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Por Nayara Cristina
Prefeito afirma que avanço de plataformas como Mercado Livre, Shopee, AliExpress e Shein mudou os hábitos dos consumidores; gestor defende calçadão, feira e polo gastronômico para revitalizar a região central
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), atribuiu a redução do movimento no comércio do Centro Histórico ao crescimento das compras pela internet e afirmou que a região precisa se reinventar para continuar atraindo consumidores. Ao abordar as reclamações sobre furtos e insegurança, o gestor responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu mudanças na política nacional de enfrentamento ao crime e à dependência química.
Em entrevista, Abilio sustentou que a crise enfrentada pelos comerciantes não é uma realidade exclusiva da capital mato-grossense. Segundo ele, o avanço de plataformas como Mercado Livre, Shopee, AliExpress e Shein modificou profundamente os hábitos de consumo, permitindo que os clientes encontrem preços menores e recebam os produtos sem sair de casa.
“Você compra pelo Mercado Livre? Você compra pela Shopee? Você compra pelo AliExpress? Você compra pela internet? Muitas vezes é muito mais barato do que comprar no Centro ou em qualquer outro lugar”, afirmou.
Para o prefeito, a comodidade das compras realizadas pelo celular reduziu a necessidade de deslocamento até as áreas comerciais tradicionais. Ele citou como exemplo a Rua 25 de Março, em São Paulo, que também teria registrado queda na circulação de consumidores.
“Isso acabou eliminando a modalidade de você ir a qualquer centro comercial. Não se aplica só a Cuiabá. Está acontecendo na 25 de Março e em qualquer outro centro comercial do país”, declarou.
Além da concorrência com o comércio eletrônico, Abilio reconheceu que o calor intenso de Cuiabá e a dificuldade para encontrar vagas de estacionamento também afastam parte dos consumidores. O estacionamento rotativo pago aparece, segundo ele, entre as reclamações apresentadas por quem frequenta a região.
Diante desse cenário, o prefeito defendeu que o Centro Histórico deixe de depender exclusivamente do comércio varejista e passe a oferecer novas experiências. Entre as propostas mencionadas estão a criação de um calçadão na Rua 13 de Junho, a realização de feiras e o fortalecimento da gastronomia e das atividades culturais e de lazer.
“Estou pronto para fazer um calçadão na 13 de Junho, fazer uma feira e reinventar esse Centro. Vamos trazer gastronomia e atividades diferentes. Se o Centro não se reinventar, ele vai estar fadado ao fracasso”, advertiu.
Questionado sobre as reclamações de comerciantes e clientes relacionadas a furtos e outros crimes, Abilio adotou um discurso mais político e afirmou que a insegurança não será resolvida enquanto Lula permanecer na Presidência da República.
“Enquanto o Lula estiver no poder, não tem nada o que fazer com a questão da insegurança. O pessoal fez o L no passado e colhe os frutos disso”, disse.
O prefeito relacionou parte das ocorrências no Centro Histórico à atuação de dependentes químicos em situação de rua. Segundo ele, há casos em que estabelecimentos são arrombados para a retirada de mercadorias de baixo valor, provocando prejuízos superiores ao preço dos produtos furtados.
“Muitas vezes, ele quebra a porta de uma loja para pegar um produto que não vale o valor da porta. Ou seja, o comerciante vira refém da situação”, declarou.
Abilio também alegou que suspeitos detidos por furtos são liberados rapidamente. Conforme o prefeito, mesmo com a atuação das forças policiais, a atual legislação dificultaria uma resposta mais rigorosa. Ele acusou o governo federal de manter uma postura favorável a facções criminosas e dependentes químicos, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.
“Enquanto o governo federal for parceiro do crime organizado, parceiro das facções criminosas e parceiro dos dependentes químicos, a gente fica refém de uma situação de insegurança”, afirmou.
O gestor ainda criticou as determinações judiciais que obrigam o poder público a garantir água, alimentação, abrigo, atendimento de saúde e locais para armazenamento de pertences da população em situação de rua. Na avaliação dele, essas políticas não seriam suficientes para retirar dependentes químicos das ruas e combater os delitos.
Abilio defendeu que pessoas envolvidas reiteradamente em crimes para sustentar o consumo de drogas sejam encaminhadas para tratamento, inclusive sem depender exclusivamente de manifestação voluntária. Para ele, quem permanece nas ruas com acesso às drogas e aos recursos obtidos por meio de furtos dificilmente procurará internação por iniciativa própria.
Ao citar a antiga Cracolândia de São Paulo, o prefeito afirmou que Cuiabá precisa construir uma atuação conjunta envolvendo Prefeitura, Governo do Estado, Ministério Público, Tribunal de Justiça e forças de segurança.
“Se ficar acreditando que só a Prefeitura vai fazer, não resolve. Aqui a gente precisa dessa parceria também”, ressaltou.
O prefeito disse que o município mantém equipes de saúde e assistência social nas ruas, além de oferecer passagens para pessoas que desejam retornar às cidades de origem. Na sequência, comparou os serviços destinados à população em situação de rua com as condições enfrentadas pelos trabalhadores, alegando que quem trabalha não recebe os mesmos benefícios.
“O trabalhador de verdade não tem almoço e jantar dados pela Prefeitura. O trabalhador de verdade não tem os benefícios de saúde na sua casa como a Prefeitura tem obrigação de oferecer para a população de rua”, concluiu.
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