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Por Jota de Sá
Uma articulação de última hora entre as duas principais lideranças do União Brasil em Mato Grosso mudou o calendário político da legenda e antecipou um dos momentos mais decisivos da sucessão estadual. Após uma reunião reservada, considerada amistosa e que durou cerca de duas horas, o presidente estadual do partido e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes, e o senador Jayme Campos, pré-candidato ao Governo do Estado, chegaram a um entendimento para antecipar a convenção estadual da sigla para o próximo dia 30 de julho.
A mudança representa uma alteração significativa na estratégia do partido. Até então, a tendência era que a convenção ocorresse em 4 de agosto, dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral. A antecipação reduz o período de indefinição política e acelera a tomada de uma decisão que poderá influenciar diretamente o cenário eleitoral de Mato Grosso.
Na prática, os cerca de 50 convencionais do União Brasil terão a responsabilidade de decidir se a legenda lançará candidatura própria ao Palácio Paiaguás, com Jayme Campos, ou se confirmará o apoio ao projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta, posição defendida publicamente por Mauro Mendes.
Nos bastidores, aliados de Jayme afirmam que o senador teria o apoio de 37 dos 50 convencionais, número que, se confirmado na convenção, daria maioria ao grupo que defende candidatura própria ao Governo do Estado. Mesmo assim, a definição pode não se encerrar apenas no voto estadual, já que eventual divergência dentro da federação poderá ser levada às instâncias superiores do partido e da União Progressista, abrindo espaço para uma nova rodada de disputa política na esfera nacional.
Embora o encontro tenha sido tratado como um gesto de diálogo e pacificação, nos bastidores a antecipação da convenção é interpretada como um movimento para evitar que o impasse interno se prolongue até os últimos dias do calendário eleitoral. O prazo legal impõe que as legendas definam oficialmente seus candidatos, e qualquer atraso poderia ampliar o desgaste interno e dificultar a construção política da federação.
A decisão também evidencia que Jayme Campos mantém sua disposição de disputar o comando do projeto eleitoral do União Brasil. O senador sustenta que reúne condições políticas para liderar uma candidatura competitiva ao Governo do Estado e não esconde que pretende levar essa discussão até as últimas instâncias partidárias, caso seja necessário. Nas últimas semanas, o parlamentar vinha defendendo justamente a antecipação da definição para evitar que o partido permanecesse mergulhado em incertezas às vésperas do encerramento do calendário eleitoral.
O União Brasil chega à convenção vivendo uma das maiores discussões internas desde sua criação. Sob a liderança de Mauro Mendes, a legenda conquistou dois mandatos consecutivos no Governo de Mato Grosso, ampliou sua presença na Assembleia Legislativa, fortaleceu sua bancada federal e consolidou protagonismo na política estadual. Agora, o partido enfrenta o desafio de definir se manterá uma candidatura própria ao Executivo ou se dará continuidade ao grupo político atualmente instalado no Palácio Paiaguás.
Outro fator que amplia a complexidade da decisão é a existência da federação entre União Brasil e Progressistas. Apesar de integrarem a mesma federação, os dois partidos realizam convenções separadas e deliberam internamente sobre seus posicionamentos. O Progressistas já sinalizou apoio ao projeto político de Otaviano Pivetta, liderado em Mato Grosso por nomes como o ex-senador Cidinho Santos, o deputado estadual Paulo Araújo e outras lideranças da legenda.
Esse cenário coloca Pivetta em posição considerada mais confortável dentro da federação, mas não elimina a possibilidade de o União Brasil optar por candidatura própria. Caso isso ocorra e haja divergência entre as duas legendas federadas, o processo poderá ultrapassar a esfera estadual e ser encaminhado às instâncias nacionais da União Progressista, responsáveis por deliberar sobre conflitos internos envolvendo candidaturas majoritárias.
O diretório estadual da federação reúne justamente as principais lideranças que terão influência sobre esse debate. Entre os integrantes estão Mauro Mendes, Cidinho Santos, a senadora Margareth Buzetti, Jayme Campos, o deputado federal Fábio Garcia, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e Aécio Rodrigues, grupo que poderá ter papel decisivo caso seja necessário levar o impasse ao comando nacional da federação.
A antecipação da convenção, portanto, vai além de uma simples mudança de agenda. O gesto demonstra que o União Brasil busca encerrar rapidamente uma disputa que mobiliza suas principais lideranças e evitar que o debate interno se estenda até o limite do calendário eleitoral. Ao mesmo tempo, reforça que a disputa entre o grupo de Mauro Mendes e o de Jayme Campos permanece aberta, e que a definição sobre quem representará o partido — ou se a legenda apoiará Otaviano Pivetta — continuará sendo o principal capítulo da sucessão estadual até o dia da convenção.