ELEIÇÕES 2026

PSD exibe força, Fávaro convoca Jayme após derrota e lança Natasha como futura primeira governadora de MT

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PSD exibe força, Fávaro convoca Jayme após derrota e lança Natasha como futura primeira governadora de MT

JB Ness

Por Emerson Teixeira

A convenção estadual do PSD realizada nesta quinta-feira em Mato Grosso transformou-se em um ato de demonstração de força política da federação que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante de milhares de militantes e lideranças, o senador e presidente estadual da sigla, Carlos Fávaro, afirmou que o partido conseguiu construir um amplo projeto de convergência para as eleições de 2026, defendeu a reeleição de Lula, oficializou a composição da chapa majoritária e fez um gesto público ao senador Jayme Campos (União Brasil), derrotado horas antes na convenção de seu partido.

Segundo Fávaro, o PSD conseguiu reunir em torno do mesmo projeto os partidos que integram o campo progressista em Mato Grosso, resultado que atribuiu à construção política e ao diálogo. O senador destacou que a convenção reuniu mais de quatro mil pessoas, número que, segundo ele, demonstra a unidade da base e a confiança no projeto apresentado para disputar o comando do Estado e fortalecer a candidatura do presidente Lula à reeleição.

Ao apresentar sua chapa ao Senado, Fávaro afirmou que buscou construir uma composição que represente diferentes segmentos da sociedade. O senador ressaltou que escolheu como primeiro suplente Schenck, ligado ao setor agropecuário, para manter interlocução permanente com o agronegócio dentro do Senado Federal. Já a servidora pública Carmen foi apresentada como representante dos servidores estaduais e municipais, reforçando, segundo ele, o compromisso de valorização do funcionalismo. Fávaro revelou ainda que ambos firmaram um pacto de atuação conjunta, incluindo um sistema de revezamento do mandato, com o objetivo de ampliar a representação política de Mato Grosso em Brasília.

Durante a entrevista, o ministro também reforçou o compromisso com a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Embora reconheça que a agenda presidencial será limitada pelo fato de Lula disputar o pleito ocupando a Presidência da República, Fávaro afirmou que fará todos os esforços para trazer o chefe do Executivo a Mato Grosso durante a campanha. Segundo ele, enquanto essa visita não ocorre, caberá aos militantes e lideranças do PSD atuarem como multiplicadores da campanha presidencial em cada município do Estado.

Questionado sobre a ausência de integrantes do PT na chapa majoritária, Fávaro rejeitou qualquer interpretação de distanciamento entre os partidos. Segundo ele, a limitação de vagas impossibilita contemplar todas as legendas que compõem a aliança, formada por oito partidos. O senador enfatizou que PT, PDT, PSOL, Rede e demais aliados participaram da convenção e permanecem unidos em torno do mesmo projeto político.

Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Fávaro comentou a derrota do senador Jayme Campos na convenção do União Brasil, que decidiu apoiar a pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Demonstrando respeito ao adversário político, Fávaro afirmou que pretende telefonar para Jayme ainda nesta quinta-feira para convidá-lo a integrar seu projeto político.

O senador classificou Jayme como um dos grandes líderes da história de Mato Grosso e relembrou que já tentou levá-lo para o PSD em outras oportunidades, inclusive com o apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Segundo Fávaro, Jayme sempre demonstrou fidelidade ao União Brasil, partido onde construiu sua trajetória política.

Ao destacar a importância do senador, Fávaro recordou que chegou a Mato Grosso quando diversas regiões ainda sofriam com a ausência de infraestrutura básica e atribuiu ao então governador Jayme Campos importantes investimentos em eletrificação, especialmente na implantação do linhão de energia que impulsionou o desenvolvimento da região de Sorriso e da BR-163. Apesar disso, evitou fazer críticas ao processo interno vivido pelo União Brasil, afirmando que respeita a democracia partidária e que, quando o diálogo se esgota, cabe ao voto decidir os rumos da legenda.

Fávaro também respondeu às críticas de setores do agronegócio sobre sua aproximação com o governo Lula. Ele afirmou que continua sendo um homem do agro, mas destacou que sua atuação política sempre foi voltada ao municipalismo, garantindo investimentos e políticas públicas para todos os 142 municípios mato-grossenses. Para equilibrar essa representação, explicou que escolheu Schenck justamente para manter um canal permanente entre o Senado e o setor produtivo rural.

Na reta final da entrevista, o senador voltou a defender a candidatura da médica Natasha Slhessarenko ao Governo de Mato Grosso e afirmou que a eleição de 2026 poderá marcar um momento histórico para o Estado. Segundo ele, Mato Grosso nunca elegeu uma mulher para comandar o Palácio Paiaguás em mais de três séculos de história, cenário que pretende mudar com a candidatura da médica. Fávaro lembrou ainda que foi autor de mudanças na legislação que ampliaram a participação feminina na política, garantindo mais espaço, recursos e tempo de propaganda para as mulheres.

Por fim, o presidente estadual do PSD comentou a liberdade concedida pela direção nacional da legenda para as alianças regionais. Segundo ele, embora o PSD tenha diferentes posicionamentos nos estados, em Mato Grosso a decisão foi apoiar oficialmente a candidatura de Natasha ao Governo e a reeleição do presidente Lula, respeitando, porém, integrantes da legenda que eventualmente possuam posicionamentos distintos. Para Fávaro, essa pluralidade faz parte da democracia interna do partido e fortalece o processo político.