ATÉ 2030

“Vamos reduzir o custo das conexões, tirar obras do papel e acelerar a expansão econômica de MT até 2030”, diz presidente da Energisa

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“Vamos reduzir o custo das conexões, tirar obras do papel e acelerar a expansão econômica de MT até 2030”, diz presidente da Energisa

JB News

Por Nayara Cristina

O Governo de Mato Grosso e a concessionária Energisa Mato Grosso formalizaram, na última quinta-feira (28), a criação do programa MT Trifásico, considerado um dos maiores projetos de infraestrutura energética já anunciados para o interior do Estado. A iniciativa prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,4 bilhão — valor que se aproxima de R$ 1,5 bilhão quando considerados os desdobramentos e ampliações previstas até 2030 — para expandir a rede elétrica trifásica e impulsionar o desenvolvimento econômico em regiões rurais, assentamentos, distritos e polos produtivos de Mato Grosso.


O acordo foi assinado durante evento realizado pelo Governo do Estado e estabelece a construção de cerca de 5 mil quilômetros de rede trifásica em diferentes regiões mato-grossenses. Do total de recursos, R$ 700 milhões serão aportados pelo Estado e outros R$ 700 milhões pela Energisa.


Durante entrevista concedida após a assinatura do acordo, o diretor-presidente da Energisa Mato Grosso, Marcelo Vinhaes Monteiro, explicou que o principal foco do programa não está nos centros urbanos, mas sim nas áreas rurais, onde milhares de produtores ainda dependem de sistemas monofásicos que já não acompanham a evolução econômica do campo.


Segundo ele, quando os programas de universalização da energia elétrica foram implantados no Brasil, o objetivo era levar a primeira ligação de energia para as famílias. Agora, a realidade é diferente. Os produtores cresceram, aumentaram a produção, investiram em equipamentos, irrigação, armazenagem e refrigeração, exigindo uma estrutura muito mais robusta.


“O objetivo é levar grandes troncos trifásicos para reduzir o custo das conexões e permitir que produtores e empreendedores possam acessar um sistema mais forte, mais estável e adequado ao crescimento das suas atividades econômicas”, explicou.


A expectativa é que a nova estrutura energética permita não apenas uma distribuição mais segura e resistente, mas também reduza custos para quem precisa ampliar sua capacidade produtiva, especialmente no interior do Estado.


Um dos principais desafios apontados pela Energisa é justamente o custo das obras de expansão da rede elétrica. Pela legislação federal, investimentos de grande porte para atender novos empreendimentos exigem contrapartidas financeiras dos interessados, justamente para evitar que todo o custo seja repassado à tarifa dos consumidores.


Marcelo Vinhaes explicou que, em Mato Grosso, as enormes distâncias e a dimensão territorial acabam tornando essas obras muito caras, inviabilizando diversos projetos privados. Por isso, a parceria com o Governo do Estado surge como uma alternativa para dividir os custos e acelerar a expansão da infraestrutura energética.


“O que se discute não é falta de capacidade de atendimento, mas quem paga essa conta. A legislação existe para proteger a população de aumentos abusivos na tarifa. O programa cria justamente uma solução para que essas obras possam acontecer sem transferir todo o custo para o consumidor”, destacou.


O dirigente também rebateu críticas históricas feitas à concessionária e lembrou que a Energisa assumiu a operação do sistema elétrico mato-grossense em 2014, após uma intervenção federal na antiga concessão, que enfrentava graves dificuldades operacionais e financeiras.


Segundo ele, os investimentos realizados desde então ocorreram de forma planejada para evitar impactos excessivos na tarifa de energia. Agora, com o novo contrato de concessão e as novas exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a expectativa é ampliar a qualidade do fornecimento, fortalecer a rede e acelerar a resposta às demandas de crescimento do Estado.


Outro ponto destacado durante a coletiva foi o avanço industrial de Mato Grosso. Marcelo Vinhaes afirmou que o Estado possui capacidade energética suficiente para continuar crescendo e receber grandes empreendimentos, desde que sejam respeitadas as regras de expansão da rede.


Ele citou como exemplo projetos industriais que demandam consumo energético superior ao de municípios inteiros, reforçando que a distribuição precisa estar preparada antes mesmo da chegada desses investimentos.


“Distribuição de energia é pensar o Mato Grosso do futuro. Hoje já temos capacidade para atender um Estado duas vezes maior do que o atual. O sistema precisa estar sempre à frente do crescimento, porque quando a necessidade surge, a estrutura já precisa estar pronta”, afirmou.


O programa MT Trifásico nasce justamente em um momento em que Mato Grosso vive forte expansão do agronegócio, da agroindustrialização e da atração de novos investimentos. A expectativa do governo é que a ampliação da rede trifásica permita a instalação de agroindústrias, frigoríficos, usinas, estruturas de irrigação, sistemas de armazenamento e novos empreendimentos que hoje encontram limitações energéticas em diversas regiões do Estado.


A medida também deve beneficiar diretamente pequenos produtores rurais, que enfrentam dificuldades para expandir a produção por falta de energia adequada para equipamentos de maior potência, como resfriadores de leite, sistemas de irrigação e unidades de processamento agrícola.


Com o programa, Mato Grosso aposta na energia como uma das principais ferramentas para sustentar o crescimento econômico da próxima década e consolidar sua posição como uma das economias mais dinâmicas do país.

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