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Por Emerson Teixeira
Prefeito afirma que cumpriu suas obrigações legais, responsabiliza impasse político pela paralisação do orçamento de R$ 5,73 bilhões e cobra posicionamento dos parlamentares: “Tenha lado, tenha posição. Não fique em cima do muro”
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que somente encaminhará uma nova proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 à Câmara Municipal quando houver condições políticas para estabelecer um diálogo produtivo com os vereadores. A declaração foi dada na quinta-feira, 8 de outubro, após a presidente do Legislativo, Paula Calil (PL), suspender a tramitação do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), que prevê aproximadamente R$ 5,73 bilhões para o próximo exercício financeiro.
Em meio ao desgaste político provocado pela eleição da nova Mesa Diretora da Câmara e pelas disputas eleitorais estaduais, Abilio atribuiu o impasse aos próprios parlamentares e sustentou que a Prefeitura cumpriu suas obrigações ao encaminhar as propostas orçamentárias dentro dos prazos legais.
“Eles que criaram essa circunstância, né? A minha obrigação legal é enviar a LOA, cumprir. A minha obrigação legal é enviar a LDO, cumprir. Agora é aguardar o momento certo, que tiver um diálogo produtivo entre o Legislativo e o Executivo. Se isso não ocorrer, a gente não envia. Quando ocorrer, a gente envia”, declarou o prefeito.
A manifestação ocorre depois que a Câmara decidiu interromper a análise da LOA de 2027, encaminhada pelo Executivo em 30 de setembro. A suspensão foi anunciada oficialmente por Paula Calil durante a sessão ordinária de 8 de outubro, sob a justificativa de que a Casa não poderia avançar na apreciação da proposta orçamentária sem a aprovação prévia da LDO, responsável por estabelecer as prioridades e diretrizes para a elaboração e execução do orçamento municipal.
A proposta original da LDO chegou a receber pareceres favoráveis nas comissões e foi aprovada em primeira votação, mas acabou rejeitada pelo plenário em 16 de julho. Na ocasião, o texto recebeu 12 votos favoráveis e oito contrários, número insuficiente para alcançar a maioria absoluta de 14 votos necessária à aprovação.
Com a rejeição, o Executivo passou a enfrentar a necessidade de encaminhar uma nova proposta para restabelecer o andamento regular do planejamento financeiro do município.
O orçamento previsto para 2027 é de R$ 5.739.412.807,57 e contempla a programação de receitas e despesas da administração municipal, incluindo investimentos e gastos com saúde, educação, infraestrutura, assistência social, manutenção dos serviços públicos e funcionamento da máquina administrativa.
A paralisação da tramitação orçamentária amplia a pressão sobre a relação institucional entre Prefeitura e Câmara, especialmente porque a aprovação das peças financeiras é fundamental para assegurar o planejamento das ações governamentais no próximo ano.
Apesar do impasse, Abilio demonstrou acreditar que o ambiente político poderá melhorar depois de superadas as disputas eleitorais. Segundo ele, o Legislativo ainda enfrenta os reflexos das eleições estaduais e da escolha da nova direção da Câmara.
“Não, nós estamos aguardando. Tudo é muito recente, acabou o processo da mesa agora, tá num processo agora de ressaca do processo eleitoral, dos dois processos eleitorais, tanto do processo estadual quanto do processo da mesa diretora. Então acredito que daqui umas duas, três semanas comece o diálogo de volta entre o Legislativo e o Executivo”, afirmou.
A previsão do prefeito, feita em 8 de outubro, aponta para uma possível retomada das conversas entre a segunda quinzena e o fim deste mês. Entretanto, ele não estabeleceu uma data para encaminhar novamente a LDO nem anunciou a existência de um acordo com os vereadores.
A situação também expõe as dificuldades enfrentadas pela administração municipal para reorganizar sua base política após a eleição da Mesa Diretora, marcada por articulações que evidenciaram a autonomia de parlamentares em relação ao Palácio Alencastro.
Durante a entrevista, Abilio também comentou a postura da vereadora Katiuscia Manteli, citada pelos jornalistas como uma parlamentar que havia declarado oposição à administração municipal, apesar de participar de agendas políticas ao lado de outras integrantes do Legislativo.
O prefeito associou o posicionamento da vereadora ao cenário de polarização política nacional e afirmou considerar natural que parlamentares com maior identificação com a esquerda se afastem de sua administração.
“A Catiuce se manifestou a favor do Flávio Bolsonaro? Não. A Catiuce é mais Lula. Então é natural que, no momento de clima que a gente tá tendo de discussão entre esquerda e direita, ela tem uma posição mais à oposição”, declarou.
Abilio também afirmou acreditar que outros vereadores evitam assumir publicamente suas preferências políticas e sugeriu que parte dos parlamentares já estaria preocupada com a disputa eleitoral municipal de 2028.
Segundo ele, a aproximação de determinados vereadores com o eleitorado de esquerda pode influenciar diretamente suas posições na Câmara e a relação com o Executivo.
O prefeito ainda criticou parlamentares que, em sua avaliação, procuram se beneficiar politicamente de diferentes grupos sem assumir compromissos públicos claros. Ao comentar uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro feita por vereadores, defendeu que os participantes assumam abertamente suas posições.
“Eu gostaria muito, por exemplo, de ver alguns desses vereadores botando a cara e declarando que apoia o Bolsonaro. Até porque, em 2028, vai ser usada essa imagem deles”, afirmou.
Abilio também mencionou o ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho e a ex-deputada estadual Janaína Riva ao argumentar que a falta de posicionamento político explícito pode provocar consequências eleitorais.
Na avaliação do prefeito, a indefinição diante de disputas polarizadas dificulta a identificação dos candidatos pelo eleitorado e pode representar um desgaste nas urnas.
“Eu percebo que outros candidatos, por exemplo a Janaína, você percebeu uma nítida posição dela? Não. Ela ali: ‘Ah, eu tenho eleitor da esquerda…’ Gente, entenda bem, ó: aos vereadores que buscarão uma reeleição, tenha lado, tenha posição. Não fique em cima do muro”, declarou.
As críticas de Abilio surgem justamente em um momento de reorganização política da Câmara Municipal, que terá de conciliar as disputas internas com a necessidade de apreciar projetos considerados essenciais para a administração da Capital.
A presidente Paula Calil, por sua vez, tem defendido a necessidade de entendimento institucional para permitir a retomada da análise orçamentária e evitar que o impasse entre os Poderes comprometa o planejamento dos serviços públicos.
Embora o prefeito tenha condicionado o reenvio da LDO à construção de um ambiente favorável ao diálogo, o Legislativo mantém a posição de que precisa de diretrizes orçamentárias aprovadas para dar continuidade à apreciação da LOA.
Dessa forma, a definição do orçamento de Cuiabá para 2027 permanece dependente de uma solução política e legislativa. Enquanto a Prefeitura aguarda uma recomposição do diálogo, a Câmara cobra o encaminhamento de uma nova LDO para destravar a análise dos R$ 5,73 bilhões previstos para o próximo ano.