JB News
Por Emerson Teixeira
Operação Duas Faces cumpriu cinco mandados de busca em Figueirópolis d’Oeste; investigados são suspeitos de organizar viagens clandestinas pela fronteira do México e receber até imóveis e veículos como pagamento
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14 de outubro de 2026), a Operação Duas Faces, para combater um esquema suspeito de promover a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos, utilizando a fronteira com o México como rota de entrada no território norte-americano. A ofensiva ocorreu em Figueirópolis d’Oeste, município da região oeste de Mato Grosso, e incluiu o bloqueio judicial de bens e valores dos investigados, limitado a R$ 1 milhão.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Cáceres. A investigação busca identificar os responsáveis pela organização das viagens clandestinas, a movimentação financeira do grupo e a possível participação de outras pessoas no esquema.
Segundo a Polícia Federal, os investigados atuavam em diferentes etapas do processo de migração irregular, desde o auxílio para obtenção de passaportes até a organização da entrada clandestina de brasileiros nos Estados Unidos.
O esquema teria como principal rota a travessia pela fronteira mexicana, caminho utilizado por redes de migração irregular para facilitar o ingresso de estrangeiros em território norte-americano sem a autorização exigida pelas autoridades daquele país.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi a forma de pagamento pelos serviços oferecidos.
Além de transferências bancárias, o grupo investigado teria recebido procurações relacionadas a veículos e imóveis mantidos no Brasil, mecanismo que permitia utilizar bens patrimoniais como garantia ou forma de pagamento pelas viagens.
A utilização desses instrumentos passou a integrar a apuração policial, que busca esclarecer a origem, o destino e a movimentação dos valores envolvidos nas operações.
O bloqueio determinado judicialmente, limitado a R$ 1 milhão, tem como finalidade atingir bens e recursos vinculados aos investigados. O montante representa o teto autorizado para a medida, não significando necessariamente que todo esse valor já tenha sido localizado ou efetivamente bloqueado.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, agentes federais realizaram buscas em endereços ligados aos alvos da operação. Os materiais apreendidos serão analisados para aprofundar a identificação dos participantes, esclarecer a estrutura de funcionamento do esquema e verificar eventuais conexões com outras localidades.
A Polícia Federal também pretende identificar como eram realizados os contatos com os interessados em deixar o Brasil, de que maneira as viagens eram organizadas e quais pessoas participavam das etapas de deslocamento até a fronteira mexicana.
A investigação aponta suspeitas de uma atividade organizada, que envolveria tanto a preparação documental quanto o planejamento logístico das viagens internacionais.
A operação coloca Figueirópolis d’Oeste, município do interior de Mato Grosso, no centro de uma investigação federal sobre o possível funcionamento de uma rede de facilitação de migração ilegal com destino aos Estados Unidos.
A prática investigada pode configurar o crime de promoção de migração ilegal, previsto na legislação brasileira, além de associação criminosa, conforme a participação e as condutas que venham a ser comprovadas ao longo do procedimento.
O crime de promoção de migração ilegal envolve, entre outras hipóteses legais, facilitar a saída de brasileiros do território nacional para ingressar ilegalmente em país estrangeiro, com a finalidade de obter vantagem econômica.
A operação também evidencia a preocupação das autoridades com redes que exploram financeiramente o desejo de brasileiros de buscar oportunidades no exterior, muitas vezes mediante trajetos que podem envolver riscos à segurança e à integridade física dos viajantes.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados, a quantidade de pessoas que teriam utilizado os serviços, os valores individualmente cobrados pelas viagens nem a existência de prisões durante a operação.
Também não foram informados o número do processo judicial e a eventual participação de intermediários estabelecidos fora do Brasil.
A comunicação oficial sobre a Operação Duas Faces foi publicada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), às 11h21, com atualização às 11h28.
As investigações continuam para esclarecer a dimensão do suposto esquema, identificar todos os envolvidos e apurar a destinação dos recursos movimentados.
Os investigados poderão responder pelos crimes de promoção de migração ilegal e associação criminosa, caso as condutas sejam comprovadas. Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito à fase investigativa, sem condenação judicial dos envolvidos.