DISPUTA
JB News
Por José Teixeira
A disputa pela Presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo ingrediente após o prefeito Abílio Brunini (PL) admitir publicamente que vê com preocupação a possibilidade de o grupo que apoia o vereador Ilde Taques (Podemos) assumir o comando do Legislativo.
Ao comentar o futuro da Mesa Diretora depois do novo revés judicial envolvendo a tentativa de viabilizar a recondução da atual presidente, Paula Calil (PL), Abílio afirmou que não considera Ilde, individualmente, uma ameaça à administração municipal. O problema, segundo ele, estaria na composição política do bloco que sustenta a candidatura do vereador.
“Não acredito que seja ele a ameaça. O grupo que está com ele é um problema, porque é um grupo de oposição. Então imagina um grupo de oposição tomando a presidência da Câmara. É um prejuízo para a nossa gestão, com certeza”, declarou o prefeito.
A manifestação ocorre justamente quando a disputa começa a entrar em uma fase decisiva. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a exigência de quórum de dois terços para alterações no Regimento Interno da Câmara, equivalente a 18 dos 27 vereadores. O julgamento no Órgão Especial acompanhou o entendimento da relatora, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, e manteve a negativa à medida cautelar pretendida pelo Município de Cuiabá.
A ação proposta pela Prefeitura questiona dispositivos do Regimento Interno que estabelecem o quórum qualificado para diferentes matérias. Politicamente, uma eventual derrubada dessa exigência poderia facilitar uma alteração nas regras da Mesa Diretora e abrir caminho para uma nova candidatura de Paula Calil à Presidência da Casa. Por enquanto, porém, a barreira dos 18 votos permanece.
Mesmo diante do cenário desfavorável no Judiciário, Abílio deixou claro que não pretende abandonar Paula.
“Ela vai lutar até o fim e nós vamos lutar junto com ela. E, ganhando, a gente continua com a Paula na Presidência da Câmara”, afirmou.
O prefeito disse ainda ter comunicado aos vereadores aliados que respeitará a decisão tomada pelo grupo.
“Eu falei para os vereadores: ‘O que vocês decidirem têm meu apoio’. Os vereadores lá estão bem consolidados, têm 13 votos dentro deles e estão tranquilos quanto a isso”, disse.
A declaração expõe também uma disputa paralela pelos números. Aliados da atual presidente trabalham com a informação de que possuem 13 vereadores e tentam ampliar o bloco. Reportagens recentes apontam que o grupo procura chegar a pelo menos 14 parlamentares enquanto Paula mantém a estratégia de recorrer judicialmente.
Do outro lado, o grupo que sustenta Ilde Taques também afirma contar com 13 votos. Nesta quinta-feira (17), a vereadora Dra. Mara (Podemos) reafirmou apoio à candidatura de Ilde e disse que, entre os 13 parlamentares que hoje estariam com ele, apenas quatro poderiam ser considerados opositores históricos de Abílio. Ela contestou, portanto, a classificação feita pelo prefeito de que o bloco seja essencialmente de oposição.
A sobreposição dos números mostra que as alianças ainda não estão completamente cristalizadas e que vereadores podem estar sendo contabilizados por diferentes grupos nas articulações de bastidores.
A eleição da próxima Mesa Diretora está prevista para 6 de outubro. Com a dificuldade jurídica enfrentada por Paula, Ilde ganhou espaço nas articulações, enquanto o grupo governista também discute alternativas caso a atual presidente fique definitivamente impossibilitada de disputar a recondução. Nomes como Kássio Coelho, Wilson Kero Kero e outros integrantes da base já apareceram nas conversas de bastidores como eventuais opções. (24 HORAS MT)
Abílio, no entanto, afirmou que a prioridade continua sendo Paula.
“Não sendo isso uma opção, aí o grupo deles lá que vai decidir o que será a opção deles”, declarou.
A fala do prefeito acrescenta peso político à disputa porque deixa explícito que o Palácio Alencastro acompanha de perto a formação da próxima Mesa Diretora. Embora Abílio sustente que a escolha cabe aos vereadores, ele próprio declarou apoio à estratégia do grupo aliado e afirmou que uma Presidência controlada pelo bloco de Ilde poderia produzir dificuldades para sua administração.
O embate, portanto, ultrapassa a escolha de quem ocupará a cadeira de presidente. A composição da próxima Mesa Diretora poderá influenciar a relação entre Executivo e Legislativo, a definição de pautas, a tramitação dos projetos encaminhados pelo prefeito e a correlação de forças dentro da Câmara durante a segunda metade do mandato municipal.
Com Paula ainda apostando nas possibilidades jurídicas e Ilde consolidando apoios no Parlamento, a eleição da Mesa entra na reta decisiva com dois movimentos simultâneos: uma batalha judicial pela permanência da atual presidente e outra, essencialmente política, pelo controle dos 27 votos da Câmara de Cuiabá.
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