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Por Nayara Cristina
Mandados atingiram integrantes do primeiro escalão da Prefeitura e pessoas ligadas à campanha da candidata a deputada estadual; investigação eleitoral tramita sob sigilo
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na madrugada deste sábado (3) em Rondonópolis contra integrantes do primeiro escalão da Prefeitura e pessoas ligadas à campanha da candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira (Podemos), primeira-dama do município. As diligências foram autorizadas pela Justiça Eleitoral e ocorrem a apenas um dia do primeiro turno das eleições de 2026.
Entre os alvos identificados estão o secretário municipal de Governo, Mikaell Vitorino, e o diretor-geral do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear), Victor Vitorino. As buscas também alcançaram outras pessoas relacionadas ao grupo político e à campanha eleitoral.
A apuração envolve suspeitas de irregularidades eleitorais e possível utilização da estrutura pública em benefício da candidatura de Alessandra. Entre os pontos sob investigação estão eventual participação de servidores públicos em atividades eleitorais, logística e material de campanha, locação de veículos e possível transporte irregular de eleitores.
Durante as diligências, policiais federais recolheram celulares, documentos e outros materiais que deverão ser submetidos à análise. Como o procedimento tramita sob sigilo na Justiça Eleitoral, ainda não foram divulgados oficialmente o conteúdo integral das decisões judiciais, a relação completa dos alvos ou os elementos que fundamentaram cada um dos mandados.
A operação realizada em Rondonópolis faz parte de uma ofensiva mais ampla da Polícia Federal contra suspeitas de crimes eleitorais em Mato Grosso. Neste sábado, quatro operações foram deflagradas no Estado, com o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral em diferentes municípios, entre eles Rondonópolis e Primavera do Leste.
No conjunto das ações, aproximadamente R$ 235 mil em dinheiro foram apreendidos, além de materiais considerados de interesse para as investigações. Até o momento, porém, não foi informado oficialmente em qual município ou endereço o dinheiro foi localizado. Também não há confirmação de que os valores tenham qualquer relação com o núcleo investigado em Rondonópolis.
Alessandra Ferreira e o prefeito Cláudio Ferreira (PL) não estão entre os alvos dos mandados cumpridos neste sábado. A investigação, entretanto, alcança pessoas da administração municipal e ligadas à campanha da primeira-dama, que disputa pela primeira vez uma eleição e concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
As suspeitas investigadas pela Polícia Federal ganham dimensão adicional porque a relação entre a administração municipal e a campanha de Alessandra já vinha sendo discutida judicialmente durante o período eleitoral.
Em setembro, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral foi apresentada contra Alessandra, Cláudio Ferreira e outros envolvidos, com alegações de possível abuso de poder político e econômico e utilização da estrutura da Prefeitura para favorecer eleitoralmente a candidatura da primeira-dama.
No dia 24 de setembro, o corregedor regional eleitoral, desembargador Marcos Machado, determinou que Cláudio Ferreira e Alessandra Ferreira se abstivessem de utilizar bens, serviços, recursos, eventos ou obras públicas municipais para promover a candidatura dela à Assembleia Legislativa.
A decisão estabeleceu multa de R$ 20 mil para cada eventual ato de descumprimento. A medida foi concedida no âmbito de uma AIJE proposta pelo diretório estadual do Agir.
Outro procedimento eleitoral envolvendo o grupo também questionou a participação de Alessandra em evento financiado com recursos públicos. Uma representação apresentada à Justiça Eleitoral mencionou a “Copa Integração – Unindo Bairros, Fazendo Amigos – 2026”, realizada após termo de fomento firmado pelo município no valor de R$ 1,048 milhão. A ação questionou a participação da candidata na abertura do evento, realizada em 29 de agosto, já durante o período eleitoral.
A operação deste sábado, no entanto, tramita sob sigilo, e ainda não é possível afirmar se os fatos investigados pela Polícia Federal correspondem aos mesmos episódios discutidos nessas ações anteriores ou se envolvem um novo conjunto de provas e acontecimentos.
Após o cumprimento dos mandados, a Prefeitura de Rondonópolis informou que respeita a atuação da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal e afirmou que continuará colaborando com as investigações.
A administração municipal também manifestou confiança nos integrantes do secretariado atingidos pelas buscas e ressaltou que, até o momento, não existe acusação formal contra eles. Segundo o posicionamento divulgado pela Prefeitura, os servidores estão à disposição para prestar esclarecimentos e fornecer documentos solicitados pelos investigadores.
O cumprimento de busca e apreensão é uma medida cautelar destinada à coleta e preservação de elementos de prova. A medida, por si só, não significa indiciamento, condenação ou reconhecimento de responsabilidade criminal ou eleitoral.
Com a apreensão dos aparelhos eletrônicos e documentos, a investigação deverá avançar agora para a análise do material recolhido. Caberá à Polícia Federal e aos órgãos eleitorais verificar se os elementos encontrados confirmam ou afastam as suspeitas que motivaram as buscas.
As diligências colocam Rondonópolis no centro das investigações eleitorais realizadas em Mato Grosso justamente nas últimas 24 horas antes da abertura das urnas. O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado neste domingo, 4 de outubro.