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Por Emerson Teixeira
Governador afirma que ataque à casa de vereador em Rondonópolis foi terrorismo, critica a segurança pública nacional, reage à proposta de acabar com a escala 6x1 e confirma que continuará reformulando o secretariado
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu o enquadramento de organizações criminosas como terroristas, cobrou uma atuação mais efetiva do Governo Federal na fronteira com a Bolívia e anunciou que novas mudanças serão realizadas no primeiro escalão de sua administração. As declarações foram feitas na terça-feira (13), em Cuiabá, durante a transformação da antiga Casa 10, utilizada em sua campanha eleitoral, na Casa 22, que passa a funcionar como centro de mobilização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Em entrevista à imprensa, Pivetta elevou o tom contra as facções criminosas e afirmou que o Brasil precisa abandonar o que considera uma política ineficiente de enfrentamento ao crime organizado. O governador defendeu uma estratégia nacional de segurança pública, com participação mais efetiva das forças federais, especialmente nas regiões de fronteira.
“Nós queremos fazer segurança pública de verdade, inseridos numa política nacional de segurança pública, que resolva combater o crime organizado, que resolva decretar guerra a essas facções criminosas, que resolva realmente acabar com essa lambança que é a segurança pública no Brasil”, declarou.
A manifestação ocorreu após Pivetta ser questionado sobre críticas de integrantes do PT à política de segurança pública de Mato Grosso. Segundo o relato apresentado durante a entrevista, representantes petistas afirmaram que o Estado não seria exemplo no combate à criminalidade e que teria permitido o avanço de organizações criminosas.
O governador rebateu as críticas e afirmou que não é possível discutir a violência em Mato Grosso sem considerar sua localização geográfica e os desafios impostos pela extensa faixa de fronteira internacional.
Pivetta lembrou que Mato Grosso possui aproximadamente 900 quilômetros de fronteira com a Bolívia, além de manter conexões territoriais com estados que integram importantes corredores de circulação de pessoas e mercadorias.
Para o governador, a posição estratégica de Mato Grosso no território nacional aumenta a exposição do Estado às rotas utilizadas por organizações criminosas, especialmente aquelas envolvidas com o tráfico internacional de drogas e outros crimes transfronteiriços.
“Nós dependemos do Brasil para a segurança pública. Nós dependemos do governo central, que tenha responsabilidade e assuma a fronteira do Brasil com a Bolívia, que são 900 quilômetros que o Estado de Mato Grosso cuida sozinho, sem a presença do Governo Federal”, afirmou.
Pivetta sustentou que as forças estaduais precisam de maior apoio da União para enfrentar organizações que operam além dos limites territoriais de Mato Grosso.
“Nós precisamos que as forças federais venham cuidar das fronteiras do Brasil, aqui em Mato Grosso, para nos ajudar na segurança pública”, cobrou.
Embora tenha afirmado que o Estado atua praticamente sozinho na região fronteiriça, a declaração representa uma crítica política à dimensão da presença federal, não significando necessariamente ausência absoluta de órgãos federais na fronteira.
O governador também reagiu diretamente às críticas petistas sobre o crescimento da criminalidade no Estado.
“A nossa parte nós estamos fazendo e vamos fazer cada vez mais. Mas é preciso que o Brasil tenha uma política de combate ao crime organizado”, declarou.
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Pivetta comentou um ataque criminoso registrado em Rondonópolis, envolvendo a residência de um vereador.
O governador classificou o episódio como ato terrorista e defendeu que organizações criminosas responsáveis por ações dessa natureza sejam tratadas juridicamente com maior rigor.
“O que fizeram em Rondonópolis há dez dias foi, sim, um ato terrorista na casa do vereador. Foi. Quem tem dúvida de que foi um ato terrorista?”, questionou.
Na sequência, reforçou sua posição sobre o enquadramento das facções.
“As organizações criminosas são terroristas? Pois eu estou falando: para mim, são terroristas. E nós temos que considerar como tal”, afirmou.
A manifestação revela a disposição de Pivetta de defender alterações na abordagem nacional de combate às facções, especialmente diante de ações violentas utilizadas para intimidar autoridades, agentes públicos e a população.
O enquadramento jurídico das facções como organizações terroristas, entretanto, não ocorre automaticamente por declaração de uma autoridade. A legislação brasileira possui definições específicas para terrorismo, enquanto a atuação de facções criminosas também é disciplinada por normas próprias de combate ao crime organizado.
A proposta defendida pelo governador envolve, portanto, uma discussão jurídica e legislativa com consequências para a investigação, a responsabilização penal e os instrumentos de enfrentamento dessas organizações.
A preocupação manifestada por Pivetta ganha relevância em um estado que convive com disputas entre facções, tráfico de drogas, violência em municípios do interior e desafios permanentes relacionados ao policiamento de fronteira.
Além da segurança pública, o governador demonstrou insatisfação com o debate nacional sobre o fim da escala de trabalho 6x1, especialmente após Flávio Bolsonaro anunciar apoio à mudança.
Questionado sobre a posição do candidato que apoia na eleição presidencial, Pivetta fez uma crítica ao ambiente político e associou a discussão ao que considera uma sucessão de propostas populistas.
