CERTAME SUSPENSO

TCE trava licitação da Sefaz que pode chegar a R$ 150 milhões em dez anos

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TCE trava licitação da Sefaz que pode chegar a R$ 150 milhões em dez anos

JB News

Da redação

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) manteve suspensa uma licitação milionária da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) destinada à contratação de serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas de tecnologia.

O certame parte de um valor estimado em aproximadamente R$ 30,9 milhões, mas a projeção financeira chama atenção pelo tamanho que a contratação poderá alcançar caso seja mantida ao longo do período máximo previsto: cerca de R$ 150 milhões em dez anos.

A suspensão foi mantida por unanimidade pelo Plenário do TCE-MT durante sessão realizada na terça-feira, 8 de setembro de 2026.

O processo está sob relatoria do conselheiro José Carlos Novelli , que levou ao colegiado a medida cautelar que já havia interrompido o avanço da contratação.

A licitação envolve serviços considerados estratégicos para o funcionamento da administração fazendária, especialmente desenvolvimento, manutenção e sustentação de sistemas utilizados pela estrutura tecnológica da Sefaz.

Apesar da importância dos serviços, pontos do edital e da modelagem utilizada para a contratação passaram a ser questionados no Tribunal de Contas.

Entre as questões levadas à análise estão possíveis problemas relacionados à forma como a licitação foi reaberta, critérios utilizados para medir produtividade dos serviços, exigências econômicas impostas às empresas participantes e parâmetros utilizados para definir salários e custos da contratação.

Também existem questionamentos sobre a própria estrutura do contrato e as condições estabelecidas para participação das empresas interessadas.

Esses pontos, no entanto, ainda estão sendo analisados pelo TCE e não significam, até este momento, comprovação de fraude, superfaturamento ou prejuízo aos cofres públicos.

A decisão cautelar tem justamente a finalidade de impedir o avanço do processo enquanto as dúvidas levantadas são examinadas de maneira mais aprofundada.

O valor potencial da contratação é um dos pontos que coloca o caso sob atenção.

Embora a estimativa inicial esteja na faixa de R$ 30,9 milhões, a possibilidade de prorrogações sucessivas poderá fazer com que os desembolsos acumulados cheguem a aproximadamente R$ 150 milhões durante uma década.

Na prática, trata-se de uma contratação capaz de comprometer recursos públicos por vários exercícios financeiros e atravessar diferentes gestões estaduais.

É justamente essa dimensão de longo prazo que aumenta a importância do controle realizado antes da assinatura definitiva do contrato.

O processo também abre uma série de questões que deverão ser esclarecidas no decorrer da análise.

Uma delas é como o valor de referência foi calculado e quais parâmetros técnicos e financeiros justificam o montante estimado.

Outra questão é quais empresas demonstraram interesse no certame, quais chegaram a apresentar propostas e se houve concentração competitiva durante o processo.

Também deverá ser esclarecido de que maneira as exigências previstas no edital podem influenciar o número de concorrentes e o preço final pago pelo Estado.

A Sefaz, por sua vez, terá a oportunidade de apresentar justificativas técnicas e administrativas sobre os pontos questionados e demonstrar a necessidade e a regularidade da contratação.

Somente depois dessa análise o Tribunal poderá decidir se libera o prosseguimento do processo, determina alterações no edital ou mantém a suspensão.

O episódio ganha relevância em um momento em que contratos de tecnologia ocupam parcela cada vez maior dos gastos públicos.

Sistemas de arrecadação, fiscalização tributária, cruzamento de dados, emissão de documentos fiscais e gerenciamento das receitas estaduais dependem diretamente de soluções tecnológicas cada vez mais complexas.

Por isso, contratos dessa natureza podem envolver cifras elevadas.

Ao mesmo tempo, justamente pelo volume financeiro e pela duração prevista, exigem critérios rigorosos de planejamento, competitividade e controle.

No caso analisado pelo TCE, a questão agora é descobrir se o modelo apresentado pela Sefaz atende plenamente esses requisitos.

Enquanto o Tribunal não conclui a análise, a licitação permanece travada.

Com uma contratação que começa na casa dos R$ 30 milhões e pode alcançar R$ 150 milhões ao longo de dez anos, o processo passa a integrar o grupo de grandes negócios públicos que deverão permanecer sob acompanhamento dos órgãos de controle e da sociedade.

A partir de agora, o ponto central será saber se a Sefaz conseguirá afastar os questionamentos levantados e retomar a licitação ou se o Tribunal determinará mudanças em um contrato que poderá movimentar uma das maiores cifras recentes da área de tecnologia do Governo de Mato Grosso.