quando foi encontrado morto neste sábado.
Com a morte do acusado, a Justiça poderá reconhecer a extinção da punibilidade em relação a ele, conforme previsto no artigo 107, inciso I, do Código Penal, depois da comprovação formal do óbito. Isso não impede a apuração de eventuais responsabilidades de outras pessoas, caso sejam identificadas.
MORTE DENTRO DA CELA SERÁ INVESTIGADA
A descoberta do corpo dentro da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas abre uma nova frente de investigação, desta vez para esclarecer o que aconteceu durante o período em que Joilson estava sob custódia do Estado.
Os procedimentos deverão buscar esclarecer o horário aproximado da morte, as condições de permanência do detento na unidade prisional e a eventual existência de elementos que indiquem participação de terceiros.
A perícia médico-legal será fundamental para determinar a causa do óbito. Também poderão ser analisados registros internos da unidade, informações de servidores penitenciários e outros elementos relacionados à rotina de custódia.
O fato de Joilson ter sido encontrado sozinho na cela não permite, por si só, estabelecer a causa da morte nem concluir antecipadamente pela ausência de participação de terceiros.
A investigação deverá distinguir as hipóteses levantadas inicialmente dos resultados dos exames técnicos e das informações oficialmente apuradas.
O episódio ocorre sete dias depois de um feminicídio que expôs a gravidade da violência doméstica e reacendeu questionamentos sobre a proteção de mulheres ameaçadas por antigos companheiros.
Conceição Moreira da Silva havia denunciado as ameaças, conseguido uma medida protetiva e buscado se afastar do relacionamento. Mesmo assim, foi assassinada enquanto circulava de bicicleta por uma rua de Chapada dos Guimarães.
Agora, com a morte do principal acusado dentro de uma unidade prisional, as autoridades terão de esclarecer também as circunstâncias do falecimento ocorrido sob custódia estatal.
Até a conclusão dos procedimentos oficiais, a causa da morte de Joilson permanece indeterminada.