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Por Emerson Teixeira
Marton da Silva Lisboa Jr., de 37 anos, conhecido como “Júnior da BMW”, foi assassinado a tiros neste domingo, 4 de outubro, em Várzea Grande, doze anos depois de sobreviver a uma chacina ao se fingir de morto. O crime ocorreu na Rua 15, no bairro Parque Sabiá, e passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo as informações iniciais, Marton havia saído de casa para ir a um mercado quando foi surpreendido pelos ocupantes de um Volkswagen Gol prata. O veículo teria se aproximado da vítima e, em seguida, um dos ocupantes desembarcou e abriu fogo.
Marton foi atingido por pelo menos oito disparos em diferentes partes do corpo. Alguns dos tiros acertaram a região da cabeça. Ele caiu na própria rua e morreu antes de conseguir receber atendimento médico.
Após os disparos, o atirador retornou ao veículo e fugiu com o comparsa. Até o fechamento da ocorrência, nenhum suspeito havia sido localizado ou preso.
Equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal foram acionadas e fizeram o isolamento da área para preservar o local do homicídio. Na sequência, os trabalhos periciais foram realizados e o corpo encaminhado para os procedimentos de necropsia.
A investigação agora tenta reconstruir os últimos passos da vítima, identificar o veículo utilizado pelos criminosos e esclarecer se o assassinato tem relação com o passado criminal de Marton ou com conflitos envolvendo organização criminosa.
Poucos dias antes de ser executado, Marton havia deixado a prisão e utilizava tornozeleira eletrônica. Ele possuía extensa ficha criminal e, conforme informações preliminares, também já havia sido alvo de outras tentativas de homicídio ao longo dos últimos anos.
Uma das linhas iniciais apuradas é de que ele pudesse estar jurado de morte por integrantes de uma organização criminosa. A hipótese, entretanto, ainda depende de confirmação e será analisada pela Polícia Civil a partir de depoimentos, imagens de câmeras de segurança, dados do monitoramento eletrônico e demais elementos recolhidos na investigação.
O histórico de Marton chama atenção principalmente por um episódio ocorrido em 2014, também em Várzea Grande. Naquele ano, ele conseguiu sobreviver a uma chacina no bairro São Mateus depois de se fingir de morto durante o ataque.
A chacina deixou cinco pessoas mortas e outras três feridas. Em meio aos disparos, Marton permaneceu imóvel e conseguiu enganar os criminosos, sobrevivendo à ação. O episódio marcou seu nome no histórico policial da região.
Doze anos depois, entretanto, Marton voltou a ser alvo de uma ação armada, desta vez sem conseguir escapar. A execução ocorreu novamente na mesma região de Várzea Grande e, pela forma como foi praticada, é tratada inicialmente como um crime planejado.
A DHPP deve ouvir familiares, testemunhas e pessoas próximas à vítima para tentar descobrir se Marton havia relatado ameaças recentes ou se vinha sendo procurado por integrantes de algum grupo criminoso.
Os investigadores também devem buscar câmeras de segurança instaladas em imóveis e estabelecimentos próximos à Rua 15. As imagens podem ajudar a confirmar a rota utilizada pelo Gol prata antes e depois da execução e, eventualmente, identificar placas, características dos ocupantes ou outros veículos utilizados no apoio à fuga.
Até o momento, a motivação oficial do assassinato não foi esclarecida. A Polícia Civil trabalha para identificar os autores e determinar quem teria ordenado a morte de “Júnior da BMW”.