JB News
por José Teixeira
Renovação de concessão expõe fragilidade energética e força Mato Grosso a reagir com plano bilionário
A decisão do Governo Federal de renovar por mais 30 anos a concessão de 14 distribuidoras de energia elétrica no país, incluindo a Energisa em Mato Grosso, reacendeu um debate antigo e sensível: o limite entre crescimento econômico acelerado e a incapacidade estrutural de sustentar esse avanço. Em um estado que lidera índices de expansão no agronegócio e busca avançar na industrialização, a precariedade no fornecimento de energia tem sido apontada como um dos principais gargalos ao desenvolvimento.
A medida, oficializada na véspera pelo Governo Federal, foi recebida com preocupação por lideranças políticas e produtivas em Mato Grosso, que já vinham discutindo, internamente, alternativas para enfrentar a deficiência energética em diversas regiões. A crítica recorrente é de que a qualidade e a capacidade da rede elétrica não acompanham o ritmo de crescimento econômico, especialmente no interior, onde produtores, indústrias e empreendedores enfrentam limitações constantes no fornecimento.
Durante agenda pública no Parque das Águas, nas comemorações dos 307 anos de Cuiabá, o governador Otaviano Piveta confirmou que o Estado já vinha se antecipando à decisão federal e estruturando um plano robusto para enfrentar o problema. Segundo ele, uma reunião realizada com a diretoria do setor energético, ainda antes da renovação das concessões, resultou na definição de um investimento conjunto de aproximadamente R$ 1 bilhão em infraestrutura elétrica.
“Coincidentemente, nós fizemos uma reunião com a diretoria da energia hoje à tarde para falar sobre a infraestrutura da energia. Nós temos um plano para anunciar nos próximos 10 dias que vai construir 10 mil quilômetros de linhas trifásicas para melhorar a capacidade de energia em todos os cantos do Estado”, afirmou o governador.
O projeto prevê uma divisão igualitária de investimentos, sendo cerca de R$ 500 milhões aportados pelo Governo do Estado e outros R$ 500 milhões pela própria Energisa. A proposta tem como foco ampliar a rede básica de distribuição, especialmente em regiões onde a energia ainda é considerada insuficiente ou inexistente para sustentar atividades produtivas.
Piveta destacou que Mato Grosso, por ser o estado que mais cresce no país, exige uma resposta proporcional em infraestrutura. Ele também sinalizou que, apesar da renovação das concessões, o governo estadual adotará uma postura rigorosa na cobrança por melhorias. “Nós vamos cobrar com muita firmeza os investimentos necessários para levar energia aonde o povo está e aonde os empreendedores querem desenvolver atividade que demande energia como insumo”, reforçou.
Entre os exemplos citados pelo governador está o Pantanal, onde o turismo ainda enfrenta limitações severas por falta de energia convencional. Atualmente, muitas pousadas operam com geradores, o que encarece os custos e limita a expansão do setor. A proposta do Estado é levar rede elétrica básica a regiões estratégicas, incluindo áreas como Santo Antônio do Rio Verde e outras localidades com potencial econômico ainda represado.
A renovação das concessões, vista por muitos como uma oportunidade perdida de reavaliar o modelo de distribuição, acaba funcionando como um catalisador para ações locais. Em Mato Grosso, o movimento agora é de reação: diante de um cenário nacional definido, o Estado aposta em protagonismo e investimento próprio para evitar que a falta de energia continue sendo um freio ao desenvolvimento.
O desafio, no entanto, permanece complexo. Com a expansão da agroindústria, o avanço da industrialização e a necessidade de interiorização do crescimento, a pressão sobre o sistema energético tende a aumentar. A promessa de investimento bilionário surge como uma resposta imediata, mas a efetividade dessas ações será determinante para definir se Mato Grosso conseguirá, de fato, sustentar seu ritmo acelerado de crescimento ou continuará esbarrando em um dos seus principais limites estruturais.
Veja :
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