GOLPE DOS ESTOFADOS

Polícia identifica 21 vítimas e prende dupla suspeita de aplicar golpes em reformas de móveis em Cuiabá

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Polícia identifica 21 vítimas e prende dupla suspeita de aplicar golpes em reformas de móveis em Cuiabá

JB News

Por Emerson Teixeira

Operação Tapeçaria do Crime 2 revela que investigados atraíam clientes com preços baixos, recebiam pagamentos antecipados e não devolviam os estofados; Justiça também proibiu atuação no setor

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, a segunda fase da Operação Tapeçaria do Crime, que investiga um esquema de fraudes contra consumidores que contratavam serviços de reforma e restauração de sofás, poltronas e cadeiras em Cuiabá. A investigação identificou pelo menos 21 vítimas diretas e dezenas de ocorrências relacionadas ao mesmo padrão de atuação.

A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) e teve como alvos dois homens, de 45 e 27 anos. A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos e autorizou o cumprimento de quatro ordens judiciais de prisão.

Um dos investigados já estava detido desde abril de 2026, quando foi realizada a primeira fase da operação. Por isso, o novo mandado contra ele foi cumprido dentro da própria unidade penitenciária.

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam anúncios nas redes sociais para oferecer serviços de tapeçaria e reforma de móveis com preços abaixo dos praticados no mercado e prazos de entrega considerados atrativos.

Depois de conquistar a confiança dos consumidores, os investigados compareciam às residências, recolhiam os móveis e exigiam pagamento antecipado, normalmente por PIX ou cartão de crédito.

Entretanto, conforme a investigação, os serviços contratados não eram realizados e, em grande parte dos casos, os móveis sequer eram devolvidos aos proprietários.

Quando os clientes cobravam explicações, os suspeitos apresentavam justificativas relacionadas a problemas operacionais, falta de materiais ou atrasos na execução dos serviços. Posteriormente, deixavam de responder às mensagens e bloqueavam o contato das vítimas.

As investigações revelaram que algumas pessoas encontraram seus móveis abandonados em galpões utilizados pelos suspeitos, em condições de deterioração ou parcialmente desmontados.

Em determinadas situações, os consumidores precisaram comprar novos sofás e outros estofados para suas residências, mesmo continuando a pagar parcelas de reformas que nunca foram concluídas.

Segundo a Polícia Civil, idosos e famílias de baixa renda estão entre os principais prejudicados. Parte dessas vítimas comprometeu valores significativos do orçamento doméstico para contratar os serviços anunciados.

Outro aspecto identificado pelos investigadores foi a estratégia utilizada para dificultar a localização dos responsáveis e a fiscalização das atividades.

Os suspeitos alteravam frequentemente as razões sociais das empresas, mudavam de endereço e divulgavam localizações falsas nas redes sociais, dificultando o contato dos clientes e a identificação dos estabelecimentos.

A apuração é desenvolvida em dois inquéritos policiais e busca dimensionar o prejuízo financeiro causado aos consumidores, além de identificar possíveis novas vítimas.

Diante dos elementos reunidos, a Justiça acolheu os pedidos apresentados pela Decon e determinou medidas que vão além das prisões preventivas.

Os dois investigados ficaram expressamente proibidos de exercer qualquer atividade econômica relacionada à tapeçaria, incluindo confecção, reforma, restauração e comercialização de estofados, diretamente ou por intermédio de terceiros.

A restrição judicial pretende impedir que os investigados continuem atuando no mesmo ramo enquanto o caso é apurado.

Os suspeitos poderão responder por estelionato qualificado, crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa, conforme as circunstâncias previstas na legislação.

A Polícia Civil ressalta que as investigações continuam e que outras pessoas prejudicadas poderão ser identificadas no decorrer dos trabalhos.

A primeira fase da Operação Tapeçaria do Crime ocorreu em abril deste ano, quando dois suspeitos foram presos. A nova ofensiva representa um desdobramento das investigações, com identificação de mais vítimas e imposição de medidas judiciais destinadas a impedir a continuidade das atividades investigadas.

A Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor orienta que pessoas que tenham sido prejudicadas por serviços de reforma de móveis procurem a unidade, localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá.

O atendimento presencial ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. As denúncias também podem ser encaminhadas pelo e-mail decon@pjc.mt.gov.br, pelo telefone 197 ou por meio da Delegacia Digital.

Os investigados permanecem sob apuração policial e as suspeitas ainda dependem de comprovação no processo penal, não havendo informação de condenação definitiva neste caso.