Abílio critica “uso político” em protesto de agentes de endemias em Cuiabá e diz que decisão judicial será cumprida, VEJA O VÍDEO

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Abílio critica “uso político”  em protesto de agentes de endemias em Cuiabá e diz que decisão judicial será cumprida, VEJA O VÍDEO
JB News por Nayara Cristina Uma confusão generalizada marcou a manhã desta segunda-feira (29), em frente à Prefeitura de Cuiabá, durante um protesto realizado por agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate a endemias (ACE). A manifestação, que reuniu cerca de 50 profissionais, foi motivada principalmente por insatisfações com cortes no adicional de insalubridade e reivindicações relacionadas à valorização da categoria. O principal foco da revolta é a redução dos percentuais pagos no adicional de insalubridade, que sofreu cortes neste mês de março de 2026. Segundo relatos, alguns servidores tiveram redução de 10%, outros de 20%, o que gerou forte indignação entre os trabalhadores. O clima de tensão aumentou quando o prefeito Abílio Brunini foi até o local e passou a dialogar diretamente com os manifestantes. Durante a conversa, marcada por momentos de pressão e interrupções, o prefeito criticou duramente o que classificou como tentativa de politização do movimento. “Transformar isso em uma causa política, eu não participarei. Estou aqui olhando para vocês, pronto para conversar”, afirmou. Abílio reforçou que não foi responsável pela definição dos novos percentuais e explicou que a revisão decorre de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público ainda em 2023, antes de sua gestão. O prefeito também destacou limitações legais para interferir nos laudos técnicos que definem os níveis de insalubridade. Segundo ele, a decisão sobre os percentuais não cabe ao gestor municipal. “Eu não posso chegar para o médico do trabalho e dizer quanto cada um deve receber. Legalmente, não posso fazer isso. Assim como não posso entrar numa unidade de saúde e determinar qual receita o médico deve dar”, disse. Apesar de reconhecer a importância do trabalho dos agentes e afirmar, inclusive, que entende que a atividade justificaria o pagamento máximo de 40% de insalubridade, Abílio ressaltou que precisa cumprir os trâmites legais e técnicos. “Ao meu entender, é 40%, mas decisão judicial não se discute, se cumpre”, pontuou, ao explicar que qualquer ajuste dependerá de revisão técnica dos laudos e de parecer jurídico. A Prefeitura informou, por meio de nota, que a revisão dos adicionais foi baseada em laudos técnicos atualizados, elaborados após determinação do Ministério Público. O município destacou ainda que o descumprimento poderia resultar em responsabilização por improbidade administrativa. No caso específico dos agentes de endemias, a redução de 40% para 20% teria ocorrido por falta de comprovação de exposição contínua a agentes insalubres em nível máximo. A gestão também afirmou que os produtos utilizados, como larvicidas, são considerados seguros e não oferecem risco elevado à saúde. Além disso, a administração municipal destacou ações voltadas à valorização da categoria, como fornecimento de equipamentos de proteção individual, uniformes e protetor solar. Sobre o vale-transporte, informou que não há previsão legal para concessão nos moldes reivindicados pelos servidores. Apesar das explicações, a tensão permanece. A medida que reduziu os percentuais chegou a ser suspensa pela Justiça, o que mantém o impasse entre a categoria e a Prefeitura. Durante o encontro, Abílio garantiu que a decisão judicial será cumprida, ainda que seja necessário realizar pagamentos complementares em folha. Também afirmou que pretende avançar nas discussões do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) ainda neste ano. O episódio expõe um cenário de desgaste entre servidores e gestão municipal, em meio a um tema sensível que envolve remuneração, condições de trabalho e reconhecimento profissional, e que deve continuar no centro do debate nos próximos dias. Veja : [playlist type="video" ids="386795"]