OPERAÇÃO FALLACIA

“Rapunzel Cuiabana” é alvo de operação por suspeita de se passar por advogada e aplicar golpe durante negociação de divórcio

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“Rapunzel Cuiabana” é alvo de operação por suspeita de se passar por advogada e aplicar golpe durante negociação de divórcio

JB News

Da redação

A influenciadora digital Kamila Gonçalves Vieira, conhecida nas redes sociais como “Rapunzel Cuiabana”, foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Fallacia, deflagrada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (3), em Primavera do Leste, a 239 quilômetros de Cuiabá.

Kamila, que reúne mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, é investigada por supostamente ter se apresentado como advogada para intermediar um acordo relacionado à separação de um casal. Segundo a investigação, ela teria recebido dinheiro e uma caminhonete da vítima sob a justificativa de que os bens seriam utilizados para resolver pendências do divórcio.

A operação foi conduzida por policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste. As ordens judiciais foram cumpridas em um estabelecimento comercial localizado no bairro Buritis II e na residência da investigada.

A influenciadora foi inicialmente localizada pelos policiais no comércio. Na sequência, as equipes seguiram até o imóvel onde ela residia para o cumprimento de outra medida de busca e apreensão.

Durante as diligências, os investigadores recolheram um aparelho celular, cartões bancários, documentos registrados em nomes de outras pessoas e uma caminhonete Toyota Hilux. O veículo é apontado pela Polícia Civil como um dos bens envolvidos no suposto esquema.

De acordo com as apurações, Kamila teria procurado um homem que enfrentava questões relacionadas ao término de um relacionamento e oferecido ajuda para conduzir as negociações com a ex-companheira dele.

Apresentando-se supostamente como profissional habilitada para atuar no caso, ela teria orientado a vítima a realizar diversos pagamentos. A justificativa apresentada era de que os valores seriam repassados à ex-mulher como parte do acordo de separação.

As investigações indicam, entretanto, que o dinheiro não teria sido destinado à beneficiária informada. Os recursos teriam sido transferidos para contas bancárias ligadas à influenciadora e a outras pessoas que agora também aparecem no radar da Polícia Civil.

A apuração deverá analisar a participação dos titulares dessas contas para verificar se eles tinham conhecimento da possível fraude ou se tiveram os dados utilizados pela investigada.

Além das transferências financeiras, Kamila teria convencido a vítima a entregar uma caminhonete Toyota Hilux. Conforme a narrativa investigada, ela afirmou que o automóvel precisaria ser retirado da divisão patrimonial para não ser incluído no processo de partilha de bens.

O veículo, porém, não teria sido devolvido ao proprietário. A caminhonete acabou localizada durante a Operação Fallacia e foi apreendida para os procedimentos de identificação, perícia e posterior definição judicial sobre sua restituição.

O telefone celular, os documentos, cartões e demais materiais recolhidos serão analisados pelos investigadores. A Polícia Civil pretende identificar movimentações financeiras, conversas, comprovantes de transferências e possíveis contatos com outras pessoas que possam ter participado ou se beneficiado das operações.

A investigação também deverá esclarecer por quanto tempo a suspeita teria se apresentado como advogada, se foram produzidos documentos falsos e se outras pessoas foram abordadas mediante estratégia semelhante.

Após o cumprimento das ordens judiciais, Kamila foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos e para a realização dos procedimentos policiais. O simples cumprimento de mandados de busca não representa condenação, e a investigada terá direito à defesa e ao contraditório durante o andamento do inquérito.

O nome da operação faz referência à palavra latina fallacia, associada a engano, fraude ou argumento utilizado para induzir alguém a uma conclusão equivocada.

Kamila Gonçalves já apareceu anteriormente no noticiário policial de Mato Grosso. Em novembro de 2021, ela foi presa sob acusações de furtar móveis, eletrodomésticos, joias e outros objetos de imóveis mobiliados que alugava em Cuiabá. Na ocasião, a prisão em flagrante chegou a ser convertida em preventiva, mas ela deixou a unidade prisional posteriormente e negou as acusações.

Em 2022, estabelecimentos comerciais também divulgaram acusações de prejuízos atribuídos à influenciadora. Os episódios anteriores, contudo, são independentes da Operação Fallacia e não significam, isoladamente, que exista responsabilidade criminal no caso investigado atualmente.

A Polícia Civil deverá encaminhar o material apreendido para análise e prosseguir com a tomada de depoimentos. Ao final das diligências, o delegado responsável decidirá sobre eventuais indiciamentos e encaminhará o inquérito ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.