Entre cachês milionários e dinheiro público, Max cobra bom senso no uso de emendas para shows em MT

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Entre cachês milionários e dinheiro público, Max cobra bom senso no uso de emendas para shows em MT

JBNews

Por nay Cristina

Presidente da Assembleia Legislativa afirma que festas populares garantem lazer à população e movimentam a economia, mas alerta para a necessidade de equilíbrio diante dos altos cachês de artistas nacionais

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), defendeu a destinação de emendas parlamentares para a realização de shows e festas populares nos municípios, mas ressaltou que os investimentos precisam ser feitos com planejamento e responsabilidade para evitar desperdício de dinheiro público. Para o parlamentar, a cultura e o lazer são importantes para a qualidade de vida da população, mas não podem estar dissociados da realidade financeira das administrações municipais.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Primeira Página, da Rádio Centro América FM, na terça-feira (13), em meio às discussões sobre os elevados cachês pagos a artistas nacionais em apresentações financiadas com recursos públicos.

Max destacou que as festas populares vão além do entretenimento, pois movimentam a economia local, estimulam o comércio e oferecem oportunidades de lazer, especialmente para famílias que não possuem condições financeiras de frequentar grandes eventos particulares.

O presidente da Assembleia também argumentou que o acesso à cultura deve ser considerado parte das políticas voltadas ao bem-estar da população. Segundo ele, a rotina das pessoas não pode ficar restrita ao trabalho e às obrigações diárias, sendo necessário reservar espaço para atividades recreativas e de convivência social.

“O ser humano, e aí nós estamos tendo muitos problemas psicológicos, ele tem que ter um pouquinho de tudo, como lazer, trabalho, religião, ou seja, para conseguir ter um psicológico bom. Eu, por exemplo, tenho que ir um pouco para a beira do rio, enfim, a gente tem que ter um pouco de tudo para poder ter uma qualidade de vida melhor”, declarou.

Ao comentar os questionamentos sobre a contratação de artistas com cachês elevados, Max afirmou que eventos gratuitos também representam uma oportunidade para moradores de menor poder aquisitivo assistirem a apresentações que dificilmente conseguiriam pagar.

Como exemplo, citou o cantor sertanejo Gusttavo Lima, cujos shows particulares podem ter ingressos de centenas de reais, valores considerados inacessíveis para muitas famílias.

“O evento é cultura, você dá condição a uma pessoa que tem um sonho de assistir a um show do Gusttavo Lima, mas não consegue pagar 300, 200 reais, 400 reais para ir a um evento privado assistir. Às vezes, numa festa, ele tem essa oportunidade”, afirmou.

Apesar de defender a importância social das festividades, o deputado reconheceu a necessidade de avaliar os custos e os benefícios dos investimentos. A preocupação envolve principalmente a utilização de emendas parlamentares para custear apresentações de grande porte, em um cenário no qual os municípios também enfrentam demandas por melhorias na saúde, educação, infraestrutura e outros serviços públicos.

A discussão ganhou espaço diante dos valores destinados à contratação de atrações nacionais e dos questionamentos sobre a prioridade dessas despesas nos orçamentos públicos.

Além dos cachês artísticos, a realização de grandes eventos pode envolver gastos com estrutura de palco, iluminação, sonorização, segurança, transporte e serviços de apoio, elevando o custo total das festividades.

Por outro lado, apresentações de grande público também podem estimular a atividade econômica nos municípios, beneficiando comerciantes, ambulantes, restaurantes, hotéis e prestadores de serviços.

Nesse contexto, a utilização de emendas parlamentares exige transparência, justificativa dos valores contratados e fiscalização da aplicação dos recursos, para que os investimentos atendam ao interesse público.

Max não anunciou um limite financeiro para os cachês nem apresentou proposta de proibição de emendas destinadas a eventos culturais. Sua posição foi de defender a continuidade das festividades, desde que acompanhadas de planejamento e responsabilidade na utilização do orçamento.

Para o presidente da Assembleia, a população precisa ter acesso ao lazer e à cultura, inclusive em municípios menores, onde grandes apresentações dificilmente seriam realizadas sem participação do poder público.

O debate, entretanto, permanece centrado na necessidade de conciliar o incentivo às atividades culturais com as demais prioridades da administração pública, garantindo que a realização de festas não comprometa a aplicação responsável dos recursos destinados à população.

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