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Por Nayara Cristina
A declaração do prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Antônio Piaia (PL), de que caminhará politicamente com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) vai muito além de um simples anúncio de apoio. O gesto representa mais um capítulo da disputa silenciosa que vem sendo travada nos bastidores da sucessão estadual e reforça uma estratégia que tem colocado o governador em vantagem na corrida pelas principais lideranças municipais de Mato Grosso.
A poucos meses das convenções partidárias, o cenário político passa por uma reconfiguração. Enquanto o Partido Liberal mantém oficialmente a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás, prefeitos filiados à própria legenda começam a construir um caminho diferente. A adesão de Edilson Piaia ocorre dias depois de o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), também anunciar apoio ao governador. Juntos, eles representam dois importantes municípios administrados pelo PL que passam a integrar o projeto político do Republicanos.
Nos bastidores, o movimento é visto como mais do que uma sequência de declarações isoladas. Lideranças políticas avaliam que Pivetta vem consolidando uma ampla rede de apoios construída ao longo dos últimos anos, aproveitando a proximidade institucional com os municípios, a continuidade das obras iniciadas na gestão Mauro Mendes e uma agenda permanente de entregas em infraestrutura, logística, saúde, educação e desenvolvimento regional. Essa relação administrativa transformou-se, agora, em capital político.
O peso desse avanço é ainda maior porque ocorre justamente dentro do principal partido adversário. Em vez de concentrar apoios exclusivamente entre prefeitos do Republicanos e de legendas aliadas, Pivetta passou a conquistar gestores municipais filiados ao PL, criando um ambiente político que desafia a estratégia eleitoral construída por Wellington Fagundes para unificar o partido em torno de sua candidatura.
A ofensiva não parou por aí. Nesta semana, o próprio governador afirmou publicamente acreditar que poderá contar também com o apoio do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), duas das maiores lideranças municipais do Partido Liberal no Estado. A declaração foi interpretada como mais um sinal de que a articulação política do governador continua avançando sobre quadros estratégicos da legenda adversária, ampliando a disputa pelas bases eleitorais antes mesmo da abertura oficial da campanha.
Analistas ouvidos nos bastidores observam que Mato Grosso vive uma eleição essencialmente municipalista. Com um eleitorado distribuído por 142 municípios, o apoio de prefeitos deixou de representar apenas força simbólica e passou a ser um dos principais ativos eleitorais. São eles que ajudam a organizar palanques, aproximam candidatos das lideranças locais, influenciam vereadores e fortalecem a estrutura política no interior do Estado. Nesse contexto, cada novo apoio conquistado por Pivetta representa mais do que um gesto político; representa a ampliação de uma engrenagem eleitoral que poderá ser decisiva em 2026.
Outro aspecto que chama atenção é o contraste entre a realidade partidária e a movimentação política nos municípios. Oficialmente, o PL mantém Wellington Fagundes como seu pré-candidato ao Governo. Na prática, porém, prefeitos da legenda começam a construir alianças em direção oposta. A leitura predominante entre observadores do cenário estadual é que muitos gestores têm priorizado a manutenção da interlocução com o Governo do Estado, avaliando que essa proximidade pode garantir continuidade de investimentos e fortalecer seus próprios projetos administrativos.
Ao mesmo tempo, Pivetta amplia sua presença política sem depender exclusivamente das estruturas partidárias tradicionais. O governador tem apostado em uma estratégia baseada na formação de uma coalizão municipalista, reunindo prefeitos, vereadores, lideranças empresariais e representantes de diferentes partidos em torno de um discurso de continuidade administrativa e estabilidade econômica. Essa construção vem reduzindo resistências e ampliando sua capacidade de diálogo muito além do Republicanos.
Para Wellington Fagundes, o desafio passa a ser duplo. Além de consolidar sua candidatura e manter a unidade interna do PL, o senador precisará conter o avanço do governador sobre prefeitos considerados estratégicos para a campanha no interior. A sucessão de manifestações públicas favoráveis a Pivetta evidencia que a disputa deixou de ocorrer apenas entre siglas e passou a ser travada pela influência política nos municípios, onde efetivamente se organizam as campanhas.
A adesão de Edilson Antônio Piaia simboliza exatamente essa nova fase da sucessão estadual. Mais do que conquistar um novo aliado, Otaviano Pivetta demonstra capacidade de avançar sobre a principal base política do adversário, transformando prefeitos do próprio PL em protagonistas de um movimento que pode redefinir o equilíbrio das forças eleitorais antes mesmo das convenções. Se esse ritmo for mantido nas próximas semanas, a batalha pelos apoios municipais poderá se tornar o principal termômetro da disputa pelo Palácio Paiaguás e um dos fatores mais relevantes para o desenho da eleição de 2026 em Mato Grosso.
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