“Eu acho que a temporada do populismo tomou conta do país”, disparou.
O governador afirmou que sempre defendeu a liberdade econômica e a possibilidade de negociação entre trabalhadores e empregadores.
“Eu sempre fui favorável à liberdade econômica, sou favorável à negociação entre as partes. Eu valorizo o trabalho, eu sou trabalhador, eu vim para cá na boleia de caminhão, eu sei o que é trabalhar e eu quero o bem para o trabalhador”, declarou.
Pivetta argumentou que o desenvolvimento econômico e a melhoria das condições de vida não dependem exclusivamente de mudanças nas regras de jornada, mas também de investimentos em qualificação profissional, produtividade e remuneração.
“Nós não vamos enriquecer ninguém com salário mínimo. Nós precisamos melhorar a qualidade do trabalho, precisamos qualificar os nossos jovens, nós precisamos melhorar os salários”, afirmou.
Na avaliação do governador, propostas que oferecem benefícios imediatos sem enfrentar problemas estruturais podem criar expectativas que não serão necessariamente acompanhadas de melhorias duradouras na renda da população.
“Nós não queremos esmola. O país criou essa tradição de dar esmola, de comprar votos com acenos populistas”, criticou.
A declaração expõe uma diferença de posicionamento entre Pivetta e Flávio Bolsonaro sobre a proposta de mudança da escala 6x1. Enquanto o candidato do PL anunciou apoio ao fim do atual modelo, o governador mantém a defesa da livre negociação nas relações trabalhistas.
Pivetta não declarou rompimento com Flávio em razão dessa divergência. Pelo contrário, reafirmou seu apoio à candidatura presidencial do senador e destacou a importância da mobilização eleitoral no segundo turno.
A discussão sobre a escala 6x1 envolve também argumentos de trabalhadores e entidades sindicais que defendem mais tempo de descanso e redução da jornada sem perda salarial, em contraposição às preocupações de segmentos empresariais sobre custos e organização das atividades econômicas.
Outro ponto relevante da entrevista foi a confirmação de novas alterações na equipe de governo.
Pivetta afirmou que a escolha de Eduardo Manciolli para comandar a Casa Civil representa apenas o início de uma reorganização administrativa que terá continuidade nos próximos meses.
“Eu já anunciei um secretário, a secretaria que é a Casa Civil. Até agora é só isso”, afirmou inicialmente.
Questionado se haverá outras mudanças no governo, respondeu de maneira direta: “Vai ter. Terão mais mudanças”.
A declaração confirma que o governador pretende promover novos ajustes na estrutura do Executivo estadual após conquistar a eleição de 4 de outubro.
Eduardo Manciolli foi escolhido para assumir a Casa Civil na terça-feira (13), substituindo Adjaime Ramos de Souza, que retorna à função de secretário-adjunto de Relações Políticas.
Manciolli participou da articulação da campanha eleitoral de Pivetta e possui experiência administrativa na Assembleia Legislativa e no próprio Governo do Estado.
A Casa Civil exerce papel estratégico no relacionamento do Executivo com a Assembleia Legislativa, demais instituições e lideranças políticas, além de contribuir para a coordenação das ações governamentais.
O governador, entretanto, não revelou quais outras secretarias deverão passar por mudanças nem antecipou nomes de possíveis substitutos.
A movimentação ocorre em meio à preparação para o novo mandato, que terá início em janeiro de 2027, e indica que Pivetta pretende reorganizar sua equipe para a próxima etapa da administração estadual.
Durante o evento em Cuiabá, o governador também comentou a transformação da antiga sede de sua campanha eleitoral em um espaço de mobilização para o segundo turno presidencial.
Segundo Pivetta, a estrutura utilizada durante a disputa estadual será aproveitada para reunir lideranças e apoiadores de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso.
“A Casa 10 foi muito boa, até porque foi necessária. Agora virou Casa 22”, declarou.
O governador informou que pretende ampliar a votação do candidato do PL em Mato Grosso, estabelecendo como meta alcançar 75% dos votos no Estado.
“Ele tem 65%. Vamos trabalhar, vamos fazer o possível para chegar nos 75%”, afirmou, referindo-se ao desempenho eleitoral de Flávio no primeiro turno.
Pivetta também comentou a presença de antigas lideranças adversárias na mobilização do segundo turno, incluindo o ex-deputado Júlio Campos, e disse que o espaço estará aberto a pessoas de diferentes grupos políticos que desejem participar da campanha.
O governador ressaltou que a meta é ampliar o comparecimento às urnas em 25 de outubro, inclusive entre eleitores que não votaram no primeiro turno.
A entrevista evidencia três frentes que deverão marcar a atuação política e administrativa de Otaviano Pivetta neste período: a cobrança de maior participação federal no combate às facções criminosas, a reorganização de seu secretariado e sua participação na campanha presidencial.
Ao chamar facções de terroristas e utilizar o ataque ocorrido em Rondonópolis como exemplo, Pivetta colocou o enfrentamento ao crime organizado no centro de seu discurso. Ao mesmo tempo, mostrou que pretende preservar suas posições econômicas, mesmo quando elas diferem das defendidas por aliados, e confirmou que a composição do governo estadual ainda sofrerá novas alterações.
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