BANCO DOS RÉUS

Trio acusado de executar advogado Zampieri enfrenta novo júri nesta terça em Cuiabá

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Trio acusado de executar advogado Zampieri enfrenta novo júri nesta terça em Cuiabá

JB News

Por Nayara Cristina

Os três réus acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri voltam ao banco dos réus nesta terça-feira (29), em Cuiabá, em um dos julgamentos de maior repercussão criminal dos últimos anos em Mato Grosso.

Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa serão julgados pelo Tribunal do Júri a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá.

A sessão será presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, no processo PJe nº 1000258-44.2024.8.11.0042.

Na acusação atuarão os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva.

Os três respondem pelo homicídio do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro de uma Fiat Toro em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Zampieri foi surpreendido pelo atirador e atingido por diversos disparos. A execução desencadeou uma extensa investigação policial que posteriormente avançou para outros núcleos e provocou desdobramentos que ultrapassaram o próprio homicídio.

Conforme a acusação, Antônio Gomes da Silva é apontado como o responsável por efetuar os disparos contra Zampieri.

Hedilerson Fialho Martins Barbosa, integrante do Exército e instrutor de tiro, é acusado de atuar como intermediário da execução. Segundo a denúncia, ele teria participado da contratação do executor e do fornecimento da arma utilizada no crime.

Já o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de financiar o assassinato.

Os três respondem por homicídio qualificado. Entre as circunstâncias apresentadas pela acusação estão promessa de recompensa, utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas.

As imputações serão submetidas ao Conselho de Sentença, cabendo aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal dos réus.

A investigação apontou como pano de fundo do assassinato uma disputa envolvendo terras avaliadas em aproximadamente R$ 100 milhões.

Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados pela acusação como mandantes do homicídio. A situação processual dos dois tramita separadamente e eles não integram o julgamento marcado para esta terça-feira.

O júri desta terça é, na realidade, a segunda tentativa de julgamento dos três acusados.

A primeira sessão começou em 28 de julho. Naquela ocasião, seis testemunhas indicadas pela acusação e pelas defesas chegaram a ser ouvidas.

Entre elas estavam os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, que participaram da investigação do homicídio, e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, responsável pelo inquérito relacionado à extração e análise de dados do celular de Roberto Zampieri.

Também foram ouvidos José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.

O julgamento deveria prosseguir no dia seguinte, mas foi interrompido depois que um dos integrantes do Conselho de Sentença passou mal durante a noite.

O jurado recebeu atendimento médico e houve recomendação para realização de exames diante de um quadro inicialmente tratado como viral.

Diante da impossibilidade de continuidade dos trabalhos e da necessidade de preservar a saúde dos envolvidos, o juiz José Mauro Nagib Jorge dissolveu o Conselho de Sentença.

A dissolução impediu que aquele grupo de jurados continuasse analisando o processo e tornou necessária a realização de um novo julgamento.

A sessão foi então redesignada para 29 de setembro.

Com a formação de um novo Conselho de Sentença, os atos necessários deverão ser novamente apresentados diante dos jurados que efetivamente decidirão o processo.

Para o julgamento desta terça-feira estão previstas oitivas de testemunhas indicadas pelas partes. A relação inclui delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal, investigadores, analistas de inteligência e outras pessoas relacionadas às apurações.

Um dos réus também realizou mudança recente na estratégia de defesa. A poucos dias do júri, Antônio Gomes da Silva deixou de ser assistido pela Defensoria Pública e voltou a contar com uma banca particular composta pelos advogados Neyman Monteiro, Nilton Ribeiro e Paulo Fabrinny.

O assassinato de Zampieri ganhou dimensão ainda maior depois da apreensão e análise do telefone celular do advogado.

As informações encontradas no aparelho provocaram novos desdobramentos investigativos relacionados a integrantes do sistema de Justiça e deram origem a apurações distintas do processo que julga os responsáveis pelo homicídio.

Entre esses desdobramentos está a Operação Sisamnes, investigação que alcançou integrantes e ex-integrantes do Judiciário de Mato Grosso e passou a apurar suspeitas relacionadas a decisões judiciais e possíveis negociações envolvendo processos.

Essas investigações posteriores, entretanto, não se confundem com a acusação criminal que será analisada pelos jurados nesta terça-feira.

O Conselho de Sentença terá como objeto a responsabilidade dos três réus pelo assassinato de Roberto Zampieri, de acordo com as provas apresentadas pela acusação e pelas respectivas defesas.

A sessão poderá se prolongar diante da quantidade de testemunhas, das manifestações das defesas e do Ministério Público e dos interrogatórios dos acusados.

Por determinação relacionada à organização e segurança do julgamento, apenas jornalistas que atuam como repórteres de texto poderão acompanhar os trabalhos diretamente dentro do plenário.

A produção de imagens ficará concentrada na equipe de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que permanecerá no local durante a sessão e disponibilizará fotografias e vídeos aos veículos de imprensa.

Ao final da instrução, acusação e defesas apresentarão suas teses aos jurados. Caberá então ao Conselho de Sentença decidir sobre as acusações formuladas contra Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.