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Por Nayara Cristina
A Prefeitura de Várzea Grande entrou na guerra eleitoral em torno das emendas parlamentares e contestou publicamente a declaração do candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), de que quase R$ 300 milhões teriam sido destinados ao município por meio da atuação da bancada federal.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (11), a administração municipal classificou a afirmação como “inverídica” e sustentou que o montante efetivamente recebido pelos cofres públicos está muito distante da cifra apresentada pelo senador durante a campanha eleitoral.
Wellington fez a declaração na quarta-feira (9), ao defender sua atuação em favor de Várzea Grande. Segundo o candidato, a soma dos recursos articulados por ele e pelos deputados federais Coronel Assis, José Medeiros e Coronel Fernanda, todos do PL, aproximaria de R$ 300 milhões o volume destinado ao município.
Ao falar sobre o assunto, o senador chegou a classificar os recursos como uma “montanha de dinheiro” e antecipou o questionamento que poderia ser feito pela população sobre onde estaria todo esse montante.
A Prefeitura, no entanto, afirma que os registros financeiros municipais não confirmam a entrada desse dinheiro. Conforme o levantamento apresentado pela gestão, todas as emendas parlamentares estaduais e federais efetivamente recebidas, executadas e pagas durante os exercícios de 2025 e 2026 somam R$ 45.216.906,06.
Quando também são acrescentados outros repasses feitos pelos governos Estadual e Federal, o total registrado sobe para R$ 62.495.852,79. O valor representa pouco mais de 20% dos quase R$ 300 milhões mencionados por Wellington e deixa uma diferença superior a R$ 237,5 milhões entre o discurso eleitoral e aquilo que, segundo a Prefeitura, efetivamente ingressou nos cofres municipais.
A divergência está principalmente no critério adotado para contabilizar os recursos. Wellington inclui em seu balanço verbas anunciadas, articuladas, previstas em programas públicos e aplicadas diretamente pelos governos Federal ou Estadual em obras que beneficiam Várzea Grande. A Prefeitura considera, em sua resposta, o dinheiro efetivamente transferido, executado e pago por intermédio do orçamento municipal.
Entre os valores citados pelo senador está a retomada de aproximadamente R$ 87 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de esgotamento sanitário. O recurso estaria relacionado, entre outros projetos, à Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria, considerada fundamental para ampliar a rede de saneamento e permitir novos investimentos habitacionais.
Wellington também relacionou à sua atuação R$ 4,7 milhões já pagos para obras de pavimentação e drenagem nos bairros Parque das Nações e Terra Nova, cerca de R$ 28 milhões destinados ao viaduto da Avenida Mário Andreazza e mais de R$ 20 milhões para a aquisição de caminhões, máquinas e equipamentos destinados à infraestrutura urbana.
Na ocasião, o candidato afirmou que a licitação dos equipamentos já havia sido realizada pela Prefeitura e que os primeiros veículos e maquinários estavam chegando ao município. Ele ainda incluiu no conjunto de ações defendidas por sua candidatura projetos ligados à BR-163, ao Contorno Norte, também chamado de Rodoanel, à mobilidade urbana e à internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon.
A gestão municipal ponderou, porém, que obras executadas diretamente pelo Governo do Estado ou pela União podem beneficiar a população de Várzea Grande sem que o dinheiro correspondente seja depositado ou administrado pelo Município. Por esse motivo, esses investimentos não aparecem como recursos recebidos pela Prefeitura.
O esclarecimento também separa emendas anunciadas ou cadastradas de valores efetivamente pagos. Uma indicação parlamentar pode constar no orçamento, estar prevista em programa governamental ou ter sido apresentada politicamente, mas isso não significa que o dinheiro tenha sido empenhado, liberado e transferido para a administração municipal.
O próprio Portal de Emendas Parlamentares de Várzea Grande registra R$ 142,49 milhões em emendas disponíveis ao longo de quatro exercícios. Esse total, entretanto, corresponde a valores alocados e não necessariamente pagos. Há registros individuais em que a quantia prevista é significativamente superior à efetivamente transferida, demonstrando a diferença entre anunciar, destinar e pagar uma emenda.
A Prefeitura declarou que os dados sobre cada emenda, incluindo o valor previsto, empenhado, pago, a esfera de origem, o parlamentar responsável e o estágio de execução, podem ser consultados publicamente no Portal da Transparência do Município.
“Recursos anunciados ou prometidos por políticos não são sinônimo de dinheiro efetivamente transferido”, afirmou a administração municipal na nota.
Ao final, a Prefeitura lançou um desafio direto ao candidato e afirmou que qualquer declaração sobre a destinação de quase R$ 300 milhões precisa ser acompanhada da demonstração de quanto desse montante realmente chegou aos cofres de Várzea Grande.
A manifestação amplia a chamada guerra das emendas na campanha ao Governo de Mato Grosso e transforma os repasses destinados à segunda maior cidade do Estado em mais um campo de confronto entre Wellington e a administração da prefeita Flávia Moretti (PL), que, apesar de pertencer ao mesmo partido do senador, declarou apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A declaração de Wellington e os valores específicos mencionados por ele foram conferidos na publicação de 9 de setembro. O portal municipal confirma também que distingue valor alocado, empenhado e efetivamente pago. Declaração do candidato e Portal de Emendas de Várzea Grande.