REPONDO A VERDADE

"Wellington precisa dizer a verdade sobre suas emendas; o que adianta propor se o dinheiro não chega", rebate Marcelo de Oliveira

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"Wellington precisa dizer a verdade sobre suas emendas; o que adianta propor se o dinheiro não chega", rebate Marcelo de Oliveira

JB News

Da redação

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, elevou o tom contra o senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), e contestou as obras apresentadas pelo liberal em seu programa eleitoral como resultado de emendas parlamentares destinadas ao Estado.

Marcelo afirmou que existe uma diferença entre indicar uma emenda no Orçamento da União e garantir que o recurso seja efetivamente liberado para a execução da obra. Segundo ele, embora Wellington atribua ao próprio mandato a construção de 60 pontes, o dinheiro federal teria sido repassado para apenas nove delas.

“De 60 pontes que ele fala que destinou emenda, só para nove veio, de fato, o dinheiro. De pavimentação nos municípios, não veio um centavo sequer. Por isso, é tão importante repor a verdade. Ele precisa dizer a verdade: de que adianta propor emenda se o dinheiro não chega?”, disparou o secretário.

A reação ocorreu depois de Wellington afirmar, na propaganda eleitoral, que recursos destinados por seu mandato permitiram a construção de pontes e ajudaram municípios mato-grossenses a asfaltar, recuperar e melhorar ruas e avenidas.

Marcelo rebateu a versão e sustentou que diversas intervenções mencionadas pelo adversário do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) foram executadas com dinheiro do próprio Estado, principalmente por meio do Fundo Estadual de Transporte e Habitação, o Fethab.

“Nós, do Governo do Estado, estamos fazendo com recursos do Governo de Mato Grosso e do Fethab. Se ficássemos esperando o dinheiro dessas emendas, não estaríamos fazendo e nem teríamos entregado tantas obras como todos podem ver por todo o Estado”, afirmou.

O secretário disse ainda que o Governo não poderia paralisar seu programa de infraestrutura enquanto aguardava recursos federais que, apesar de previstos ou indicados, não haviam sido transferidos. Conforme Marcelo, a gestão estadual identificou as necessidades dos municípios e decidiu assumir os investimentos.

“Vimos o que era necessário ser feito e fizemos pelo bem da população”, declarou.

Como exemplo, Marcelo citou obras de asfaltamento e drenagem em ruas e avenidas de Diamantino. De acordo com o secretário, os recursos de emenda são aguardados desde 2021, mas ainda não teriam sido disponibilizados. Diante da demora, o Governo do Estado firmou convênio diretamente com o município para executar os serviços.

A mesma situação, segundo ele, envolve projetos de pavimentação em Cáceres, Nova Lacerda e no bairro Jardim Mossoró, em Cuiabá. Marcelo assegurou que as obras já estão em andamento com investimentos estaduais, mesmo sem a chegada dos valores atribuídos às emendas de Wellington.

O secretário alertou que, caso os recursos federais sejam liberados somente depois da conclusão dos serviços, o dinheiro poderá ter que ser devolvido, uma vez que não será possível aplicá-lo em obras já executadas.

“Se um dia esse dinheiro chegar, vai ter que ser devolvido, porque as obras já estarão concluídas”, afirmou.

A declaração abre uma nova frente de confronto na campanha pelo Palácio Paiaguás. De um lado, Wellington tenta apresentar sua atuação no Congresso Nacional e a indicação de emendas como credenciais para comandar Mato Grosso. Do outro, integrantes do Governo Pivetta questionam quanto desse dinheiro foi efetivamente pago e acusam o senador de assumir a autoria política de obras bancadas pelo caixa estadual.

A indicação de uma emenda, contudo, não representa automaticamente o depósito do recurso. Entre a inclusão no Orçamento e a liberação do dinheiro existem etapas como apresentação de propostas, análise técnica, celebração de convênios, empenho, cumprimento de exigências e pagamento. Por isso, uma emenda pode ser anunciada ou empenhada sem que o valor tenha sido efetivamente transferido ao beneficiário.

Marcelo encerrou a reação acusando Wellington de tentar obter dividendos eleitorais sobre investimentos realizados pelo Governo de Mato Grosso.

“Tem muita gente, nesta época de eleição, que faz cortesia com o chapéu alheio. O cidadão precisa ficar atento para não ser enganado”, atacou.

O secretário também afirmou que, nos últimos sete anos e meio, Mato Grosso mais que dobrou sua extensão de rodovias asfaltadas e ampliou os investimentos em pavimentação urbana nos municípios.

“Esta é uma gestão que entrega resultado como Mato Grosso nunca tinha visto antes”, concluiu.

As afirmações sobre a quantidade de pontes e a ausência dos repasses foram apresentadas por Marcelo de Oliveira. O espaço permanece aberto para que Wellington Fagundes detalhe as emendas citadas, informe os valores empenhados e pagos e responda às críticas feitas pelo secretário.