OPERAÇÃO CACTUS

Polícia prende suspeitos ligados ao PCC em MT, fecha garagem de veículos e Justiça determina bloqueio milionário de bens

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Polícia prende suspeitos ligados ao PCC em MT, fecha garagem de veículos e Justiça determina bloqueio milionário de bens

JBNews

Por Nayara Cristina

Ação realizada em três estados cumpriu 31 mandados judiciais, atingiu empresas investigadas por lavagem de dinheiro e determinou o sequestro de 60 veículos e de um apartamento de R$ 300 mil.

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu três investigados, cumpriu oito mandados de busca e apreensão e interditou uma garagem de veículos na manhã desta sexta-feira (16 de outubro), durante a Operação Cactus, deflagrada para desarticular um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva, coordenada pela Polícia Civil do Piauí, alcançou suspeitos, empresários e empresas que, segundo as investigações, teriam participação na movimentação e ocultação de recursos provenientes de atividades criminosas.

Ao todo, a operação mobilizou forças policiais de Mato Grosso, Piauí e Maranhão, com o cumprimento de 31 mandados judiciais, sendo 11 de prisão e 20 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de bens e a suspensão das atividades de empresas investigadas. As prisões temporárias foram determinadas pelo prazo de 30 dias.

Em Mato Grosso, os trabalhos ficaram sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que executou 11 ordens judiciais. Além das três prisões e das oito buscas, os policiais interditaram uma garagem de veículos apontada nas investigações. A ação integrou uma ofensiva interestadual destinada a atingir tanto os suspeitos de participação no tráfico quanto a estrutura financeira que, conforme a apuração, seria utilizada para movimentar dinheiro de origem ilícita.

Um dos principais alvos foi identificado como Igor Barbosa da Silva, conhecido como “Igor Gordão”, apontado pelas autoridades piauienses como uma das lideranças do PCC com atuação no Piauí. Ele foi localizado e preso na comunidade Centro dos Rodrigues, no município de Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, a aproximadamente 400 quilômetros de Teresina.

Segundo a Polícia Civil, Igor teria papel central na estrutura financeira do grupo investigado. A análise das movimentações bancárias e patrimoniais identificou operações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados, além de indícios de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

A esposa do investigado, identificada oficialmente pelas iniciais A. da S. S., também aparece nos levantamentos financeiros. A investigação apura sua possível participação na movimentação de recursos e na composição patrimonial relacionada ao esquema.

Entre as medidas determinadas pela Justiça está o bloqueio de até R$ 487 mil em bens atribuídos a Igor Barbosa da Silva e de R$ 625 mil vinculados à esposa. Somados, os dois limites patrimoniais alcançam R$ 1,112 milhão. A decisão também prevê bloqueios contra outras pessoas físicas e jurídicas investigadas, com valores que chegam à casa dos milhões de reais.

Outra medida de grande impacto financeiro foi a autorização para o sequestro de 60 veículos e de um apartamento localizado em Teresina, adquirido por R$ 300 mil, com pagamento realizado à vista. A aquisição do imóvel integra os elementos patrimoniais examinados pelos investigadores na apuração sobre a origem e a circulação do dinheiro.

A investigação também alcançou empresas suspeitas de integrar a estrutura econômica utilizada pelo grupo. A Justiça autorizou a suspensão de atividades empresariais e medidas de restrição patrimonial para evitar a transferência, movimentação ou ocultação de valores enquanto as suspeitas são apuradas.

A interdição da garagem de veículos em Mato Grosso integra essa frente patrimonial da operação. Até a divulgação das informações oficiais, a Polícia Civil não havia detalhado publicamente o nome do estabelecimento, sua localização exata ou a identidade dos três presos no estado.

A Operação Cactus foi desenvolvida pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) do Piauí, com apoio das forças policiais dos estados envolvidos. No Piauí, os mandados foram cumpridos em Teresina e União. No Maranhão, as equipes atuaram em Santo Antônio dos Lopes. Em Mato Grosso, houve diligências em Cuiabá.

Durante a ofensiva, os policiais também apreenderam armas de fogo, conforme o balanço divulgado pela Polícia Civil do Piauí. A quantidade e as características do armamento não foram especificadas no comunicado oficial.

O coordenador do Denarc do Piauí, delegado Samuel Silveira, destacou que a investigação ultrapassa a identificação dos responsáveis pela comercialização de entorpecentes e procura alcançar os mecanismos de financiamento e ocultação de recursos atribuídos à organização criminosa.

Segundo o delegado, a operação busca atingir lideranças do PCC, empresários e outros investigados suspeitos de atuar na lavagem de capitais provenientes do tráfico de drogas. O trabalho policial pretende comprometer a capacidade financeira do grupo e identificar outros integrantes da estrutura investigada.

As apurações continuam para esclarecer a participação individual dos suspeitos, aprofundar o rastreamento de transações financeiras e verificar a eventual utilização de empresas e veículos para ocultar patrimônio.

Os investigados são alvo de suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas, à atuação em organização criminosa e à lavagem de dinheiro. As medidas cautelares determinadas pela Justiça não representam condenação, e a responsabilidade criminal de cada envolvido ainda depende da conclusão das investigações e dos procedimentos judiciais.